segunda-feira, 15 de março de 2010

Guerra Particular



Guerra Civil


É contra mim que luto
Não tenho outro inimigo.
O que penso
O que sinto
O que digo
E o que faço
É que pede castigo
E desespera a lança no meu braço
Absurda aliança
De criança
E de adulto.
O que sou é um insulto
Ao que não sou
E combato esse vulto
Que à traição me invadiu e me ocupou
Infeliz com loucura e sem loucura,
Peço à vida outra vida, outra aventura,
Outro incerto destino.
Não me dou por vencido
Nem convencido
E agrido em mim o homem e o menino.

Miguel Torga (1907-1995), poeta português

10 comentários:

  1. Parece que meu maior inimigo sou eu mesmo...
    Essa guerra...quase invisível entre o eu e o não eu...
    E assim sigo, combatendo...
    se eu valorizar sempre o melhor lado de mim...
    venço essa guerra...

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  2. "E agrido em mim o homem e o menino."

    Miguel Torga sempre foi um dos meus preferidos, tanto na prosa como na poesia. Muito bem escolhido, Carlos.


    Ps- Bípede, a foto de entrada é lindíssima.

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  3. Assim dá vontade de ser só leitora...
    Coisa bonita demais...

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  4. Maia, por isso, é que acredito em processo analítico. A gente se liberta dos agressores ou, pelo menos, amansa e reeduca os que não podem mais partir. Eu sou muito mais generosa com a minha menina e com a minha mulher do que costumava ser.Anyway, grande poema, uma verdade absoluta ainda para muitos.

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  5. Pulha Garcia, peguei no Ffound. Tem mais algumas da mesma pessoa. Todas incríveis. Depois, dou uma olhada e publico o nome.

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  6. Gente, realmente esse poema é genial. Não conheço a prosa de Miguel Torga e fiquei curioso. Valeu.

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