sexta-feira, 27 de novembro de 2015

O CORVO

Vivia eu
Dia solitário
Dia triste
Cabeça vazia
Pensamento oco
Quando me chegou
Um corvo
(Não sei se lúgubre
Não sei se aziago
Não sei se ogro)
A pedir-me pouso

Explicou:
Vinha de um tempo
Já prescrito
Fora despejado
De uma cripta
Da qual
Tinha documentação
Legalizada
(Firma reconhecida)
Compreendi
(Sei o que é burocracia)
Aquiesci
(Precisava
Mesmo
De companhia)
E lá se foi a ave
Agradecida
Buscar esposa
Buscar concubina

Instalaram-se
Os três
Na minha referida
Caixa craniana
Criaram descendência
(Eu criei dependência)
Ali viveram
(Melhor dizendo:
Ali vivemos)
Até o momento
Em que o espaço
Ficou parco:
Bateram asas
Bateram em retirada

Levando apêndice



domingo, 1 de novembro de 2015

Ficções das pequenas incertezas I



      É bem provável que ela diga daqui pra frente narro a vida sem você. Diga quase levemente, assim como quem não quer nada, parecendo menina, deixando as palavras derreterem-se pelo corpo inteiro, de cima abaixo, maculando o vestido, a pele, os pés. É bem provável que ela prenda os cabelos em um coque e ajeite a pilha de livros sobre o criado-mudo, colorida como as fotografias tiradas no mercado de flores, antes de abrir as portas do armário e ordenar a ele que feche as da rotina. Ele, a sua bagagem de retorno e de ida, o seu silêncio de afagos e a sua metade agora mordida. 

Postado por Helena Terra (Bípede falante)

domingo, 7 de junho de 2015

Mãe de gente

Junho é o mês em que conto os anos da morte da mãe. Este ano, dia 23, serão dezoito. No início, pensei que com o tempo o seu desaparecimento precoce se acomodaria em algum esconderijo da minha mente. 
Mas não dizer mais a palavra mãe escancarou a sua falta logo na primeira semana. Até então eu não tinha entendido o quanto essa palavra nos  ampara.
Nos domingos, invariavelmente, ela me ligava estivesse onde estivesse. Se não me encontrava em casa, deixava na secretária eletrônica sempre a mesma mensagem:
- Milha filha, sou eu, a mãe. Me telefona quando puder.
Guardei a fita cassete com a gravação. Está em uma gaveta do móvel que era do meu pai dentro de uma caixinha de madeira. Dá para se perceber que sou sentimental. No entanto, não tenho como ouvi-la. O gravador compatível que eu tinha, dos tempos ainda de faculdade, se perdeu. Talvez tenha ficado na casa antiga.
Muitas coisas se perderam.
De muitas coisas me perdi. 
De algumas outras fui perdida.
A vida é também uma dinâmica de subtrações embora a gente passe o tempo acumulando de tudo um pouco, inclusive novos laços e alegrias.
Três anos depois que a mãe morreu, tornei-me uma. 
Gordo, grande, saudável nasceu o meu filho. E a cada mãe, mamãe, que ele disse e diz sinto falta da minha.
A minha mãe, além de cuidar da família e da casa, lecionava, pintava e administrava um pomar de maçãs.  Não se encaixava no modelo  materno primário de que ser mãe é viver só de dar e receber amor. Não se encaixava em vários modelos femininos propagados por essa nossa cultura despudoradamente autoritária e machista. 
Entretanto, se encaixava no que entendo por ser, de verdade, a pessoa responsável pela educação de uma outra. Educação afetiva, social, política, pessoal. Educação muito além dos manuais de etiqueta e dos bancos escolares.
Assim como eu, minha mãe adorava cães. 
Assim como eu, não se sentia mãe de nenhum.
Me perdoem as mães de gatos e cachorros. A ideia não é diminuí-las. Mas ser mãe de gente é outra história. Exige trabalho árduo e constante. 
Mãe de gente não sai e bate a porta e diz até a noite.
Mãe de gente está sempre de olho na agenda e nas emoções, suas e de sua cria.
Mãe de gente ensina sem parar, aprende sem parar.
Mãe de gente testemunha acertos e erros, testemunha frustrações,  evoluções, participa. Mãe de gente se modifica, cresce, faz aniversário duas vezes por ano, três, quatro, quantas forem as crianças.
Mãe de gente passa noites em claro porque o filho está doente, porque o filho está lépido e faceiro em uma festa, porque está viajando com a escola, porque foi mal na prova, porque foi bem na prova, porque se acha bonito, feio, bonito, inteligente, tonto, inteligente, porque comeu demais, de menos, porque levou um fora ou deu.
Mãe de gente se envolve mais que mãe de bichinhos. 
E mãe de gente renuncia ao que for.
Mãe de gente, se precisar, nem precisa pedirem, dá logo a vida. 
Mãe de gente morre com a morte de um filho.
Mãe de gente renasce para honrar a memória desse filho.
Mãe de gente se torna mãe de muitas gentes.
Da própria mãe quando chega a velhice.
De si própria e dos irmãos quando não há mais uma mãe para chamar.
Mãe de gente conta os anos pra trás e pra frente, pra trás e pra frente, eternamente. 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Cesta do piquenique

Amizade é tesouro raro. Em meio a muitos tesouros diferentes, cada um encontra um jeito de ser raridade. Como me faz bem pensar nos amigos que encontrei/encontro pela vida! Como me faz bem saber que continuo aberto e sentindo prazer em encontrá-los. Como sou grato por cada um que tenho, por cada um que tive. Amizade, amor... para mim não passam. Transformamos a maneira de lidar com o outro, a vida vai trazendo diferentes abordagens para o mesmo tema. Uns se mantém cada vez mais próximos e sabem o que temos comido, a festa que temos ido, a doença que atrapalhou a reunião, o riso com a besteira da televisão ou o choro com o resultado de exames. Alguns não sabem de detalhes, mas entendem o conjunto da obra e se fazem presentes em pequeninas-grandes coisas. Outros não fazem mais questão de nada mesmo, mas não deixam de deixarem rastros. Olho com cuidado para cada um que me toca, afeta... sinto muito pelas vezes que não pude corresponder ao que desejaram de mim, mas busco sempre ser inteiro, verdadeiro, até mesmo nas pequenas mentiras, aquelas que se forem verdades o outro não entende, como por exemplo não querer falar ao telefone e mandar dizer que está dormindo. Eu não me importo quando me dizem que não querem falar, mas tenho amigos que se zangam, então prefiro mentir para não zangá-los. Depois, quando estou de bom humor e se ele continua querendo falar, gargalhamos juntos. Gosto quando não se ofendem com minha necessidade de ficar sozinho, quando dou aquela morrida necessária. Também compreendo, não sem tristeza, que há os que não voltam mais, os que foram. Aqueles em que se rompe a tênue linha que tecemos juntos até um certo tempo e depois se parte. Aí, chegam momentos de coração partido, doído e lembranças. Aí, chegam os amigos que continuam e te enchem de alegria porque basta tê-los para isso acontecer.


Estou em tempos de saber o que sobrou na cesta do piquenique.

foto e texto Edu O.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

"O Timbre e o Silêncio" em Crowdfunding



E finalmente o "passo de gigante" para que " O Timbre e O Silêncio" seja uma realidade muito em breve, ou não: 




através deste link de que deixo para a plataforma de crowdfunding, o apoio dos amigos, dos amigos dos amigos, de todos os que acharem por bem, este livro "vai acontecer"... porque há quem acredite desde o primeiro instante, porque há quem continua a acreditar que "a poesia é possível"! 

Tão grato por todo o apoio até agora, 
e mais que nunca, a todos os que possam apoiar e divulgar este, 

a que junto texto de apresentação de O Timbre e o Silêncio na PPL Crowdfunding: 

"Este meu primeiro livro, “O Timbre e o Silêncio”, com lançamento previsto para Abril de 2015, “acontece” com a mesma espontaneidade com que há cerca de cinco anos, iniciei a partilha dos meus textos poéticos no blog A Barca dos Amantes, lugar onde desde então publico com a regularidade possível, sendo que uma parte substancial se encontra neste primeiro volume que compreende os períodos de Outubro de 2009 a Outubro de 2010. 

Vim dizer-lhes o que sei sobre o trabalho dele, mas achei de maior valia alertá-los sobre a poesia que ele exerce. Saibam desde já que ele vem do horizonte, vestido nu, com as mãos limpas, o peito como janela, a janela em seus olhos, em pleno voo sobre o mar da palavra, tal qual desbravador de nossas emoções mais íntimas e chama-se Breve Leonardo, porém o nome não importa.”, escreve Betina Moraes no texto de contracapa do livro; e do que poderei sublinhar, do que importa, são as palavras, “reflexo”, contemplação e diálogo, o não temer “acontecer” palavra… neste caso em livro, primeiro livro, sendo que os próximos volumes muito dependerão do êxito deste “O Timbre e o Silêncio”, desse arriscar, desse acreditar que cada um de vós também escreverá nesta “luz de livro”, apoiando-o!"

Tão Imensamente Grato, a todos, a cada um de todos os "meus" que me tornaram possível chegar aqui, já tão perto...

Tão Grato!

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Tisanas





75.

Era uma vez uma idade. Sentada à porta de casa apascentava os seus mortos. Quando eles se aproximavam demasiado separava-os com uma varinha. Sim porque o peso dos mortos para onde vai perguntava a idade. E nesses momentos envelhecia. Recolhia a casa e os mortos deitavam-se debaixo das árvores. Quando os ramos envelheciam os mortos perguntavam a idade para onde irá. E erguiam-se de sob as árvores.

80.

Era uma vez uma história tão impressionante que quando alguém a lia o livro começava a transpirar pelas folhas. Se o leitor fosse muito bom o livro soltava mesmo algumas pequeninas gotas redondas de sangue.


137.


Sentado à porta de casa um filólogo meditava a evolução das palavras. Em frente havia um precipício. De tantos em tantos anos caía lá uma palavra. Então o filólogo retirava a rede e colhia a palavra caída. não sei se isso se devia à extrema dificuldade da recolha se á extrema solidão do seu trabalho.


Ana Hatherly, em  A idade da escrita e outros poemas

sábado, 5 de julho de 2014

Em memória de Ivan Junqueira (1934-2014)




 
A mão que escreve



A mão que escreve é aquela
que não pôde, inepta,
agarrar o que lhe era
devido nesta gleba:
glória, insígnias, troféus
e algo enfim que soubesse
àquilo a que, incrédulos,
chamamos vida eterna.

A mão que escreve é aquela
cujas linhas, babélicas,
descumpriram o périplo
que lhes previa a esfera
de um trismegístico Hermes,
e que, por dolo e inércia,
deixou rolar a pérola
que arrancara do pélago.

A mão que escreve é aquela
que foi, além de réproba
e amiúde analfabeta,
muitas vezes canhestra:
enfiou por ínvias vielas,
urdiu frases sem nexo,
bateu-se em tolos duelos
e excedeu-se, sem rédeas.

A mão que escreve é aquela
que compôs alguns versos,
odes, canções de gesta
e elegias sem metro,
às quais ninguém deu crédito
nem ouvidos.
 Aquela que ergueu um brinde
 aos féretros
de uma insepulta Grécia.


Antes que o sol se ponha

   
Antes que o sol se ponha e seja tarde,
e o azul crepuscular me deite a garra,
e eu, nu, retorne à terra sem fanfarra
ou mortalha que o corpo me resguarde;
antes que murche a pétala na jarra,
e eu cale, para sempre, sem alarde,
e tudo o que me coube, por covarde,
não mais recorde a relva que se agarra
às últimas raízes da existência;
antes que eu cerre os olhos e adormeça,
e em minhas próprias células esqueça
as chamas que me arderam na consciência;
antes que a luz regresse e que amanheça,
e eu a mim mesmo já não me conheça.



Epitáfio


    De tua história, nada;
ou tudo, se quiseres:
entre uma e outra data,
a fábula de seres
nunca o tangível ,mas
o pássaro, o maralto
(o passo, não: o salto
em vão, fora do espaço),
o amor, vale dizer:
sua forma álgida e rara,
avessa à coisa amada
— e, súbito, colher
a morte, flor cediça,
dentro da vida.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

terça-feira, 17 de junho de 2014

Valter Hugo Mãe, "A desumanização" (entrevista)




Narrado por uma menina de 11 anos, A desumanização apresenta a paisagem acidentada da Islândia, com ênfase nos longos braços de mar que avançam montanhas adentro. No livro, os fiordes não são apenas moldura para dramas humanos – são também personagem. Confira abaixo trechos da entrevista para o jornal O POVO, de Fortaleza, em abril de 2014

. O POVO – A Revolução dos Cravos, comemorada recentemente, melhora a disposição dos portugueses para encarar o cenário de crise no país e na Europa?

Valter Hugo Mãe – A Revolução dos Cravos é uma das datas mais dignas da nossa história. Acabar com uma ditadura é basilar em todos os lugares do mundo. E foi isso que aconteceu há 40 anos. O meu respeito pelo 25 de Abril (de 1974) é absoluto. A crise é ótima para todos os totalitarismos, todos os cretinismos, todos os despotismos e, se quiser até uma palavra que acho que nunca disse publicamente, para todos os “filhadaputismos”. Os 40 anos são efetivamente uma ajuda para que as pessoas percebam que há uma construção, que é a democracia, que recuou muito nos dois últimos governos, sobretudo neste governo que agora está no poder e que é um grandessíssimo monte de “merda”.

OP - A literatura é uma resposta ou um antídoto às asperezas do mundo?

  VHM - É tudo isso. Ela responde, ela questiona, ela anula coisas, intensifica outras. Literatura serve pra tudo. Eu tenho muita vontade de que os livros construam, que os livros tenham, em última análise, um resultado benigno, que induzam à cidadania. Talvez não seja obrigatório que os livros das pessoas sejam assim. Pra mim, ela (a literatura) não pode ser de outra forma porque eu não consigo ser de outra forma. Eu não quero ser uma pessoa de outra forma. E, como não quero ser uma pessoa de outra forma, não posso ser um autor oponente àquilo em que eu acredito enquanto gente. A literatura está para problematizar, mas talvez esteja também para salvar o mundo um bocado.

OP - Qual o lugar da utopia na sua obra?

VHM - É muito grande. Quem vive sem utopias vive um pouco sem razão. Quem não acredita no impossível não vai além da banalidade. E acho que o futuro está um pouco além das vivências, além de algo que nós ainda não descortinamos. Eu prefiro estar do lado dos que recusam o ceticismo. O ceticismo é uma espécie de desculpa pra não fazer.

OP - Numa das passagens do romance, a personagem Halla diz que “o inferno não são os outros. Os outros são o paraíso”.

VHM - Acredito muito nisso. Acho que o Jean-Paul Sartre não era propriamente um idiota, mas causou um enfoque demasiadamente violento. O inferno pode ser os outros ou pode ser alguém, mas os outros são categoricamente o paraíso. Não encontramos nada que nos justifique mais na vida do que outra pessoa. A vida não se faz por andarmos aqui sozinhos; se faz por sermos misturados com os outros. Não somos em absoluto nada. Nós somos misturados, e a nossa felicidade acaba sendo por presumir o outro, por supor o outro. Sozinhos não precisamos nem de ser felizes porque não precisamos de ser nada.

OP - Um dos grandes temas de A desumanização é a comunicação com as coisas do mundo (objetos, paisagens e animais). Às vezes, porém, esse mundo é muito mais vivo do que o dos personagens.

VHM – Neste livro eu quis que a natureza fosse uma personagem. Ela surge imbuída com uma capacidade quase pensante. O próprio pai da narradora diz, a certa altura, que a Islândia pensa. E a Islândia interfere no romance de uma forma muito decisiva através daquilo que os personagens esperam, do modo como as personagens interpretam os fenômenos da natureza. Isso é uma forma de espiritualizar aquilo que nos rodeia. É uma espiritualidade aquém da transcendência. Podemos acreditar na transcendência de que Deus existirá depois da morte ou além da vida. Ou podemos acreditar que a natureza em si é uma espiritualidade. A natureza já nos transcende bastantemente. Ela, por si só, já é muito mais do que nós podemos explicar, do que nós podemos entender, do que nós podemos dominar. Por isso ela escapa-nos. As personagens estão conscientes de que a natureza tem uma inteligência que participa decisivamente das nossas vidas. Eu tenho muito essa vontade de ter na natureza uma religião bastante.

OP - Por que escrever a partir da Islândia?

VHM – Por ser ao mesmo tempo um lugar cândido e agressivo, longínquo e solitário, mas habitado. É o espaço que indica a disciplina da vida. É uma noção de sobrevivência. Modos de contar

OP - A perspectiva feminina é privilegiada de alguma maneira em sua literatura?

VHM - Estou convicto de que a biologia reservou pras mulheres uma aventura muito mais impressionante. O homem não tem isso de dividir o seu corpo, multiplicar. O homem é um terreno muito mais estéril, que acaba por procurar realizações exteriores à sua fisicalidade. Uma compensação. E a mulher tem a maternidade. Enfim, não é absoluto, não é uma generalização que possa ligeiramente ser universal. Porque há mulheres que não quererão ter filhos e há homens que são mais impressionantes que as mães.

OP - A paisagem que você apresenta em A desumanização é eminentemente acidentada. O grande símbolo dela é o fiorde. O que ele representa literariamente?

VHM – O fiorde é mesmo isso. É o lugar do acidente, o lugar do improvável, o lugar do difícil. Aquele espaço não estava à espera de ser habitado por gente. É como se tivesse sido construído rejeitando a presença do ser humano. Mas, por contrassenso ou por casmurrice, o ser humano até ali conseguiu chegar. E ele representa essa capacidade estranha que o humano tem de chegar ao lugar impossível, tendo em conta que, paradoxalmente, não consegue resolver-se enquanto entidade destruidora. Eu penso um pouco sobre essa dualidade: de ser capaz do impossível, mas não ser capaz de se redimir em absoluto.

OP - Outro tema do livro é o duplo. De nascença, o homem é esse ser mutilado como o que surge nos seus livros

  VHM - Sim, acredito que todos nós vivemos embotados por uma comunicação incompleta. A companhia nunca é absoluta, nunca é possível. É uma construção. Estamos condenados a uma certa solidão, à impossibilidade de comunicar. A solidão é a condição sine qua non. E isso passa pela linguagem. Não há linguagem que transponha exatamente a solidão. A literatura é a crença de que um dia vai acontecer uma comunicação absoluta.

OP – Misturar poesia e prosa é uma preocupação constante no seu trabalho?

VHM - Eu acredito muito que os romances são feitos de poesia. Aquilo que faz com que um relato possa ascender à condição de literatura é o que vai buscar na poesia. Se o romance não tiver essa dimensão, nem é literatura. É um relato. É uma narrativa. A literatura constrói-se ao modo como se conta. É feita no modo como o resultado é alcançado. Esse componente eminentemente plástico é que transforma a épica em arte. Épica pode ser filosofia e pensamento, mas não é arte. O que eu proponho nos meus livros é imediatamente a poesia. É o modo de dizer aquilo. Quero encontrar um modo de contar histórias

A desumanização, Editora Cosac Naify, 160 páginas - Preço: 34,90