domingo, 15 de agosto de 2010

Inocência

Inocência
Criança ingênua, o dia inteiro,
com os meus caniços de taquara,
ficava eu, ao sol de então,
junto dos tanques, no terreiro,
soprando a espuma, leve e clara,
fazendo bolhas de sabão

Corando a roupa, entre cantigas,
as lavadeiras, que passavam,
interrompiam a canção...
Riam-se as pobres raparigas,
vendo as imagens que brilhavam,
nas minhas bolhas de sabão.

Cresci. Sofri. Sonhando vivo.
E, homem e artista, ainda agora,
me apraz aquela distração...
E fico, às vezes, pensativo,
fazendo versos, como outrora
fazia bolhas de sabão.

E velho, um dia, de repente,
sem ter, de fato, sido nada,
pois tudo é apenas ilusão,
há de extinguir-se a alma inocente
que em mim fulgura, evaporada
como uma bolha de sabão.
* Martins Fontes
A natureza na sua exuberância
"Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo."
Guimarães Rosa
Muitas bolhinhas coloridas
Sílvia

3 comentários:

  1. Coisa linda a do milagre que não estamos vendo. Tudo belo aqui.
    Beijos

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  2. Sil...
    eu adoro bolhas de sabão...
    me sinto mais leve com elas...

    beijos
    Leca

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