quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Azul-turquesa



No abismo azul-turquesa do papel, depositei meu voo – e você veio!


Mãos emplumadas ruflando agora um verso que é seu,


de um poema ainda sem forma e sem cor...


Você veio com o desvelo incomum dos que resgatam os mortos e lhes sopram a vida...


Veio da ferida que não cicatrizou nunca.


Da côncava dor.


Dos gritos embolorados– você veio alado, como chegam as aves e os anjos.


Guardião dos sonhos, veio empunhando o cetro.


Sem caminhos retos, que o tempo ziguezagueia,


e ascendendo sinuosamente às montanhas dos meus devaneios.


Soube que viera pelo brilho de asas na escuridão,


pelo embrião da agonia que se instalara em mim,


pelas palavras como “vento”, “frêmito” e “silêncio” que me acudiam à mente.


Você veio, e eu profundamente mirei o vazio do papel


na ânsia de fecundá-lo....
(TC)

10 comentários:

  1. é isso mesmo, descreveste a ansia de versar!

    lindíssimo!

    beijos

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  2. Tânia, lindíssimo!!!!!!!!!!!!!!!!
    Intenso, verdadeiro, amoroso, apaixonado a apaixonante.

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  3. Parabéns!, Tânia. Teu poema é delicado, suave
    e de um azul belíssimo!

    Bjs

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  4. Tânia muito lindo! Passa a idéia de como se sente uma mulher que está grávida, e que seja bem vinda a criança a ânsia chamada PALAVRAS! Tânia Mãe Poeta maravilhosa!
    com amor e carinho,
    Sílvia

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  5. Que venha sempre mais à luz a sua poesia!

    Abraço.

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  6. [casulo, um terno casulo de palavras, astro da mão que tem ligação directa ao coração, metáfora do peito]

    um imenso abraço, Tânia

    Leonardo B.

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  7. Lindas palavras...
    azuis e voadoras...

    Beijos
    Leca

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