quinta-feira, 10 de junho de 2010

Luís Vaz de Camões - Obrigado!

Hoje é feriado em Portugal disse minha Filha. É um feriado em homenagem a CAMÕES.
Nada mais justo, colocar no Mínimo Ajuste um pouco de Camões com toda gratidão pelo aprendizado, conhecimento e sabedoria que temos o privilégio de poder obter. Só temos que agradecer! Obrigado CAMÕES!
Como suas Obras são muitas e diversificadas, optei pelas RIMAS....
A obra lírica de Camões, dispersa em manuscritos, foi reunida e publicada postumamente em 1595 com o título de Rimas.
O amor e a mulher
Da poesia trovadoresca herdou a tradição do amor cortês, que é ele mesmo uma derivação platônica que coloca a dama em um patamar ideal, jamais atingível, e exige do cavaleiro uma ética imaculada e uma total subserviência em relação à amada. Nesse contexto, o amor camoniano como expresso em suas obras é via de regra um amor idealizado, que não chega às vias de fato, e se expressa no plano da abstração e da arte. Contudo, é um amor preso no dualismo, é um amor que se por um lado ilumina a mente, gera a poesia e enobrece o espírito, se o aproxima do divino, do belo, do eterno, do puro e do maravilhoso, é também um amor que tortura e escraviza pela impossibilidade de ignorar o desejo de posse da amada e as urgências da carne. Queixou-se o poeta inúmeras vezes, amargamente, da tirania desses amores impossíveis, chorou as distâncias, as despedidas, a saudade, a falta de reciprocidade, e a impalpabilidade dos nobres frutos que produz. Tome-se como exemplo um soneto muito conhecido:
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo amor?
Todos os paradoxos criados pela idealização amorosa são enfatizados pela própria estrutura poética, cheia de antíteses, metáforas, silogismos, oposições e inversões, que na análise de Cavalcante:
"... configuram um jogo elegante e sonoro de linguagem enquanto o poema desenvolve os paradoxos para expressar o sentido tanto universal quanto contraditório do amor. Diante do sentimento, o homem torna-se frágil, a linguagem é insuficiente, a palavra, ilógica e sem razão. Ao expressar o "eu" universal, Camões joga com escrita/escritura, fazendo desta última o mais puro "estranhamento" e novidade, ainda que pudesse estar inspirado nos modelos clássicos".
Nem sempre, porém, o amor lhe foi um drama, e o poeta foi capaz de expressar o seu lado puramente jubiloso e tranquilo, tocando, como observou Joaquim Nabuco, o cerne de simplicidade do sentimento.Como exemplo, deu o seguinte soneto:
     Transforma-se o amador na cousa amada
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada

Que mais deseja o corpo alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois com ele tal alma está liada.
Mas esta linda e pura Semidea

Que como o acidente em seu sujeito,
Assim com a alma minha se conforma;
Está no pensamento como idéia;

E o vivo, o puro amor de que sou feito,
Como a matéria simples busca a forma.
De qualquer forma, apesar das frustrações e do sofrimento recorrente, para Camões o amor valia a pena de ser vivido: "As lágrimas inflamam o meu amor e sinto-me contente de mim porque vos amei", e em suas descrições da amada abundam imagens pictóricas de grande delicadeza, colocando a mulher como elemento central numa paisagem natural harmoniosa, especialmente em sua lírica derivada. A pintura com palavras traz à frente tanto as belezas naturais e feminis, como é capaz de delinear um perfil psicológico através da descrição dos gestos, das posturas e dos movimentos corpóreos da mulher, como transparece no trecho: "O rosto sobre sua mão / Os olhos no chão pregados / Que do chorar já cansados / Algum descanso lhe dão".
A dualidade amorosa expressa na lírica camoniana corresponde a duas concepções de mulher: a primeira é de uma criatura angelical, objeto de culto, um ser quase divino, intocável e distante. Sua descrição enfatiza as correspondências entre sua beleza física e sua perfeição moral e espiritual. Seus cabelos são ouro, sua boca é uma rosa, seus dentes, pérolas, e a sua simples proximidade e contemplação são dádivas celestes. Na lírica de Camões o fulcro polarizador do prazer e da dor é a mulher, e em torno da figura feminina gira todo o pathos amoroso, ela é o ponto de partida e o ponto de chegada de todo o discurso poético. Mesmo sem jamais ter casado, Camões foi um homem como os homens, um soldado veterano, e como tal com toda probabilidade experimentou o amor carnal.

Luís Vaz de Camões Poeta português (Lisboa ou Coimbra, c. (1524 - Lisboa, 1580), Um dos maiores Vultos da literatura da Renascença. Sua obra se coloca entre as mais importantes da literatura ocidental. Luís de Camões é considerado o poeta português mais completo de sua época, ou até mesmo de toda a literatura de língua portuguesa. É assim considerado não ter feito somente por uso de quase todos os gêneros Poéticos tradicionais, Mas pela amplitude dos temas de também tratou que pelo excepcional e domínio da língua. Camões manipulou de todos os recursos da língua Portuguesa, ampliando enormemente seu campo de expressão. Foi um célebre poeta de Portugal, considerado uma das maiores figuras da literatura em Língua Portuguesa e um dos grandes Poetas do Ocidente.


3 comentários:

  1. Pra quem não conhecia, uma aula. Pra quem já conhece, uma excelente lembraça.
    Gostei muito de reler essas rimas de Camões.
    Obrigada pelo deleite.
    Vá tomar um chocolate comigo. Me dará muito prazer.
    Beijo, Silc.

    ResponderExcluir
  2. Quais eram as actividades económicas da época de camões?

    ResponderExcluir