quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Um forasteiro reflete sobre o outono



 







 







Observo o outono sem saber o que a palavra outono significa
Precisamente. Coisas que caem. É um começo. E começo
A prestar atenção à maneira como o ritmo da minha respiração decai lentamente. Bem assim
À luz do fim de tarde, que também principia a ser lenta; bem mais lenta, aliás,
Do que as folhas, as célebres, as supostas folhas que, dizem, se despegam
Das árvores onde o outono se instalou
Avidamente. E então despencam. É o que dizem. Que o outono
Despenca as coisas. Que aquilo que brotou na primavera e amadureceu no verão no outono
Cai. Precisamente. Uma queda natural, afirmam, além de terna, não rude, e necessária. Pois
Como poderia o inverno vir recobrir com o seu manto branco os mortos
Da estação, se o outono, com a sua túnica breve, não os tivesse feito
Descobrir-se nus primeiro?


Valder C. Magalhães Jr - Fortaleza-CE





2 comentários:

  1. Boa reflexãao do forasteiro, e nesse Ceará só dá gente boa, heim? :-)
    Beijos, Ci.

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  2. Bonito poema, Valder.
    E viva o Ceará!

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