terça-feira, 1 de novembro de 2011

Os mortos de sobrecasaca




Havia a um canto da sala um álbum de fotografias intoleráveis,
alto de muitos metros e velho de infinitos minutos,
em que todos se debruçavam
na alegria de zombar dos mortos de sobrecasaca.

Um verme principiou a roer as sobrecasacas indiferentes
e roeu as páginas, as dedicatórias e mesmo a poeira dos retratos.
Só não roeu o imortal soluço de vida
que rebentava daquelas páginas.



Carlos Drummond de Andrade

3 comentários:

  1. Lembranças se esvaem...mas a dor fica.

    Abraço

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  2. Obrigada Drumond!
    Beijos Cirandeira, linda Flor!
    SÍL

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  3. Um escândalo de beleza, vida e verdade!!!
    beijosss

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