terça-feira, 22 de novembro de 2011

“A imagem de uma mulher tecendo em uma roca é a que mais define a minha poesia."


Entrevista com a poeta Eleonora (Betina) Marino Duarte




Desfiar, fiar-se, confiar, ter fé: no amor, na palavra, no que for. Seguir o fio mantendo o prumo e a fibra. Betina tem se esmerado em seguir-se, sem se perder de vista, colhendo imagens visuais que remetam às suas próprias [imagens estético-verbais], mantendo o sopro e a flama, reacendendo brasas, de tempos em tempos. Suspeito que o fio de sua roca seja vermelho. Ou laranja.

(Marcelo Novaes, poeta e escritor)


Corre Córrego Correio Corrente

(Eleonora Marino Duarte)

A luz da tarde anuncia em carta:
Ele virá ao teu estado de amor!


Do meu peito saltam acrobatas,
Tomam a rua, distribuem flores,


Uma lua particular se reserva
paisagem na janela dos olhos.


Entre dentes as frases obscenas
Já ensaiam o desfigurado balé.


Eu me pergunto se deveria tecer
Uma colcha, uma rede, um pano,


Aguardar tranqüila e sem esforço
Até que se deite aqui o homem.


Invariável meu desejo reage,
Salta sobre mim a fúria de ter-te!

RV - BB, minha irmã querida, você acredita que exista algo que seja pra sempre nesta vida? (Walkiria Rennó)

E - Wal... eu costumo dizer que para ‘’o sempre’’ só ‘’o nunca’’. O tempo nos faz acreditar que tudo passa. A mente nos faz acreditar que tudo fica. Passo e fico, como o universo. Mas acho belo que tentemos reter em nós algumas coisas preciosas, mesmo cientes de que passarão. Acho essencial que o artista, por exemplo, tente, deseje e acredite poder reter em si o sentimento, o instante, o momento e o queira transformar em eternidade através de sua obra. É inútil, mas é de uma beleza inenarrável!

RV - Fora o café e a pipoca, quais as cinco coisas que você não vive sem, nesta vida, quiçá em outras? (Walkiria Rennó)

E - Risos e mais risos para você, minha íntima! Por ordem de chegada, sem valer a pipoca e o café...  as cinco coisas são ler, escrever, acreditar, duvidar, amar.

RV - Neste mundo virtual, onde se encontra de tudo um pouco, sem dúvida estamos aqui a conversar com uma das escritoras de maior competência e consistência que conheci ultimamente. Alguém que respeita e conhece profundamente a força da palavra. Uma demonstração disso é a frase genial de António Ramos Rosa logo na abertura de seu blogue (versos e ideias) : “Sou alguém que espera ser aberto pelas palavras”. Imagino que suas influências literárias são muitas e muitas palavras abriram sua mente. Mas pergunto: o que espera de suas palavras em relação a quem as lê e a você própria, como autora?  (Celso Mendes)

E - Celso, obrigada por ler-me! Eu costumo dizer que poema bom é poema lido. Eu espero ser lida, sempre. Mesmo quando estou associando minha própria nudez ao verso, tudo o que desejo é chamar a atenção para a coisa que escrevi! Eu gostaria que minhas palavras lançadas agissem sobre quem as lê da mesma forma que as palavras que lançaram em minha direção, os livros, agiram sobre mim, transformando, abrindo possibilidades, sentidos, me tornando perceptiva, participativa. Não me considero escritora, me considero alguém que escreve. Se estivéssemos em um confessionário e eu fosse obrigada a lhe dizer a verdade mais secreta que carrego, eu diria que gostaria que minhas palavras pudessem me consolar de tudo o que sinto falta, de tudo o que míngua, se esvai, se perde de mim. No fundo, quero que minhas palavras sejam a minha companhia íntima!

RV - Eleonora. Não conhecia o teu trabalho mas ao olhar a sua escrita percebi uma voz feminina que sente um abandono, uma voz às vezes frágil no sentido da fraqueza da pessoa não dos versos. Gostaria de saber como é o teu processo de escrita, e há influências e por que escreve? (Sandrio Cândido)

E - Sandrio, que legal você me perguntar algo assim! Sou medieval, não tem jeito. Minha inspiração é a espera. O poeta Marcelo Novaes me disse em um encontro nosso que sou a poeta da espera. Eu concordo. Mas em nada é biográfica tal espera, eu como mulher não espero por nada, geralmente corro na frente e chego antes no que desejo! Mas vejo uma beleza infinita em uma mulher esperando alguém, ou algo. A imagem de uma mulher tecendo em uma roca é a que mais define a minha poesia.

Sou apaixonada pela fragilidade nas pessoas. Quando me deparo com a fragilidade de alguém eu fico fascinada. Ao contrário do que se espera, é na fraqueza alheia que colho o meu verso, algo assim me inspira muito! Meu processo de escrita é relativamente simples, uma frase começa a martelar e aí paro tudo para ‘’ouvir’’ o resto da ideia, esteja eu onde estiver! Imagens também são capazes de me trazer legendas que inspiram poemas. Se há um motivo para que eu escreva é o de querer me expressar, pura e simplesmente. Mas... há o caso de eu estar experimentando o Amor e então sou a que espera, a que tece na roca, a que é frágil...

RV - O que a blogosfera significa em tua trajetória? (Sandrio Cândido)

E - Tudo. Sem ela eu provavelmente ainda estaria escrevendo em meus cadernos de colagens e poemas apenas para mim e sem dividir nada com ninguém. Não conheceria a gama de poetas que conheço, nem teria a chance de ler a quem eu gosto de ler.


RV- Como foi que a literatura entrou na sua vida? Através de quem, de que meio, há quanto tempo? (Paulo Roberto Sabino)

E - Querido, eu fiquei tão feliz quando você aceitou participar!!! Tenho por você a mais profunda admiração e se te lesse há 7 anos provavelmente você seria para mim uma inspiração. Em minha casa na infância havia uma imensa estante de jacarandá, linda, clara, lotada de nomes da literatura mundial. Eu os li a todos, desde que aprendi a ler. Como era uma criança relativamente tímida e fechada em uma concha de sonhos, os livros foram os meus melhores amigos e meus grandes parceiros. A grande coisa que me aconteceu culturalmente foi eu ter a curiosidade de folhear o primeiro, aos oito anos. Era um J. Cronin, ‘’Os deuses riem’’, texto para teatro que havia sido montado no Brasil, tendo a Tônia Carreiro e o Paulo Autran como personagens principais. O fato de ser escrito em forma de texto teatral e de haver fotos da montagem me levaram a ler o livro. Nunca mais houve volta da viagem de ler. Atribuo ao escocês A. J. Cronin o meu batismo na literatura mundial. Antes dele só o Orígenes Lessa nos maravilhosos livros extraclasse, da escola, por coincidência também com um texto escrito em forma de teatro em ‘’É conversando que as coisas se entendem’’. Me lembro de todos os livros que li, mas não me lembro de todos os filmes a que assisti, e olha que os livros foram em maior número!

RV- Quais autores incitaram o seu amor pela literatura? (Paulo Roberto Sabino)

E – A.. J. Cronin, Victor Hugo, Drummond, acho que é a minha tríade sagrada, depois aparecem o Rosa, Érico Veríssimo, o Manuel Bandeira, e finalmente e definitivamente, Neruda, Quintana, Manoel de Barros e o rei Garcia Márquez. São os primeiros, os que me libertaram para o mundo.


RV - Que amor veio primeiro: o amor pela prosa ou pela poesia? (Paulo Roberto Sabino)

E- Pela prosa, certamente.

RV - Quais poetas, hoje, mais te influenciam? (Paulo Roberto Sabino)

E - Gosto, amo, venero o Antônio Cícero e o português António Ramos Rosa. Digo sem qualquer sensação de ser injusta com todos os outros poetas fantásticos que existem ou que ainda surgirão. É preciso escolher os que te significam algo de íntimo, para direcionar o amor. Porém, não posso dizer que recebo influencias nem de um, nem de outro, são ídolos, ícones, inatingíveis ao meu desejo de ser poeta. Posso no entanto dizer sem medo de errar que o poeta que mais tem me influenciado no momento é o português Francisco Coimbra e seus heterônimos e pedras de palavras em verso e prosa.

RV -) Um verso que sintetize Eleonora Marino Duarte: (Paulo Roberto Sabino)

E - Em verso meu digo: ‘’Atravesso a vida sem balsa/O rio é a pedra que desmanchou.’’

De outro poeta eu digo sempre ANTÓNIO RAMOS ROSA: ‘’Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra’’


RV- Quem é mais nociva ao status quo: a gêmea boa ou a gêmea má? (Tuca Zamagna)

E - Tuca, a gêmea boa, pois ela me submete ao amor incondicional sem me dar condições de defesa.

RV - Qual é a sua ligação com os felinos? (Cris de Souza)

E- Independência e elegância, afago delicado e olhos que enchargam na escuridão. Com os felinos me sinto bruxa de verdade.

RV - A poesia é mística por natureza? (Cris de Souza)

E - A natureza é mística por poesia. É mística, sem dúvida. Assim como todas as artes e todo o pensamento criativo. não há mistério maior do que a força que impulsiona alguém ao ato de criar.  Ao criar somos imagem e semelhança com a inteligência da Natureza que nos criou. A criação é mística, sempre.

RV - Sempre achei tarefa dificilima decifrar um poeta.  E o poeta , apesar de radicado no espirito da palavra, nunca forneceu as diretrizes para  se chegar a esse fim.  Penso que o poeta quer mesmo é ser focado sob vários ângulos,.o que lhe assegura um encantamento misterioso.   Eleonora , querida poeta, fale um pouco sobre a sua aliança com a poesia.,  sobre seus rituais , e sobre o seu processo de criação (Moisés Poeta)

E - Poetas são indefiníveis, eu concordo com você, querido Moisés. Meus processos são simples, tudo o que me cerca é revestido por um lirismo que carrego na impressão e no juízo que faço das coisas.Tudo é matéria para que eu escreva. minha aliança com a poesia se dá na vontade de transformar o que é ruim e de tornar sagrado o que é bom. Só tenho um ritual para escrever, abstrair do mundo e concentrar no que guardei de impressões, das coisas que vou vendo e vivendo. Sinto uma vontade compulsiva de escrever, quase como de escapar do mundo, é como ir para uma ilha deserta e descansar de ser gente ativa e ser obervador apenas.

RV - Eleonora, em um conto, você diz que há um vício solitário nas janelas. No facebook, nos blogs e outros meios de comunicação via Internet, praticamente janelas virtuais, você também percebe essa solidão? (Lelena Camargo)

E - ‘’Eleanor Rigby picks up the rice in the church
Where a wedding has been
Lives in a dream
Waits at the window
Wearing a face that she keeps in a jar by the door
Who is it for?

All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?’’

Eu percebo a solidão em todos os lugares e acho incrível que ainda queiramos lutar contra a solidão. Veja, somos indivíduos, seres nascidos únicos, quem pensa que nossa condição não é solitária está enganado e se enganando. Porém, somos seres sociais, sociáveis e é maravilhoso que consigamos nos relacionar com outros seres únicos de forma tão fabulosa, até chegar ao ponto em que parecemos um só com quem nos é íntimo, mas não podemos perder o foco de que estamos sozinhos em nós! Uma coisa assim não pode ser considerada ruim, é nossa condição natural.

A solidão está associada à tristeza o que me parece um equívoco que só tem causado sofrimento em quem pensa que é errado e incomum se sentir só intimamente. É assim mesmo, não é errado, não é anormal. O contrário é que é temeroso, não conseguir se manter íntegro quando se constata tal condição. Coloquei a fantástica canção dos Beatles por acreditar que ela é uma imagem perfeita. Estamos todos na janela em frente aos nossos túmulos, mas qual o problema afinal? Não sabemos que nascemos mortais? É preciso que vivamos aqui e agora, sozinhos em nossa identidade mas comungando com o nosso redor e com os nossos semelhantes!


RV - Você lê em voz alta o poema enquanto o escreve ou assim que o conclui? Que gosto tem a palavra recém-nascida? (Wilden Barreiro)

E - Eu leio quando concluo. Aadoro! Sou atriz e a palavra para mim é som, sempre. O gosto da palavra recém-nascida é de des-coberta.

RV -  É forte, explícita, a sensualidade em muitos de seus poemas. Existe poesia não-sensual? (Wilden Barreiro)

E-  Existe poesia não sensual que seduz por beleza literária. A poesia é sempre sedutora, seduz até pela não sensualidade....

RV- Eleonora, quem é Betina e quem é Eleonora? Conta pra gente. A mudança de nome influenciou no processo criativo? (Tânia Contreiras)

E - Sou uma mulher romântica, quase infantil, intensa, quase erótica, e que tem dificuldade em dividir a intimidade com os outros seres ao redor. Tímida, mas atenta ao mecanismo de ser sociável. Aí estou eu. Quanto aos nomes, em nada influenciou a mudança. sou poeta, como Eleonora ou como Betina.

Betina é um nome que adoro, Moraes idem. Quando criança queria demais me chamar algo com ‘’B’’. A escolha do nome Betina se deu para que eu me desse ao prazer de me chamar como eu quisesse, de forma libertária mesmo. Nunca foi heterônimo, ou um pseudônimo, sempre foi uma outra forma de eu me chamar. Betina e Eleonora são a mesma coisa, embora esteja adorando a possibilidade que o Wilden me deu,  em uma brincadeira,  de que Eleonora sumiu com Betina e seria a gemea má que veio para botar para quebrar verbalmente. Tudo indica que vou usar a ideia de Wilden para um trabalho que diga o inverso do que eu disse  como Betina. Tem muita literatura em uma gêmea má de alguém que fez tantos versos com bons sentimentos... fico bolando as pequenas vinganças da gêmea má de betina    me divirto só com a ideia.


RV – Esse é um tema que traz sempre controvérsias, mas ocorre-me perguntar: você acredita que exista uma “poesia feminina”, um sentir diferente que se reflita na poesia de uma mulher? (Tânia Contreiras)

E- Eu gosto de poesia. Não creio que exista uma poesia feminina ou masculina, existe a forma que quisermos dar ao verso, enquanto poetas. Eu já escrevi poemas de amor assinados por um pseudônimo masculino e nenhuma mulher ou homem consegiu descobrir que se tratava de uma mulher escrevendo. Aacho que é só uma questão de exercício, de se colocar no lugar do outro e deixar-se pensar como o outro. O poeta que citei, Francisco Coimbra, ele tem um heterônimo masculino que tem uma relação amorosa com um heterônimo feminino, um homem e uma mulher vindos do mesmo escritor, e ninguém é capaz de dizer, ao lê-lo, que se trata de um homem escrevendo os poemas que ela assina. um desdobramento dentro de um desdobramento. Incrível.

RV - Reza a mitologia que durante nove noites Zeus possuiu Mnemosine e daí germinaram as nove musas: Calíope da poesia épica, Clio da História, Euterpe da música das flautas, Erato da poesia lírica, Terpsícore da dança, Melpomene da tragédia, Talia da comédia, Polímnia dos hinos sagrados e Urânia da astronomia. Você é sensytiva, animal, social, combustão, espartilho, versos, idéias, espaguete, espontânea. Como esses múltiplos te inquietam para o exercício da palavra? (Assis Freitas)

E - Me inquietam pela estética, basicamente. Sou esteticamente muito exigente quanto ao que publicar, no sentido de ter um fio de meada e um conceito. Penso muitas coisas, mas gosto de organizá-las de forma a fazerem sentido para quem  vier a ler. Como prateleiras em uma estante. O ‘Versos e ideias’’ é a cópia de meus cadernos de adolescente, com colagens, versos de amor, versos de outros poetas, retratos de quem amo, citações de quem admiro. O Sensytiva é clean, limpo como a arte cirúrgica de Alyssa Monks e por aí vai. Cada coisa em seu lugar, até o sentir tem que ter um veículo organizado para ser exposto, se quiser ser compreendido. Na minha paranóica opinião... rs

RV - Recordam-me as palavra de Milan Kundera quando afirmava que “as perguntas verdadeiramente importantes são as que uma criança pode formular - e apenas essas.”… Por ser importante, deixa-me perguntar: Que tamanho tem o amor? Quanto mundo cabe lá dentro? Onde começa esse horizonte do mundo, onde se repousa? O que diz o rubro engenho que se traz dentro do teu peito? (Leonardo B.)

E - O amor começa em mim, sempre, então é grandioso, espetacular, por eu gostar de ter dentro de mim grandes coisas. Tenho a capacidade de amar e reconheço que não se trata de algo comum, meu querido irmão. Tu bem sabes, és parecido comigo, por isso somos irmãos.

Tudo cabe dentro do amor, o mundo todo, todos os mundos, até a outra pessoa. O amor começa em mim e vai se deitar no outro. O rubro engenho me diz, ame, ame, ame.... eternamente a produzir sua farinha dourada de amor. Apesar de eu ter amado pouquíssimas pessoas, o engenho está a produzir o alimento aqui dentro todos os dias.

RV - E por trazer Kundera para este momento: “os caminhos já desapareceram mesmo da alma humana”, de dentro de nós, ou confluem num ponto imaginário? Onde esse ponto, onde o poente e nascente desse caminho? (Leonardo B.)

E - Acho que os caminhos se encontram e eis aí a beleza de caminhar. O poente e o nascente serão sempre determinados pela direção que tomarmos, decidimos o que vamos deixar nascer e o que vemos deixar morrer em nossa vida de caminhantes. Então devemos ser espertos ao caminhar e buscar ir sempre em direção ao nascente, deixando a sombra ao poente.

RV - E por sermos tantas vezes “crianças, de novo”… Já colheste a brisa? Já guardaste as lágrimas de um anjo ou provaste cristais? Conheces o avesso da flor? Diz-nos, porque sabes: onde fica o nunca? (Leonardo B.)

E- Ah... você guardou consigo as perguntas que te fiz... não sei respondê-las meu querido irmão, se soubesse alguma das respostas para as perguntas que te fiz eu escreveria versos tão magníficos quanto os teus! O que sei é que nos seis anos que nos conhecemos  vejo você respondê-las diariamente, no teu engenho de versos.

RV - Eleonora, aproveito para satisfazer mais detalhadamente uma curiosidade. Um dos blogs seus que mais aprecio é o Sensytiva, aliás, de extremo bom gosto, assim como o Mnemósine do qual você participa. Eles têm em comum a relação entre imagem (pintura, fotografia) e poesia. Eu gostaria que você falasse dessa  interseção de poéticas que parece lhe interessar muito. A imagem seria como um gatilho que dispara o poema? Como são esses vínculos sutis que, no caso, se fossem meramente descritivos seriam redundantes (o que não ocorre com você)? Você se julga uma pessoa preponderantemente "visual"? Você inventa subnarrativas para as imagens? (Marcantonio)

E - sou visual/auditiva. Uma vez que vejo uma imagem ou escuto uma palavra nunca mais esqueço a impressão que senti a respeito daquilo. só que com imagem é uma impressão limitada. Olho uma imagem e ‘’sinto’’ algo sobre ela de forma a não haverem subnarrativas ou outras observações que eu acrescente sobre a imagem. eu sinto e é aquilo ali. se quiser buscar outra coisa, outra impressão, eu busco outra imagem.

eu me interesso muito pelo estímulo visual, pelo que uma imagem desperta em mim. uma imagem é um gatilho sim, para o poema, para a prosa... agora o contrário também acontece, eu também uso o contrário, escrever e ficar horas e horas em busca da imagem ideal para o que ‘’escre-vi’’.

Mas não sou genial como você, que é poeta estupendo e artista plástico talentosíssimo! Não sei criar minhas próprias imagens, só no campo mental....


Participaram desta entrevista: Wlakiria Rennó, Celso Mendes, Sandrio Cândido, Paulo Roberto Sabino, Tuca Zamagna, Cris de Souza, Moisés Poeta, Lelena Camargo, Wilden Barreiro, Tânia Contreiras, Assis Freitas, Leonardo B., Marcantonio Costa.

14 comentários:

  1. Agradecimentos à entrevistada, que brilhou, aos entrevistadores, sempre inspirados, ao Tuca, pela arte que, pra variar, ficou show, ao Marcelo Novaes, pela bela abertura.
    Beijos,

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  2. Eleonora/Lola,


    Nas tuas falas, eu te revejo e reconheço.



    Um beijo!

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  3. Repito:

    Isso não é um blefe:

    Entrevista de alto nipe, como era de se esperar.

    Eleonora: dama de copas, dona da roca, diva do clã!

    (Tuca, o rei de paus, sempre com uma carta “daquelas” na manga...)

    Claro que adorei toda essa jogatina!

    Beijo nos embaralhados*

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  4. Lendo e relendo fico a pensar que genial é Eleonora e essa nudez. Eu tinha minha pergunta na ponta da língua. Da próxima vez faço. Tuca também meus parabéns pela ilustra que mais uma vez é brilhante!

    Beijos em vocês

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  5. Adorei ler, terminou tão rápido, ficou um gosto de quero mais... Parabéns à entrevistada e aos perguntadores, inteligentes e sensíveis. Muito bom!

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  6. eleonora marino duarte23 de novembro de 2011 00:05

    quero agradecer muito mesmo aos meus queridos parceiros de jogo, Walkyria Rennó Suleiman, Celso Mendes, Sandrio Cândido, Paulo Roberto Sabino, Tuca Zamagna, Cris de Souza, Moisés Poeta, Lelena Camargo, Wilden Barreiro, Tânia Contreiras, Assis Freitas, Leonardo B., Marcantonio Costa, as perguntas me fizeram rever o quanto eu gosto de vocês e de fazer parte da mesa de nosso cassino.

    ao marcelo novaes eu tenho que agradecer o texto, o carinho familiar do ''lola'' e os nossos encontros reais.

    ao tuca e a tanita, um abraço coletivo de afeto e admiração.

    tuca, to quase te pedindo em casamento, não fosse a minha relação escusa com o wilden....


    a foto, com a arte genial do tuca é da estupenda CATHARINA SULEIMAN que tem seu trabalho exposto no site de sua autoria http://www.catharinasuleiman.com/

    e no facebook

    https://www.facebook.com/pages/Catharina-Suleiman-Contemporary-Photography/132120540208100

    um beijo em cada um, com meus sinceros agradecimentos.

    *de forma solene eu peço, LEONARDO B. não nos deixe, meu irmão*

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  7. Guria, como escreveu o Quintana, o problema da solidão é mesmo como consegui-la rsrs
    Adorei a sua resposta. Solidão a dois é horrível, mas a um pode ser uma delícia :)
    beijosss

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  8. acho que essa imagem e' minha...rsrs, mas gostei da montagem. e amo a eleonora. parabens para os dois!
    beijos
    catharina suleiman

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  9. eleonora marino duarte23 de novembro de 2011 22:02

    bípede,

    e eu adorei a pergunta!

    beijo, lelena!

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  10. eleonora marino duarte23 de novembro de 2011 22:03

    catharina,

    a imagem é sua, sim! o belo trabalho que tens e a arte sensível que exerce.

    eu também amo você!

    um beijo, querida!

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  11. Passo pelas palavras, a elas volto, para ler… bem, melhor, como sei. Comentar uma leitura devia ser mostrá-la, obriga a “ter” ser essa leitura. Com tanta leitura, só consigo deixar: imenso abraço, envio a_braços!!

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  12. francisco,

    preciso te agradecer, por vir, por escrever e por permanecer criando uma poesia que me estimula e me faz desejar criar e criar e criar...

    obrigada!

    um beijo!!

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  13. respeitável público,

    as perguntas da magnífica Dade Amorim!


    1 Você começou a escrever ainda criança, adolescente, quando? Seus textos são muito competentes, não dão a impressão de alguém que está começando.

    comecei a ler muito cedo e literatura para adultos, então a paixão pela palavra já nasceu junto com o dicionário e a pesquisa. assim ela me segue desde que aprendi a ler.
    curiosamente foi a ausência por morte o fator responsável por eu passar de leitora para o outro lado, alguém que escreve. aos sete anos minha professora pediu para que cada um escrevesse um verso para colocar no cartão de comemoração do dia dos pais. bem, meu pai era morto desde que me lembrava e eu não tinha a menor ideia do que escrever! minha mãe dizia para todos que era "pai" e "mãe" de seus filhos... pensei, pensei e resolvi "fingir" que meu pai era como a minha mãe. ("o poeta é um fingidor") nascia ali o primeiro poema. fui salva da dor pelo verso! alguns anos depois minha mãe também morreu e eu, mais uma vez, fui colocada pela escola em um dilema literário, era a vez de escrever uma redação sobre algum acontecimento inesquecível. não deu outra, escrevi um verso sobre a morte da esperança. minha professora, dona zulmira, gostou tanto que selecionou o verso para o livro de poesia da escola. eu, aos treze, tinha mais uma vez transformado a dor em poesia. dali em diante nunca mais parei de escrever.

    2 Os posts de Animal Social são maravilhosos. O que me chamou mais a atenção foi a competência com que você abre caminhos diferentes e percorre todos eles de modo tão perfeito. O mesmo acontece com os demais (os poemas de Sensytiva são deliciosos). Por que parou de postar nos blogs? Eu gostaria de acompanhar mais de perto seu trabalho, agora que o conheço melhor.

    os blogs me tomam tempo e eu sou perfeccionista ao extremo, preciso de dedicação e tranquilidade para postar coisas que me representem como alguém que escreve. minha vida tomou um rumo inesperado e meu tempo não existe mais, trabalho em uma jornada digna do fordismo e me sinto exausta quando retorno à casa. minha frustração só não é maior por eu publicar bobagens no facebook, os versos que chamo de ''poemas de face'' e os ''contos do imaginário'', o único blog para o qual tenho me dedicado cem por cento é o Mnemosine, por ter uma sócia... por lá publico poemas escritos especialmente para ''musas'' fotografadas por artista da imagem. eu mesma fui fotografada em abril e foi muito curioso escrever sobre a moça da fotografia sendo eu a mirar a imagem de mim. o link é http://mnemosine-musas.blogspot.com/

    3 Se você publicar um romance, um livro de contos ou de poemas, me avisa?

    se eu publicar um livro, dedico à você!

    *quero te agradecer, mais uma vez por fazer parte das pessoas que incentivam o meu trabalho.
    muito obrigada, querida dade!!

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