sábado, 31 de março de 2012

Tênues rabiscos







Eram vestes antigas
trapos rotos, imprestáveis
inodoras.
Palavras repetidas passadas
de boca em boca
por mãos mais hábeis
mais criativas.
Hoje tornaram-se linhas
tênues rabiscos imperceptíveis
a olho nu.




Do escuro é que ela gosta
do silêncio do fundo
do poço sem corda.
Um fio entrelaçado
um corte na garganta
no cordão umbilical...
Um grito rouco, o choro...



No polegar a veia que salta:
nas mãos encruzilhada névoa
palavras desarticuladas, desconexas
falam por todos os poros.
Balbucio de vozes a entoar
um discurso estranhamente familiar.

13 comentários:

  1. Lindo, CI!

    Parece com meu gosto. Belo poema, querida amiga e parceira.

    Beijos

    Mirze

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    1. Obrigada, amiga, é muito amável de tua parte!

      beijoss

      P.S.: verifiquei que postaste 2 comentários, acho que o blogger está cada dia mais "louco"! Fiquei na dúvida, e por isso ainda não deletei o outro. Vou aguardar tua resposta :)

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  2. LINDO, CI!

    "Do escuro é que ela gosta
    do silêncio do fundo
    do poço sem corda.
    Um fio entrelaçado
    um corte na garganta
    no cordão umbilical...
    Um grito rouco, o choro... "

    Parece comigo.

    Beijos

    Mirze

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  3. Cirandeira,


    Bonito novelo este.


    :)


    Um beijo!

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  4. Pode até ser, Marcelo, mas quero desnovelá-lo! se é que isso é possível, não é?

    :)

    um beijo

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    1. Huuummm... Escrevendo pega-se a(s) ponta(s) do(s) fio(s). Mas o silêncio mesmo é só a pausa depois da música. Só aí não há novelo.



      Beijo, guria.

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  5. Boa tarde.

    Gostei do desenho e do poema.

    Beijos.

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  6. Amapola. seja bem-vinda!
    Obrigada pelo contário, r volte sempre!

    beijos

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  7. Um dizer transbordante em linhas de desconcerto.

    Um beijo

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  8. É Lídia, pode ser também um transbordamento de linhas desconsertantes querendo ser alinhavadas :)
    Obrigada pelo comentário.

    um beijo

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  9. Ci, isso TAMBÈM parece comigo:

    Do escuro é que ela gosta
    do silêncio do fundo
    do poço sem corda.
    Um fio entrelaçado
    um corte na garganta
    no cordão umbilical...
    Um grito rouco, o choro...

    E a mim o poema fala de um "poetizar" que rompe comportas, que se dilui e se diz e se mostra de tantas outras formas. Gostei também da imagem, que também diz do poema. E eu vou aqui me encantando com a sua poesia, que, sempre, me fala tão profundamente à alma.

    Beijos, Ci, e obrigada!

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    1. Obrigada pelo comentário, Tânia, devagarzinho a gente vai tentando desenmaranhar o fio do novelo cheio de nós :)

      beijosss

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  10. Ci,
    Sua escrita é tão madura e cristalina que parece que você passou a vida escrevendo. De certa forma, passou, não passou? Que quando se lê, também se escreve. Seus rabiscos não são tênues. São densos, sólidos e poderosos.
    Parabéns :)
    beijosss
    Le

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