sábado, 24 de abril de 2010

RIOS

Correm-me rios nas veias
Muitos lhes conheci já na foz
Rios gordos desabando no grande mar
Outros encontrei nos caminhos
Rios de sim e não
Rios suficientes
Vadiando águas em festa
Nunca conheci pequeninos
Não perguntei
Vi rios amigando com outros rios
Rebolando nas pedras
Engravidando margens
Conheci rios de ser feliz
Deixei-me levar
Rios com cais
Atracando barcos e vidas
Rios doces, cheirosos
Tresandando a rosmaninho
Rios de memórias
Correndo ao contrário
Rios de permanecer
Acabei por ficar

GED

LIÇÕES DE UM DEUS


Os imperativos do ser humano:
-preservar a si mesmo,
-buscar o que deseja,
-lutar contra o meio.



Imagem da net, não encontrei os créditos.

AVEC LE TEMPS. traducão

Com o tempo
Com o tempo,vai,tudo vai embora
Nós esquecemos a face e a voz
O coração,quando bate mais depressa,não é mais pela
dor da partida
E descobrimos mais adiante que se você não se importar
e deixar como está,tudo irá bem

com o tempo
Com o tempo,vai,tudo vai embora

Aqueles que nós amamos,que nós procuramos debaixo da
chuva
Aqueles que nós reconheciamos só com um olhar
Entre palavras,entre linhas,e debaixo da maquiagem
Como um juramento escondido que foi adormecido
Com o tempo,tudo desaparece

Com o tempo
Com o tempo,vai,tudo vai embora
Até as mais maravilhosas memorias,até aquelas
No corredor eu imaginei nos raios da morte
Sabado a noite,quando a bondade está completamente
sozinha,por conta propria

Com o tempo
Com o tempo,vai,tudo vai embora
Aquele por quem nós choramos,serviu só para nos dar
dores de cabeça,e para mais nada.
E aquele que nós demos fôlego e jóias
E vendemos nossa alma,por somente alguns centavos
Por aqueles que nós sofremos,como cães
Com o tempo,vai,tudo vai embora

Com o tempo
Com o tempo tudo vai embora
Nós esquecemos das paixões e nos esquecemos das vozes
Que te falavam as palavras das pessoas pobres
Então não chegue muito tarde,para não ficar resfriado

Com o tempo
Com o tempo,vai,tudo vai embora
E nós nos sentimos cansados como um cavalo perdido
E nós nos sentimos presos em um lugar perigoso
E nós nos sentimos completamente sozinhos,e isso já
não é tão doloroso
E nós sentimos que nós nos perdemos nos anos que se
passaram,então realmente
Com o tempo nós deixamos de amar.

By Wêmily

Prisão Domiciliar


Roman Polanski é fotografado em sua prisão domiciliar em Gstaad na Suiça. O nosso amigo Terráqueo, que está em Lausanne,  bem que poderia levar uns chocolates para o tadinho. Ele é acusado de ter feito sexo com uma menor -- ele disse que a menor aparentava maior -- em 1977.

léo ferré - avec le temps

Book

Por razões diversas


       A casinha está de cabeça para baixo, tanto a feita de paredes quanto a que acompanha a minha  bipedice mental. Os rapazes estão dormindo, inclusive o cachorro. Eu posso teclar uma mensagem ou ir lavar a louça e não me perguntem sobre a máquina de lavar porque ela é tamanho qualquer coisa menos família, mal cabe uns pratinhos. De qualquer forma, a bagunça valeu o jantar e a sobremesa: fondue de chocolate suiço deixado pelo meu estimado bípede irmão em março, hoje, devorada com moranguinhos, abacaxis e bananas, porque tem de ter bananas, senão a coisa deixa de ser tropical e bonita por natureza. E eu gosto de coisas tropicais e bonitas por natureza, o que não quer dizer que não sejam igualmente apreciadas as não tropicais e bonitas por razões diversas, porque admiro o gosto dos outros, o gosto que não se parece com o meu e me faz acordar para o inigualável sabor das diferenças.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Obrigado por me acolherem

Eu fico feliz em transitar pelos blogs e encontrar em Mínimo Ajuste uma qualidade rara nesta área. Foram Bípede Falante e Depósito do Maia que me incitaram a participar do Mínimo Ajuste, no qual hoje faço minha estréia com o quadro de uma cidade, de minha autoria, e uma exclamação: Encontrei a Luz! Explico: Com quarenta e poucos anos de pintura, ainda não temos a compreensão exata do que seja a luz ( a física e a mental, quero dizer ), e a exclamação ali posta, é apenas a provocação daquilo que, na verdade, nunca se encontrará. Mas devemos sempre tentar. Vou contribuir com meus quadros, mas também com meus textos que, pela dimensão internacional que alcançou Mínimo Ajuste, poderão ser não de todo compreensíveis. Agradeço a todos voces pela acolhida. Abraços e beijos.

Amigos, encontrei a luz !

 
Posted by Picasa

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A força natural da criação

fotografia de Paulo Veiga do site olhares


Tem dias que parece que não vale a pena, as ideias fervilham na cabeça, enrolam-se debaixo da língua, fazem quase uma bola de fogo que vai queimando, queimando, mas não conseguem encontrar porta de saída através dos dedos. Ficam ali fervilhando, e por muito ambiente que se crie, voltas que se dêem, as palavras ficam assim, presas cá dentro como um caldo borbulhoso, um géiser que a qualquer minuto pode soltar seu vapor e só nessa altura se dá explosão criativa, até lá o melhor é fazer trabalho de bastidor, seremos todos assim??
Foto: Haroldo Abrantes

Às vezes, quando eram pequenos, a mãe os levava para ver a noite na estação seca. Dizia-lhes para olharem bem o céu, azul como se fosse pleno dia, aquela claridade da terra até o limite da vista. Para ouvirem também os ruídos da noite, os chamados das pessoas, seus risos, seus cantos, os lamentos dos cães também, mal-assombrados pela morte, todos aqueles apelos que representavam ao mesmo tempo o inferno da solidão e a beleza dos cantos que representavam esta solidão: era preciso também escutá-los. Que o que se costumava esconder das crianças, ao contrário, era preciso dizer-lhes, o trabalho, as guerras, as separações, a injustiça, a solidão, a morte. Sim, esse lado da vida, ao mesmo tempo infernal e irremediável, era preciso também mostrá-lo às crianças, era como olhar o céu, a beleza das noites do mundo. As crianças frequentemente pediam à mãe que explicasse o que entendia por aquilo. A mãe sempre respon-dera que não sabia, que ninguém sabia. E que também isso era preciso saber. Saber, antes de tudo, isto: que não sabemos nada. Que mesmo as mães que diziam aos seus filhos que sabiam tudo, não sabiam.

Marguerite Duras - O Amante da China do Norte

Ajuste musical ou Canção para os Mínimos que são o Máximo

CIO DA TERRA (para a Gerana Damulakis que tanto gostou do cio da terra) )

Toda a noite
Escorreu chuva pelas paredes do céu
Ainda há lágrimas na vidraça
Lá fora
Levanta-se um vapor denso
Cio da terra
Rios tropeçando nas margens
Navegando lamas e canaviais
Pressa de chegar
Anúncio de tempo novo
Preparos de lavrar e semear
Abundâncias adiadas
Agora é hora
De filhos novos e borboletas
De pastores comboiando gados
Circuncisões e puberdades
Agora, mesmo agora
Mulheres jovens da casa do meio
Silêncios cúmplices na noite
Fogueiras de aquecer e conversar
Agora
Tempo de kissangua e hidromel
Batuques marcando ritmos de vida
Entrelaçam-se olhares límpidos
Segredam-se juras e alembamentos
Sacrifício do mais sagrado animal
Hora de deuses e kiandas
Agora
É tempo de respirar.

GED

MÃES

Essa época que antecede o Dia das Mães é estranha. Algumas propagandas são elaboradas não sei com qual finalidade, se para exaltar, para consolar, para elevar a auto-estima... A mãe aparece sempre como aquela que deixa tudo de lado, inclusive a própria vida, para dedicar-se aos filhos... Como uma pessoa que deixa de ser ela mesma pode ensinar a outra o que é ser feliz? O amor de mãe parece que vem com receita, e a pobre coitada, que também é filha, e também é criança, acaba por acreditar que deve ser assim, e muitas vezes exerce um amor cego e possessivo sobre os filhos. E isso é amor? Ou amor é ajudar a crescer, deixar livre para que escolhas sejam feitas? Ser mãe não é ser bengala, é caminhar ao lado. É estar ali para confortar um possível tombo, mas não para evitá-lo. Sou mãe, e filha. E fui criada com o amor que liberta, o amor que incentiva, que diz: "vai, meu filho, o mundo é teu; mas se quiseres voltar, sempre terás um lar." E é esse amor que sinto por minha filha. Sem amarras. E se preciso for, a deixarei que seja feliz, longe dos meus olhos. Eu chorarei de saudade, pela falta dela, mas só de imaginar um sorriso seu, me confortarei.

Renata Bezerra

Sobre el algodon de azucar...