quarta-feira, 14 de março de 2012
Borboletas acesas
Não olhe nem chore, criança. As bombas que estão caindo não são bombas: são borboletas de vinho. Não chore, criança, pois essas aparentes bombas são borboletas de vinho tinto, que escaparam de suas garrafas. Veja! Observe! Elas já chegam zunindo. Tudo passa. E é breve. E ainda continuaremos vivos no final das contas. Estes, que agora caem, ainda estão dormindo. Pelas picadas dos voos das asas apressadas dessas borboletas violetas que fugiram das garrafas. Mas logo acordam. Depois de tudo. Chegando em casa, pintaremos o portão de branco. Limparemos a sujeira que deixam atrás de si essas borboletas bêbadas. Não choraremos. Digo a você que ficaremos ali, protegidos, atrás do bombardeio. Não são inimigos, como nos filmes. São só uns homens um pouco perdidos. Já te disse que na Terra todos se amam, como você ouviu na Igreja? E aquele incêndio, ali, naquela casa, são borboletas de fogo, que fugiram do casulo. E caíram, sem asas.
(Marcelo Novaes)
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Uau. Nem sei. Que comovente!
ResponderExcluirbeijoss
Obrigado pela leitura, Lelena.
ResponderExcluir:)
Um beijo.
Era pra avisar a Déa da postagem e esqueci, no corre-corre...Avisei agora. Um texto estonteante esse. Aliás, à poesia do Marcelo é a poesia do Marcelo. Eu tenho lido com frequência e, olha, viciei! rs
ResponderExcluir14 de março de 2012 20:50
Tânia,
ExcluirSe vc me conserva na lembrança, eu tenho guarida.
Um beijo!
esse texto me causa sensações que nem sei... um misto do que é belo e forte, com algo que me apavora... parece que sinto as asas dessas borboletas todas sobre mim e não consigo respirar...
ResponderExcluirMarcelo, o texto é lindo e mexe com alguma coisa em mim que ainda me dá medo, Obrigada por ele :)
Taninha, obrigada por me trazer isso, seja o que for está vindo à tona... socorro!!! rs
beijos, amados!
Andrea,
ExcluirEssas não são azuis.
Acalma-te, pois.
:)
Um beijo, amiga.
Marcelo, querido, eu acho as azuis as mais lindas de todas, elas me encantam... e me apavoram na mesma proporção...rs
ResponderExcluir(as não azuis me apavoram ainda mais :)
beijo, amigo querido.
De todas as maneiras as borboletas perderam suas asas e o vinho,
ResponderExcluiresse combustível inebriante, desencadeia incêndios imprevisíveis
tanto quanto o desfecho desse teu conto! Um desfecho jamais ouvido
em qualquer igreja!!!
um beijo, Marcelo
Cirandeira,
ResponderExcluirA retórica dos sermões é outra.
Um beijo, amiga.
Sei que é, Marcelo, tenho certeza disso.
ExcluirMas quis diferencia-la da tua!
beijo
Of córça.
ResponderExcluirEu seio que thu sabes.
Essa retórica está mais para A Vida É Bela, de Roberto Benigni.
Caspice?!
;)
Dois beijos, Cirandeira.
"Caspitei", sim :)
Excluire três pra ti -:)
Borboletas de vinho tinto...
ResponderExcluirBorboletas de fogo...
Picadas dos voos das asas apressadas,
Que fugiram de suas garrafas...Que fugiram do casulo...
Mas logo acordam.Depois de tudo.
Não olhe e nem chore,criança...
Tudo passa.E é breve.
Na Terra todos se amam?
Não.
Não chore,criança...Tudo passa,e é breve!
Ah,Marcelo,esta pintura branca no portão,trouxe o aconchego de "casa"! Um beijo!
Mary,
ResponderExcluirBom o aconchego de casa, quando a casa-de-fora está em chamas.
Tantas vezes "a de dentro" também...
Um beijo, amiga.
Ler o próprio texto em outro blog nos dá uma outra perspectiva. Chamo a este texto, agora, de "Acesas", só o adjetivo. Poderia chamá-lo "Portão Branco". Mas acho que a pessoa deve descobrir muito do texto lendo-o, muito para longe [ou ao largo] de qualquer suposição dada pelo título. Essa disposição minha é nova. vem de uma releitura de meus títulos.
ResponderExcluir:)