quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Manuel Bandeira


 
 
Meu caro Manuel, tenho água para dar às galinhas, mas disseram-me que as galinhas bebem pouco.
Tenho também alguns grãos para dar aos porcos, mas disseram-me que os porcos muito comem, e eu trago um cesto pequeno, um cesto onde os  meus filhos guardavam brinquedos.
Meu caro Manuel, trago o calendário do sol e de mais sete planetas, mas dizem-me que há sempre outros que surgem, e que modificam as contas.
Acordo com o galo, lavo-me com a água, amo com a mulher, adormeço na cama, morrerei com um livro.
 
 
GONÇALO M. TAVARES, em Biblioteca - Casa da Palavra Produção Editorial - (Angola, 1970-)

8 comentários:

  1. Lindérrimo poema, e cá pra nós, esse galo é uma parada! Meu beijo.

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    1. Podes crer, Jota Effe!!!
      Obrigada pela visita.

      beijo

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  2. Galinhas bebem pouco, porcos muito comem e Gonçalo fala com Bandeira a linguagem dos poetas... Beijo

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  3. morrer com um livro é morrer com um amigo

    beijos, Ci :)

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  4. Olá, parabéns pelo blog!
    Se você puder visite este blog:
    http://morgannascimento.blogspot.com.br/
    Obrigado pela atenção

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    1. Obrigada Morgan, o blog é coletivo, seja bem-vindo!
      Assim que puder farei uma visita ao seu blog :)

      um abraço

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