segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A Pele



Dói a pele como sempre
doeu. Por estar esticada,
por estar ressequida, por
estar marcada ou lisa, por
muita ou pouca vida.


O fato é que a pele sempre
foi ferida a estampar-se para
quem quisesse vê-la. O fato é
que a pele sempre foi aberta,
por mais que fora, também,
membrana seletiva, a impor
sua resistência a qualquer
aproximação ativa de
qualquer outro. Ou
mesmo, à ambiência.


O fato é que a membrana
delibera ações, atrai e exclui.
Como um ímã. Como uma sirene.
Como uma cloaca. O fato é que há
a tal química também, mas não tão
simples: atração, resistência, seletividade
da pele áspera, frente a um estranho ou à
cara metade. A pele é rude. Como um
poema que se interrompe.

(Marcelo Novaes)

10 comentários:

  1. Taninha, poema maravilhoso!

    "a pele é rude, como um poema que se interrompe"

    grande Marcelo, que sabe dizer tão bem dessas superfícies e profundezas...

    beijos

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    1. E não é, Déa? Leio Marcelo muitas vezes em vertigem. Vou à beira do precipício e a respiração se altera completamente. Esse poema em especial veio ao meu encontro. Gosto disso...rs Beijos

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  2. Tânia,


    Vc já se acostumou com o tom dos poemas. Tenho certeza que se equilibra bem.



    Beijos, amiga!

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  3. Não conhecia os poemas do Marcelo, mas já me tornei leitor, obrigado pela apresentação, Tânia, um beijo.

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  4. lindooo..... poema forte a tenue relaçao entre eu e o outro... lindo

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    1. Raquel,


      Muito obrigado por sua leitura. :)



      Beijo.

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  5. É triste, é rude sentir o poema acabar.

    Beijo, Marcelo

    Mirze

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