domingo, 12 de junho de 2011

Poesia Angolana



As muralhas da Noite


A mão ía para as costas da madrugada

As mulheres estendiam as janelas da alegria

onde não se apagavem as alegrias

Entre os dentes do mar acendiam-se braços

Os dias namoravam sob a barca do espelho

Havia uma chuva de barcos enquanto o dia tossia

E da chuva de barcos chegavam colchões,

camas, cadeiras, manadas de estradas perdidas

onde cantavam soldados de capacetes

para pintar no coração da meia-noite

Eram os barcos que guardavam as muralhas

da noite que a mão ouvia nas costas

da madrugada entre os dentes do mar...

João Maimona, poeta nascido na província de Quibocolo, município de Uíge, Angola. É autor de Trajectória obliterada, Traço de união, As abelhas, entre outros.

3 comentários:

  1. Nossa, Ci, que bonito :) O cabeçalho também. Adorei! beijosss
    BF

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  2. Gosto tanto, posso roubar para o meu blogue?
    Leonor Lino

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