domingo, 7 de outubro de 2012

Ceciliando

Cecília Meireles

O meu amor não tem
importância nenhuma.
Não tem o peso nem
de uma rosa de espuma!
Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?
O meu amor não tem
importância nenhuma.

sábado, 6 de outubro de 2012

Frases

" Quem troca pães, fica com um único pão.
   Quem troca ideias, fica com as duas." (Machado de Assis)

" Amar é mudar a alma de casa." (Mário Quintana)

" Quando não estás aqui... sinto falta de mim mesmo." (Renato Russo)

"Quem inventou a distância não conhecia a saudade." (frase de caminhão)

" O homem de duas caras, geralmente, usa, a pior." ( Stanislaw Ponte Preta)

" Quem não gosta de estar consigo mesmo, em geral, está certo." (Coco Chanel)

" Crie filhos em vez de herdeiros." (Campanha do Citibank)

" Alguns casamentos acabam bem, outros duram a toda a vida." (Woody Allen)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Sem o espanto, eu não faço





A idade é uma aliada ou uma inimiga do poeta?

Ferreira Gullar: Com o avanço da idade, diminuem a vontade e a inspiração. A gente passa a se espantar menos. Tem poeta que não se espanta mais, mas insiste em continuar escrevendo, não quer se dar por vencido. Então ele começa a escrever bobagens ou coisas sem a mesma qualidade das que produzia antes. Saber fazer ele sabe, mas é só técnica, falta alguma coisa. Não se faz poesia a frio. Isso não vai acontecer comigo. Sem o espanto, eu não faço.

Escrever só para fazer de conta, não faço. Eu vou morrer. O poeta que tem dentro de mim também. Tudo acaba um dia. Quando o poeta dentro de mim morrer, não escrevo mais. Não vou forçar a barra. Isso não vai acontecer. Toda vez que publico um livro, a sensação que tenho é de que aquele é o definitivo. Escrever um poema para mim é uma grande felicidade. Se não acontecer, não aconteceu.

 http://antoniocicero.blogspot.com.br/2012/10/ferreira-gullar-entevista-revista-veja.html

" E eu, tendo mais alma, tenho menos liberdade ?"

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

De dentro da saliva




De dentro da saliva
fez um mar entre ilhas
uma inteira
outra pequena
e cheia de silêncios à vista.

sábado, 29 de setembro de 2012

12 vistas paulistanas

Estas fotos são todas de minha autoria e foram publicadas no meu Instagram (@ocirema) e são o resultado do meu dia a dia. Espero que gostem.

 Av. Pompéia
 Vila dos Ingleses na Rua Mauá

Moema
 Morumbi
 SP Market
 Largo São Bento
 Anhangabaú
 Jardim da Luz e Pinacoteca
 Rua Don Francisco de Souza
 Vista do Anhangabaú a partir da Rua Don Francisco de Souza
 Estação da Luz (alguma dúvida?)
Rua Florêncio de Abreu

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Uma pessoa a quem amamos




No dia 28 de setembro de 2005, Tito deu dezesseis passos.
Hoje, dia 28 de setembro de 2012, finalmente, encontrei o livro do Diogo Mainardi: A Queda.
A Queda é  uma escalada.
É a força e a garra de um menino, o pequeno búlgaro - um grande Tito - traduzida pelas palavras desse pai uterino como uma mãe.
Eu sempre li as palavras desse pai.
E sempre ri de sua caçada demoníaca ao Lula.
Ri pela argúcia  exibida em suas sobrancelhas e palavras arqueadas.
Hoje, chorei.
Desaguei como o próprio autor revela no livro: aos pedaços, em nacos de tempo.
Ele, quando Tito ressuscitou, chorou, primeiro, por meia hora.
Eu, logo nas primeiras páginas, chorei por uns  quinze segundos.
Ele, depois ter chorado por meia hora, chorou por mais uma.
Eu, depois dos meus míseros  segundos, devo ter chorado uns quinze minutos.
E daí, de cinco em cinco, funguei até terminar a leitura.
Sim, li  A Queda da primeira à última página sem parar como se o livro fosse meu.
Meu em um sentido mais profundo e mais íntimo.
Talvez, porque eu não tenha um pequeno búlgaro mas tenha um pequeno bípede com a mesma idade.
E com a mesma humanidade.
Com os mesmos cabelos pretos, os mesmos olhos pretos e também com muitos mesmos,  e aqui começo a me tornar sentimental.
Vergonhosamente sentimental.
Vergonhosamente sentimental como o  Mainardi se refere ao final do texto que publicou na revista Veja duas semanas após saber que Tito tinha uma paralisia cerebral.
Na época, escrevi a ele alguma coisa.
Vergonhosamente sentimental, eu suponho.
Mas escrevi.
E escrevi porque ser sentimental provavelmente é a minha única vergonha de que me orgulho.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Fábula



Minha pátria é minha infância.
Por isso vivo no exílio.

Talvez o barco contasse
deste percurso no tempo.
De como seria o escafandro
isento de tal mergulho.

Minha pátria é sob a pele:
Cargueiro no mar de névoa.
Antigamente os conflitos
não aspiravam ser.

De como fiquei trancado
na torre em que era dono.
E a certeza como faca
engolindo a própria lâmina.

De como se libertaram
os mitos presos na forca,
e o exato espanto vindo da terra,
dos gestos do imperador.

Cacaso, Rio, 1965.

A maior pena que eu tenho

A maior pena que eu tenho
punhal de prata
não é de me ver morrendo,
mas de saber quem me mata.

Cecília Meireles

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Um poema de Paul Celan





 


FALA TAMBÉM TU
fala por último,
diz teu falar.
 
 
Fala -
Mas não separa o não do sim.
Dá ao  teu falar também o sentido:
dá-lhe a sombra.
 
 
Dá-lhe sombra o bastante,
dá-lhe tanta
quanto sabes dividir em ti entre
meia-noite e meio-dia e meia-noite.
 
 
Olha em volta
vê a vida ao redor -
Na morte! Viva!
Fala a verdade quem sombras fala.
 
 
Mas então se esvai o lugar em que estás:
Para onde agora, desnudado de sombra, para onde?
Sobe. Vá tateando.
Torna-te mais magro, mais irreconhecível, mais fino!
Mais fino: um fio,
 
por onde ela quer descer, a estrela:
para embaixo nadar, embaixo,
onde se vê cintilar: no ondear
de palavras errantes.
 
 
 
Filho de judeus, Paul Celan nasceu em Czernowitz (Romênia), em 1920, suicidando-se em 1970
por afogamento no rio Sena em Paris.. Viveu num campo de concentração nazista e seus pais foram assassinados num campo de concentração durante o período nazista.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Meditação







 Imagem sem menção de autor.


Além das savanas que não conheço
existirão talvez casas de taipa
iguais às do interior de meu país.

Além das terras distantes
deve haver muitas provas
das verdades que não creio.

Aonde devo ir
para encontrar as flores inimagináveis
que me restituirão alguma crença?

Ciclo







Joguei-me na fogueira
E fiquei feliz
Lá se íam meus amores,
Minhas desilusões, minhas dores...
Mas logo percebí que eu não queimava
Eu ardia e vivia
Não morria
Quem morreu foi o fogo!
 
 
 
Ner Cabrera Lopez,  em  A Lenda - Editora Alley, São Bernardo do Campo-SP


Não mais


Porque ainda estás aqui?
 ausente e de braços cruzados?
Muda, e de braços cruzados.
Porque sorri, enquanto
eu me despedaço?

Eu te quis tanto,
e depois, exausto,
fui caminhar no parque.
Cigarro apagado nos lábios,
discuti com o vento áspero,
com os bêbados da madrugada.
Inconformado falei com Deus.
Desesperado, com os sacos
De lixo na calçada.
Essa e a mágoa dos enjeitados?
Perguntei à estátua
do chafariz, que chorava,
(como se estivesse arrependida).
Ecos do passado,
 imagens diluídas,
e a súbita a revelação,
Não há culpado,
nem vítima, só uma.

Falta de sentido.

Nem por isso desdigo,
 não sou dessa natureza.
Antes fosse da índole ordinária
que no abandono,
retalha.
Voltar para mim é ser do mundo
Entre os vivos, (e suas leis imponderáveis).
E ainda assim, renitente,
arrasto a monstruosa sombra da
saudade.
Descobrir entre os sistemas da ilusão
e o plano físico, o quanto há de verdade
e mentira no invento anímico,
criador e criatura incapazes
de pressentir avisos.
Não me importa morrer
Sem testemunhas,
Sem coreografia funesta,
Se esta morte esquisita
Seja o último suspiro
da criatura faminta que ainda urra
na floresta.

De Paulo Tiaraju

Máscara negra
                         a Pablo Picasso

Ela dorme e repousa sobre a candura da areia
Kumba Tam dorme. Uma palma verde vela a febre dos cabelos, a fronte curva cobre
As pálpebras fechadas, corte duplo e fontes seladas.
Esse estreito crescente, este lábio mais negro e até pesado
– onde o sorriso da mulher cúmplice?
As patenas das faces, o desenho do queixo cantam o acordo mudo.
Rosto de máscara fechado ao efêmero, sem olhos sem matéria
Cabeça de bronze perfeita e sua pátina de tempo
Que não suja ruge nem rubor nem rugas, nem marcas de lágrimas nem de beijos
Oh rosto tal como Deus te criou antes da própria memória das eras
Rosto do amanhecer do mundo não te abra como um colo terno para emocionar a minha carne.
Eu te adoro, oh Beleza, com meu olho monocórdio!

Léopold Sédar Senghor
(tradução de Leo Gonçalves)