quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
domingo, 8 de dezembro de 2013
Na minha cidade tem canetas esvaindo-se em...
Composição do uruguaio Leo Masliah, versão de Carlos Sandroni
sábado, 7 de dezembro de 2013
De Albert Camus
Um homem é um homem mais pelas coisas que cala do que pelas que diz. Não falta muito para eu me calar.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Invictus
Dentro da noite que me rodeia
Negra como um poço de lado a lado
Agradeço aos deuses que existem
por minha alma indomável
Sob as garras cruéis das circunstâncias
eu não tremo e nem me desespero
Sob os duros golpes do acaso
Minha cabeça sangra, mas continua erguida
Mais além deste lugar de lágrimas e ira,
Jazem os horrores da sombra.
Mas a ameaça dos anos,
Me encontra e me encontrará, sem medo.
Não importa quão estreito o portão
Quão repleta de castigo a sentença,
Eu sou o senhor de meu destino
Eu sou o capitão de minha alma.
Esse poema foi escrito em 1875 por Ernest Henley, poeta inglês, servindo de apoio e inspiração para Nelson Mandela (1918-2013) durante os 27 anos que passou nas prisões da África do Sul.
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Amizade
Certas amizades comprometem a ideia de amizade.
*
O amigo que se torna inimigo fica incompreensível,
o inimigo que se torna amigo é um cofre aberto.
Um amigo íntimo - de si mesmo.
*
É preciso regar as flores sobre o
jazigo de amizades extintas.
*
Como as plantas, a amizade não deve
ser muito nem pouco regada.
*
A amizade é um meio de nos isolarmos
da humanidade cultivando algumas pessoas.
Carlos Drummond de Andrade, em O Avesso das Coisas
Labirinto
andorinhas furam a paisagem
bicos, bicos, pontas de asas
a curva rasante de um voo
de encontro ao invisível
abismo
Jane Sprenger Bodnar, Curitiba, PR
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Brincando com meu gato
Meu gato.
Te vi na
televisão.
Camisa branca, calça jeans, sorriso imenso.
Falou,
absurdo: escrevo pra ela me ler.
Ela eu, perguntei para os meus botões já aos risos.
E tu repetiste diante das câmeras: é, escrevo pra ela me ler.
E eu ronronei satisfeita por te ter tão ímpar.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Do diário de meu tio
Passei em frente à casa de Marina. Gosto
de ver aquela casa, tem um jeito que chama a gente. O jeito de Marina. Entrei
lá duas ou três vezes, joguei botão com o irmão dela que mudou pra Recife e uma
vez tomei lanche com eles. Depois de terminar o namoro com Marina às vezes
passava lá, na esperança de vê-la na varanda como naquele dia. Mesmo contra
toda lógica, teimo em pensar que isso seria como um sinal de que tudo podia
recomeçar.
O cheiro que vinha da casa era uma
viagem. Pão doce, cheiro de pão doce fresquinho, novo, dourado. Imaginei a mesa
posta, o aipim desmanchando na boca, a manteiga derretida por cima e aquela
cobertura morena de canela e açúcar. Pãozinho francês estalando dentro da cesta
de vime com o paninho de crochê de bico, branquinho e engomado de leve. A
manteigueira, o açucareiro, o bule do café e a leiteira do jogo branco e azul.
Os queijos, sempre três ou quatro, o presunto rosado e tenrinho, o requeijão
cremoso, fresco, delicioso. O pote do mel de laranjeira, e na tigela branca os
sequilhos, biscoitinhos de nata, ao lado do vidro bojudo das torradas e do
outro, da geléia. Três ou quatro sucos naturais, um doce de goiaba, outro de
leite; o bolo de milho no prato de pé.
Altíssimo astral junto à janela de vidro
aberta para o pôr-do-sol e as montanhas azuladas. A mesa coberta pela toalha
leve de xadrez miudinho e claro, recendendo a capim-cheiroso; os guardanapos
bordados de florinhas e as xícaras azuis.
(Silêncio reverente, suspiro calado,
profundo mergulho no âmago do ser.)
As margaridas no canteiro da cerca lá
fora e gerânios na jardineira sobre o muro que esconde a área de serviço.
Daria muito por
esse momento. Mas não fico muito tempo diante da casa. Tenho medo de que meu
desejo se realize e ela apareça na varanda, caso em que eu seria bem capaz de
perder a cabeça e voltar com ela, mesmo sabendo o que viria depois. Porque é
verdade que seria capaz de dar quase tudo por esse momento. Menos a liberdade.
A moça
Arruma os livros, ajeita as flores do vaso, enfileira feito
soldados a coleção de bonecos vindos dos quatro cantos redondos do mundo.
Tira
o pó dos porta-retratos, areja os álbuns e digitaliza imagens enquanto reduz a
3x4 as cenas do passado. Festas, mares, vulcões, amigos, copos de leite, de
cólera e de vinho.
Prende os cabelos em um nó, estica os braços pra cima, alonga
os músculos, dá a função por encerrada e caminha até a cozinha.
Guarda as toalhas,
os guardanapos, arranha um dedo com uma faca e, sem querer, derruba o par de
xícaras do primeiro café bebido entre as paredes coloridas da casa antiga.
Vai para o quarto, senta na cama, empurra as pilhas de roupas
um pouco pro lado e acaricia a colcha perfumada de alecrim.
Acaricia a colcha, as
coxas e o contorno dos seios.
Sente o suor, o transbordamento e as pulsões do
corpo. Sente a mente diluindo a poeira incrustada de rancores.
Sente a mente, a matéria e o abandono deixando a memória, deixando-a voltar-se para o futuro em direção à calma e ao descanso de um merecido travesseiro.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
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