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segunda-feira, 1 de março de 2010

Partilhar Sebastião Alba.


Para mim um dos maiores poetas portugueses. Daqueles desconhecidos, com passado pouco recomendável, alcoólico, sem abrigo... Gostaria de partilhá-lo com todos vocês. Tem uma frase que me toca muito, " Fui longe demais dentro de mim".
Deixo-vos aqui um trecho e um poema do livro "Albas" que recomendo vivamente.

Nunca perdoarei a Sartre o prefácio que escreveu ao "Estrangeiro", de Camus, muito melhor escritor do que ele. Mas, poderosamente dialéctico, Sartre aborreceu-o; basta ler os últimos parágrafos. Mas também não perdoo a Albert Camus não ter dado o seu nome para um abaixo-assinado em que se pedia a comutação da pena de Jean Genet, um dos bons dramaturgos do século.
Em que ficamos? Vou tocando gaita-de-beiços.
Se quiséssemos imprimir uma frase de Camus, e tê-la na parede, por sobre a secretária, a Literatura dava-se-nos a todos "sem defesa nua" (ela tem pano para mangas):
- dois perigos espreitam os escritores, o orgulho e o rancor.

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Ninguém meu amor


Ninguém meu amor

ninguém como nós conhece o sol

Podem utilizá-lo nos espelhos

apagar com ele

os barcos de papel dos nossos lagos

podem obrigá-lo a parar

à entrada das casas mais baixas

podem ainda fazer

com que a noite gravite

hoje do mesmo lado

Mas ninguém meu amor

ninguém como nós conhece o sol

Até que o sol degole

o horizonte em que um a um

nos deitam

vendando-nos os olhos


Sebastião Alba, in Albas

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Acompanhado por...

Bernardo Sasseti ao piano.