
Para mim um dos maiores poetas portugueses. Daqueles desconhecidos, com passado pouco recomendável, alcoólico, sem abrigo... Gostaria de partilhá-lo com todos vocês. Tem uma frase que me toca muito, " Fui longe demais dentro de mim".
Deixo-vos aqui um trecho e um poema do livro "Albas" que recomendo vivamente.
Nunca perdoarei a Sartre o prefácio que escreveu ao "Estrangeiro", de Camus, muito melhor escritor do que ele. Mas, poderosamente dialéctico, Sartre aborreceu-o; basta ler os últimos parágrafos. Mas também não perdoo a Albert Camus não ter dado o seu nome para um abaixo-assinado em que se pedia a comutação da pena de Jean Genet, um dos bons dramaturgos do século.
Em que ficamos? Vou tocando gaita-de-beiços.
Se quiséssemos imprimir uma frase de Camus, e tê-la na parede, por sobre a secretária, a Literatura dava-se-nos a todos "sem defesa nua" (ela tem pano para mangas):
- dois perigos espreitam os escritores, o orgulho e o rancor.
Ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Podem utilizá-lo nos espelhos
apagar com ele
os barcos de papel dos nossos lagos
podem obrigá-lo a parar
à entrada das casas mais baixas
podem ainda fazer
com que a noite gravite
hoje do mesmo lado
Mas ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Até que o sol degole
o horizonte em que um a um
nos deitam
vendando-nos os olhos
Sebastião Alba, in Albas
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Acompanhado por...
Bernardo Sasseti ao piano.