
o mundo era nosso:
meus pais, reunidos
cada um ao meu lado
diante da mesa posta.
Os convidados
todos me olhando.
O bolo,
a cobertura
e a alegria ao redor.
Mas eis que,
arauto da maldade,
um menino franzino
desses que matam formigas
com pura maldade,
denunciou:
--- Não tem cereja! Não tem cereja! Não tem cereja!
A reunião,
perfeita e simétrica,
de pais reconciliados
ao lado do filho,
fino cristal que se parte.
A festa descansa na minha lembrança
manchada pela voz
implacável da morte
rachando a inteireza das coisas
que amei.
[foto roubada daqui]