-Orides Fontela-
A declaração, feita muito próxima do fim da vida, revela uma Orides consciente de seu valor como poeta (detestava ser chamada de poetisa) e resignada em sua pobreza material – condição de berço que nunca conseguiu reverter: “o maior bem possível é a poesia”, disse certa vez em uma entrevista.
Em 1998, andava preocupada com a publicação de Trevo (obra que reúne seus quatro primeiros livros) na França. “O meu sonho mais infantil é ser traduzida. O que é uma bobagem completa. Mas ser internacional deve ser muito gostoso”.
Orides Fontela (1940-1998) considerada um dos nomes mais importantes da poesia brasileira contemporânea.
Obras publicadas no Brasil
Poesia
Transposição – 1969
Helianto – 1973
Alba – 1983
Rosácea - 1986
Trevo (1969-1988) – 1988
Teia – 1996
Poesia Reunida - 2006
Obras publicadas no exterior
Francês
Trèfle (Trevo) - Tradução Emmanuel Jaffelin e Márcio de Lima Dantas - Paris: L'Harmattan, 1998.
Rosace (Rosácea) - Tradução Emmanuel Jaffelin e Márcio de Lima Dantas - Paris: L'Harmattan, 2000
Imagem - Juan Esteves
Fontela é uma das nossas maiores poetas, sem dúvida. Sempre me passou essa coisa da autenticidade absoluta. Absolutamente poética e verdadeira. Só há dois anos encontrei Orides Fontela pela primeira vez! E pensei: como eu pude desconhecer até agora uma poesia tão boa?! E porque não estão falando dessa mulher nos meios literários?! Enfim, decidi trazer o nome de Orides Fontela à pauta da ordem do dia da poesia! Os poetas são mesmo pessoas bem reais; alma, sim, mas também carne e sangue e dor. Uma frase que gritou aqui: "A moda é ser difícil." E outra: "Não quero ir contra ninguém, só quero escrever meus poemas." Aplausos para Poetas como Orides Fontela, que entram no 'olimpo' da boa poesia pela porta da frente! Fica aqui um convite para quem desejar, também aplaudir e divulgar texto tão relevante:
http://www.mulheresdesaojoao.com.br/index_arquivos/OridesFontela.htm
Com amor e carinho,
Sílvia Costardi