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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O quebra-cabeça de Athina


Athina ainda estava se adaptando com a nova realidade. Sabia que a decisão de se mudar era sua e que não seria fácil. Mas ao mesmo tempo não via outra saída a não ser tomar um novo rumo para conseguir digerir tudo o que lhe acontecera. Sabia que precisava de novos ares, novas pessoas ao seu redor, novos cenários para deixar os pensamentos e os sentimentos fluirem afim de reencontrar a harmonia e o equilibrio em sua vida.

A distância e o novo distraiam sua atenção, ocupando sua cabeça com outros conceitos e idéias, fazendo-lhe esquecer, mesmo que superficial e momentaneamente, dos pensamentos latejantes e dolorosos que insistiam em vir a tona para sufocá-la.

A nova rotina era perfeita para que a realidade passada se acomodasse em seu coração de forma menos agressiva e invasiva. Athina sabia que a seu tempo tudo seria assimilado e faria sentido. Assim, se inscreveu em um curso de artes e em uma oficina literária, para que extravasando sua criatividade, encontrasse as respostas necessárias para montar o gigantesco quebra-cabeça que se formara em sua mente.

Diálogos Imaginários

domingo, 7 de março de 2010

Sem Destino


Quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável.
Sêneca

Morre Lentamente


Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Morre lentamente...

Pablo Neruda