Ao olhar para o céu, que é infinito, vejo apenas uma parte dele. Porque meus olhos são desenhados para ver parcialmente. Então, fecho os olhos e deste ponto passo a ver não apenas o céu próximo, mas os outros, os céus inexistentes, os céus que abrigam as ilhas onde existem sereias de cabelos feitos de algas. E as algas são amarelas. E vejo também um céu rosado, céu de fogos de artifício, movente e caleidoscópico. Aparelhada de olhos novos, olhos que produzo mentalmente, já não posso garantir que exista apenas céu acima de minha cabeça, mas também mares suspensos e árvores voadoras. E voando, também, aparece mais uma vez a sereia de cabelos longos, cabelos que são os mesmo cabelos do mar de Ofélia. E Ofélia, agora, vive e canta, sem dor alguma no coração. Não existe Dinamarca nem África, os mapas estão modificados. E são mapas desmontáveis. Mantenho os olhos fechados, porque desejo outras realidades. E decido criá-las, diretora de artes e ofícios, para meu próprio uso.