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quarta-feira, 4 de julho de 2012

A rapariga do fim e o rapaz do inicio (Marta Vaz)


«Um dia, a rapariga do fim, encontrou o rapaz do início numa estação de comboios. Percebeu de imediato, pelo seu chapéu, que como ela, ele também tinha um amor. E cuidava dele. Passaram muitos comboios na estação. Entrou e saiu muita gente. Tudo sob o olhar imenso do rapaz do início. O rapaz do início, sabe olhar e sabe ver, como ninguém. A rapariga do fim sabe sentir e guardar. E ler chapéus. Só que anda sempre muito apressada e, por isso, nunca chega ao início.

O rapaz do início ensina-lhe muitas coisas. Principalmente por palavras. E começa sempre bem. A rapariga do fim, admira-o muito e por isso são amigos há muito, muito tempo. Dentro de um tempo que não vem nos relógios nem nos catálogos. Sempre que lê os seus poemas, a rapariga do fim volta ao início. E quase fica lá. Mas não pode. Porque gosta muitíssimo do que ele escreve e tem de continuar. Ela a ler. E ele a escrever.»

Marta Vaz







[breve aparte: a este texto, que tão gratamente recolho como presente da Marta Vaz, por ocasião do meu aniversário, tomo a liberdade, a aventura e o risco de fazer uma leitura, registada pelo meu garoto, que com a sua imensa (quase infinita!) paciência o tornou possível… e com pouquíssimos recursos, fez magia!

A eles, à Marta Vaz e ao João,
sou, serei (e)ternamente grato por este momento!]