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quarta-feira, 21 de julho de 2010

 [Andrea de Godoy Neto]



 A asa do anjo
                         (inspirado na imagem postada pela Bípede)

a asa branca do anjo não é de medo,
nem de sonho, não é de pele, não é de lata,
a asa branca de anjo é talhada de coragem

a branca asa do anjo, não é de tristeza,
nem de segredo, não é de desejo, não é de ilusão
é de espanto que se eriça a branca asa

a asa branca do anjo não é de nuvem
nem de algodão, não é de flor, não é de renda, 
a asa branca do anjo é tecida de amor

a branca asa do anjo, não é de gesso
não é de pano, não é de louça, não é de pena
é de esperança que se reveste a branca asa (do anjo negro)!

sábado, 5 de junho de 2010

Anjo dorminhoco

Uma amiga me contou uma história e isso sempre me assombrou. Ou me fez bem, não sei ainda. Disse que na sua infância, para que arrumasse a cama, a mãe dizia que os anjos da guarda eram preguiçosos e preferiam sempre ficar entre os lençóis e cobertores ao invés de sair para a rua. Por isso, era preciso semprea arrumar a cama ao acordar, para ter certeza de que seu anjo estaria ao seu lado. Achei a história tão linda... Mas nunca soube disso, quando criança. E sempre fui tão ávida de rua, de brincadeiras, de vida, que saía sempre sem arrumar o quarto. Na verdade, na infância, nunca tive um quarto meu para arrumar. E lençóis e cobertores eram poucos e eram compartilhados com irmãos. De modo que nem sei como os anjos de crianças pobres resolvem isso. Mas sei que até hoje, para ter energia de arrumar a cama assim que acordo, é preciso que eu esteja com medo, com algum pressentimento. E esteja precisando do meu anjo bem acordado. E lá no fundo, ainda acho que os anjos podem não conhecer esta história. E podem ter outro sistema. E de vez em quando, os anjos ficam dormindo entre os lençóis e cobertores que deixamos. Imagino que será assim, quando eu morrer: meu anjo vai chegar, já meio atrasado, e vendo me ali, sem chance de retorno à cama, aos brinquedos, aos lençóis, vai se sentir culpado por ter sentido uma vontade danada de dormir, só mais um pouquinho.