sexta-feira, 23 de dezembro de 2011



O beijo da quilha
na boca da água
me vai trocando entre céu e mar,
o azul de outro azul,
enquanto
na funda transparência
sinto a vertigem
da minha própria origem
e nem sequer sei
que olhos são os meus
e em que água
se naufraga a minha alma

Se chorasse agora,
o mar inteiro
me entraria pelos olhos

Mia Couto, escritor moçambicano.

2 comentários:

  1. Impressionante poema. Vou buscar mais dele.

    Um abrazo
    e boas festas.

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  2. Obrigada, Gregorio.

    BOAS FESTAS!
    e um abraço

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