segunda-feira, 14 de abril de 2014
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Das utopias
Se as coisas são inatingíveis ora,
Não é motivo para não querê-las
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas.
Mário Quintana, em Espelho Mágico
segunda-feira, 7 de abril de 2014
sexta-feira, 4 de abril de 2014
domingo, 30 de março de 2014
sábado, 29 de março de 2014
POSSE
Nos compêndios escolares não se falava da pequena ilha
solitária e perdida nos mares do Sul.
Não passavam por lá os barcos dos brancos
e o povo seguia a sua própria lei
que no entanto não estava escrita em livro algum.
Homens e mulheres viviam nus e amavam-se sem complicações
e comiam peixes que pescavam em canoas feitas com troncos de árvores
e carne de animais caçados com setas certeiras.
Atletas e guerreiros dançavam ao som de búzios e tambores
e as bailadeiras ondeavam contorcidos ritmos lentos
na toada triste de instrumentos de uma só corda.
E tinham seus deuses, seus santos, seus sacerdotes, seus feiticeiros,
e moravam em cubatas cobertas com palmas das palmeiras.
Mas do outro lado da terra
um dia
senhores de cara grave assentaram-se à volta de uma mesa com mapas em frente,
falando de guerras,
de bases para aviões,
de pontos estratégicos
.
Então veio à baila a ilha solitária perdida nos mares do Sul...
Semanas depois um barco de ferro chegou e fundeou
nas águas tranquilas da baía...
E um escaler veio para terra com homens loiros vestidos de branco,
trazendo, entre outras coisas,
uma bandeira para a primeira afirmação imperial,
um chicote para o primeiro castigo,
um barril de pólvora para o primeiro massacre
e um outro de álcool para o primeiro comércio!
Jorge Barbosa (Cabo Verde)
Publicado em http://coresepalavras.blogspot.com
sábado, 22 de março de 2014
Vibrações
J.R.Duran
Vibrar, viver.
Vibra o abismo etéreo à música das esferas;
vibra a convulsão do verme,
no segredo subterrâneo dos túmulos.
Vive a luz, vive o perfume,
vive o som, vive a putrefação.
Vivem à semelhança os ânimos.
A harpa do sentimento canta no peito,
ora o entusiasmo, um hino,
ora o adágio oscilante da cisma.
A cada nota, uma cor,
tal qual nas vibrações da luz.
O conjunto é a sinfonia das paixões.
Eleva-se a gradação cromática
até à suprema intensidade rutilante;
baixa à profunda e escura vibração das elegias.
Sonoridade, colorido: eis o sentimento.
Daí o simbolismo popular das cores.
Raul Pompéia,
Angra dos Reis (RJ) 1863-1895
.
quarta-feira, 12 de março de 2014
Sino rachado
Lisboa, 27 de outubro de 2009
Olá!
Como nos grandes restaurantes, as cozinhas nas caves, a sala dos
banquetes instalada no andar por cima – não era assim? Que honra trabalhar na
produção do espectáculo de grandes banquetes!
Estou a referir-me ao texto que li em seu blog, à sua qualidade de
revisora, agora arrependida.
Quanto à queda na qualidade de ghost-writer... que mal fez você a
Deus? Isso não é trabalho em caves: é trabalho em canos de esgoto!
Mas foi por pouco tempo, diz você.
Conquistou um lugar ao sol?
Está respirando ar puro agora?
Atenciosamente,
Bernardo Sinval de Santantão
terça-feira, 4 de março de 2014
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Palavra
Dizer a última palavra sobre o assunto é
menosprezar a potencialidade do assunto.
***
A palavra e o ato vivem em conflito,
e este geralmente vence.
***
As palavras fogem quando precisamos delas
e sobram quando não pretendemos usá-las.
***
O poeta lança a palavra que ninguém usará,
e orgulha-se disto.
Carlos Drummond de Andrade, em O Avesso das Coisas
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Manuel Tolentino de Almeida, A uma Velha presumida
SONETO XXVII.
Debalde sobre a face encarquilhada
Pendendo louros bugres emprestados,
Dás inda ao louco amor teus vãos cuidados,
Em carmins enganosos confiada.
Dás inda ao louco amor teus vãos cuidados,
Em carmins enganosos confiada.
Postiça formosura, em vão comprada,
Não torna atraz os annos apressados:
Nem alvos dentes de marfim talhados,
Tornão em nova a tremula queixada.
Nem alvos dentes de marfim talhados,
Tornão em nova a tremula queixada.
De ti no mesmo tempo que do Gama
Cantou mil bens a Deosa Trombeteira,
A que os baixos Poetas chamão Fama:
A que os baixos Poetas chamão Fama:
Porém sempre ficaste em boa esteira;
Porque, se já não prestas para dama,
Inda serves mui bem como terceira.
Inda serves mui bem como terceira.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Hilda Hilst
I
Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo
Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses...
E era como se a água
Desejasse
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, sem tocar a margem.
Te olhei. E há um tempo
Entendo que sou terra. Há tempo espero
Que teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu
Pastor e nauta.
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.
Em Dez chamamentos ao amigo
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
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