
O Poeta e a Musa
Envolto em plumagens escuras,
me aqueço
e sou levado às ranhuras de um afresco.
Tempo e espaço nos separam.
Quereria eu, fosse irreal,
Mas teus olhos guardam em segredo,
a matéria fúnebre que me é real.
Repousa suave sobre meu corpo.
Pairo sobre teus cabelos mórbidos.
Querendo tocar teu corpo,
Devaneio-me em sonhos sórdidos.
Criados em semelhança,
Só lhe faltara o ar.
Do barro me vestiram,
Do gesso lhe despiram,
A vida me sopraram,
E a ti, só lhe faltara o ato.
Vela pelo meu sono,
Vago por entre os vales inóspitos,
Inebriado em teus olhos pálidos,
Sou arrancado desse mundo cálido.
Em vida desejei,
Na morte encontrei,
Num frio e eterno ósculo nos despimos,
Em almas diáfanas nos fundimos.
Escravo do teu corpo
modelado em gesso
satisfaço minha boca
afogado nos teus beijos.
Alma em gesso.
Alexandre Pedro
29.09.2010
***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
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