| (Mario Cesariny - O surrealismo - 1959) |
O
guarda-fatos do mar entreaberto para a noite
pergunta-me
se amo
e é toda uma paisagem de arcos flamejantes
deslocando-se
a oeste
um
castelo perdido entre duas visões
o
cavaleiro descendo a falésia
depois
de tantos amos tantas fábricas tantos
arquitectos
do amor fitando o espaço
No
alto das arquibancadas o rapaz
que
lindo
encarna
a vitoriosa lividez do dia
A
mim porém o que me apetece é dançar
Dar
um salto comigo
de
forma a que não me evole feito fumo
nem
resvale às profundas feito nada
Isso
o
reino de Pràtazul
a
linha de água
que
suporta e separa e contém os dois mundos
e
ondula
[Mário Cesariny, A Cidade Queimada]