segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Vinhetas

Há senhôras da sociedade, cavalheiros formados em Harvard, gente com antepassados ilustres de nossa história e até pessoas simples, legalistas, conservadoras, seres medianos sem culpa no cartório que não admitem ser postos em pé de igualdade com gentinha da classe D. São diferentes mesmo, é claro – não existe alguém igual a outro neste mundo, nem gêmeos idênticos. Mas todos, sorry, se nivelam em certas semelhanças, e nem falo só dos sete palmos. Tão lembrados?

Amor e ódio são como dois rios que nascem juntos e seguem assim até que uma chuva forte misture suas águas. Não sei se é mais fácil limpar o rio depois da chuva ou o coração depois do desentendimento.
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Criador(a) e criaturas...
Há quarenta ou cinquenta anos, um crítico fez uma lista particular de escritores e poetas que ele pessoalmente considerava os únicos que prestavam na literatura, e descartou todos os demais. Ele defendeu essa lista amplamente em publicações, pois a Lista instantaneamente virou assunto de debate. Milhões de palavras foram escritas pró e contra - escolas, seitas, favoráveis e contrárias, vieram a existir. A discussão, após tantos anos, prossegue...e ninguém julga esse estado de coisas lamentável nem ridículo...
Daí, existem livros de crítica de imensa complexidade e erudição que tratam, quase sempre em segunda ou terceira mão, de trabalhos originais - romances, peças, contos. As pessoas que escrevem esses livros formam uma camada nas universidades do mundo inteiro: são um fenômeno internacional, o ápice dos intelectuais. Passam suas vidas criticando, e criticando as críticas dos outros. Eles pelo menos consideram essa atividade mais importante do que o trabalho original. É possível a alunos de literatura passarem mais tempo lendo críticas e críticas de críticas do que lendo poesias, romances, biografias, contos. Muita gente considera normal esse estado de coisas, e não lamentável nem ridículo...
Daí, quando sai um livro sobre certo assunto, digamos contemplação dos astros, instantaneamente um punhado de faculdades, associações e programas de televisão escrevem ao autor convidando-o para falar sobre contemplação dos astros. A última coisa que lhes ocorre fazer é ler o livro. Esse procedimento é considerado normalíssimo, sem nada de ridículo...
Doris Lessing, em O carnê dourado ( Prefácio )
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
homem, escada de si
Michael Eastman
"homem, escada de si"
era o que pensava, antes
subirei até diante
dos deuses, até o fim
os degraus que descobrí
só desciam, entretanto
fui descendo tanto, tanto.
cheguei ao fundo de mim
agora resta voltar
quero subir do meu ser
fugir de quem me empareda
de quem respira o meu ar
de quem sussurra, a dizer
"não sou escada, sou queda".
Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira, em As visitas que hoje estamos - Editora Iluminuras
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Versinhos
Do amor
sem ponto e vírgula
reticências e interrogações
suspendem-se palavras
seja como for...
Entre flores
mapas
e raios
balançam-se dedos
melancolias
e um tantinho de dor...
De lá
onde a janela se abre
sobem em árvores
os telhados
as nuvens
e uma saudades
sem tirar nem por ...
Memória
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade
O lutador
" ...Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.
Algumas, tão fortes
como o javali.
Não me julgo louco.
Se o fosse, teria
poder de encantá-las.
Mas lúcido e frio,
apareço e tento
apanhar algumas
para meu sustento
num dia de vida..."
Fragmento do poema O Lutador, de Carlos Drummond de Andrade
O avião
Enquanto o olhar insistia
em ver contornos
no escuro
e os momentos pesavam como gotas
sobre um lago
o avião passou
e dividiu a noite.
Enquanto o sono fugia
redescobriu o tempo
e a novidade antiga
de além muros.
Mais longe
de onde vinham seus momentos
o avião chegava a uma terra
que ele bem conhecia.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Fisionomia
"Não é mentira
é outra
a dor que dói
em mim
é um projeto
de passeio
em círculo
um malogro
do objeto
em foco
a intensidade
de luz
de tarde
no jardim
é outra
outra a dor que dói."
Ana Cristina Cesar
é outra
a dor que dói
em mim
é um projeto
de passeio
em círculo
um malogro
do objeto
em foco
a intensidade
de luz
de tarde
no jardim
é outra
outra a dor que dói."
Ana Cristina Cesar
domingo, 3 de fevereiro de 2013
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Vinte e quatro horas na vida de uma mulher
Envelhecer é apenas não ter mais medo do passado.
Pessoalmente tenho mais alegria em compreender as pessoas do que em julgá-las.
Frases do livro Vinte e quatro horas na vida de uma mulher, de Stefan Zweig
Pessoalmente tenho mais alegria em compreender as pessoas do que em julgá-las.
Frases do livro Vinte e quatro horas na vida de uma mulher, de Stefan Zweig
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