quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Acrobata da Dor
De Cruz e Souza,
Acrobata da Dor
Gargalha, ri, num riso de tormenta,
como um palhaço, que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta.
Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
agita os guizos, e convulsionado
salta, gavroche, salta clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta ...
Pedem-se bis e um bis não se despreza!
Vamos! retesa os músculos, retesa
nessas macabras piruetas d'aço...
E embora caias sobre o chão, fremente,
afogado em teu sangue estuoso e quente,
ri! Coração, tristíssimo palhaço.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
LIBERDADE
Pode-se ser livre em qualquer circunstância. Não há machado que corte a raíz ao pensamento. Pode-se criar o que se quiser, escrever sobre as nuvens, dançar com as palavras, fazer gotejar palavras dos beirais aflorando nevoeiros, pode-se descer as avenidas dançando ao som de um bolero imaginário.Pode-se até inventar um verbo novo e fazer dele o campo de batalha de uma vida inteira.Pode-se pisar terra firme, ainda que tudo o resto em volta sejam pantanos de areias movediças.Pode-se ser livre, ainda que enclausurado na mais bárbara das prisões.Mas para que isso aconteça, temos que ter todas as contas saldadas connosco próprios. Não se pode ser livre, devendo coisas à vida. Bípedes continentais
No balanço, pesa o made in Brasil, um made de ditos populares e rebolados de bípedes continentais cheios de charme e energia capazes de levantar e de arrasar a poeira batucando sambas e poesias sem ter de se entregar às tolices dos sem ritmo no corpo e sem sol na alma.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Onde fincar os pés...

Onde fincar os pés senão nas estrelas?
Onde senão no sólido chão das estrelas?
Aqui? Aqui onde medra a flor?
Oh rosa!
Que amar senão tua inexistente essência? Que amar senão teu persistente sonho?
Isto?
Isto desta implacável gramática?
Oh rosa! Onde fincar os pés senão em tuas inexistentes pétalas?
Onde senão no inexistente sonho de tuas persistentes pétalas?
Aqui? Aqui onde tudo o que medra é só e apenas terra?
Oh tu embora da terra!
Oh tu embora do chão do coração! Que amar senão as estrelas?
Que amar senão as estrelas, que estrelas são, palpitantes
Que amar senão as estrelas, que estrelas são, palpitantes
E as inconsistentes rosas
Que persistentes cantam dentro do meu coração?
Mário Fonseca, Praia, Cabo Verde (1939- )
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
A idade de ser feliz
Claude Monet
Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.
Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer.
Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.
Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso.
Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa.

Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.
Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer.
Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.
Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso.
Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa.
Mário Quintana
domingo, 16 de outubro de 2011
sábado, 15 de outubro de 2011
Verdades da profissão de professor

Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho.
A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.
Paulo Freire, Recife(PE), educador internacionalmente conhecido pelo seu método "educação para adultos", autor de Pedagogia do Oprimido, Pedagogia da Esperança, À sombra de uma mangueira. (1921-1997)
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Valeu, Leon Cakoff
Conheci Leon Cakoff, criador da mostra de cinema de S. Paulo, em Berlim, na Berlinale, em 1986. Falei pouco com ele, mas conversamos sobre, óbviamente, cinema. Era época de Ginger e Fred do Fellini e ele havia feito uma ponta. Em 1986, a Marcela Cartaxo ganhou o Urso de Berlim, como melhor atriz no filme A Hora da Estrela da Suzana Amaral.
Depois, segui Leon Cakoff em suas boas críticas sobre cinema. Ele se foi com apenas 63 anos. Uma pena.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Um novo presente
Eu tive um sonho e nele eu te reconheci;
Não tinhas mais o teu rosto, teus olhos profundos,
tua doçura,
e não eram mais minhas as tuas mãos;
Tua pele havia mudado, teu cabelo clareado,
tua expressão se modificara;
Mas, mesmo assim, te reconheci;
Tentei te abraçar,
diminuir de alguma forma a nossa dor,
mas nada adiantou,
não me reconhecias mais;
Chegara finalmente a hora de voar para um novo mundo,
Realizar um novo presente,
Em um futuro que um dia nos pertenceu.
Não tinhas mais o teu rosto, teus olhos profundos,
tua doçura,
e não eram mais minhas as tuas mãos;
Tua pele havia mudado, teu cabelo clareado,
tua expressão se modificara;
Mas, mesmo assim, te reconheci;
Tentei te abraçar,
diminuir de alguma forma a nossa dor,
mas nada adiantou,
não me reconhecias mais;
Chegara finalmente a hora de voar para um novo mundo,
Realizar um novo presente,
Em um futuro que um dia nos pertenceu.
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