quinta-feira, 16 de setembro de 2010
DIGAM-ME VOCÊS
Hoje em dia tornou-se um hábito colocar rótulos em toda a gente. Ele é xenófobo, aquele é gay, a outra é adultera. Tornou-se um hábito julgar as pessoas na praça pública. A presunção de inocência já foi para as urtigas e os "mass media" são em grande parte os culpados ao formatarem multidões menos pensantes.
À primeira vista os franceses são xenofobos. Deportam os coitados dos ciganos e proibem o uso da burka em solo francês. Mas será assim?
A comunidade cigana sempre viveu à margem da sociedade organizada, utilizando apenas os benefícios da mesma em seu proveito e jogando muito bem com o sentimento de culpa que de vez em quando nos assola. Vivem na maioria do tráfico de droga e a maior parte dos presos nas cadeias pertencem a esta etnia. Nos países em que o uso de arma é altamente restritivo, todos eles têm armas ilegais que usam com frequência.
Qualquer cidadão que se desloque a um país árabe, é avisado logo na agência de viagens, que a mulher tem de respeitar escrupulosamente as leis do Corão, correndo sérios riscos se não o fizer. Que eu saiba é apenas nesses países que as mulheres são lapidadas ou sujeitas como regra a mutilações genitais.
Afinal em que é que ficamos? Os franceses são xenofobos ou não?
Digam-me vocês.
GED
À primeira vista os franceses são xenofobos. Deportam os coitados dos ciganos e proibem o uso da burka em solo francês. Mas será assim?
A comunidade cigana sempre viveu à margem da sociedade organizada, utilizando apenas os benefícios da mesma em seu proveito e jogando muito bem com o sentimento de culpa que de vez em quando nos assola. Vivem na maioria do tráfico de droga e a maior parte dos presos nas cadeias pertencem a esta etnia. Nos países em que o uso de arma é altamente restritivo, todos eles têm armas ilegais que usam com frequência.
Qualquer cidadão que se desloque a um país árabe, é avisado logo na agência de viagens, que a mulher tem de respeitar escrupulosamente as leis do Corão, correndo sérios riscos se não o fizer. Que eu saiba é apenas nesses países que as mulheres são lapidadas ou sujeitas como regra a mutilações genitais.
Afinal em que é que ficamos? Os franceses são xenofobos ou não?
Digam-me vocês.
GED
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Collocation
Amigos, Achei um artigo interessante que mostra a diferença que existe entre o português e o inglês na formação de algumas expressões comuns. Nosso Luiz Costa Pereira Junior traz uma observação muito interessante, embora mostre um viés patriótico pelo português (veja recorte anexo). Ele poderia ter destacado expressões e preposições em que a língua inglesa é mais expressiva ou carinhosa. Mas ele deu uma idéia - vamos começar a prestar atenção. Espero que gostem.
Em português, por exemplo, "prestamos" atenção, como quem fornece um serviço, um préstimo, uma prestação de contas. O inglês "paga" atenção (pay attention), como se comprasse.
Brasileiros e portugueses "tomam" café da manhã, lembra a gramática Maria Helena de Moura Neves. Eles o engolem, protegem-no para que o outro não o pegue - a fome incorporada os espreita? Já os saxões "têm" café da manhã (have breakfast e não take breakfast), consideram-no uma propriedade valiosa. Em português, completa Jean Lauand, nós "fazemos" um cheque ou "compomos" uma canção, enquanto o falante do idioma inglês, pragmático, "escreve" (write) o cheque e a canção.
O cuidado com outro pode não ser premissa da visão de mundo em inglês, se pesar só o idioma. O falante de português lembra a lingüista argentina Ivonne Bordelois, sonha "com", acompanha a cena ou pessoa, a seu lado. O de língua inglesa sonha “a respeito de" (to dream of), um pensar mais indiferente, num "cada um por si" da linguagem. Os gringos pensam "sobre" (think of), atitude desconfiada de quem encara tudo como de antemão estranho.
Em situações sociais, nós "apresentamos" um amigo, nós o oferecemos, presenteamos ao outro. O que é meu é seu também. Eles "introduzem" (introduce), largam o cara entre desconhecidos.
Em quaisquer desses casos, não tendo a competência natural para saber qual palavra de fato é "colocável" ao lado de outra, sente-se o fosso entre culturas. No contato direto, o estrangeiro percebe que algo mais lhe escapa.
Autor: Luiz Costa Pereira Junior
Luizcosta@editorasegmentos.com.br
http://www.seguranotexto.blogspot.com/
Sem palavras,
Sílvia
Collocation
Saber qual palavra combina com outra é um grande obstáculo no aprendizado de um idioma. Pois a combinatória lexical revela o horizonte do mundo de uma língua.Em português, por exemplo, "prestamos" atenção, como quem fornece um serviço, um préstimo, uma prestação de contas. O inglês "paga" atenção (pay attention), como se comprasse.
Brasileiros e portugueses "tomam" café da manhã, lembra a gramática Maria Helena de Moura Neves. Eles o engolem, protegem-no para que o outro não o pegue - a fome incorporada os espreita? Já os saxões "têm" café da manhã (have breakfast e não take breakfast), consideram-no uma propriedade valiosa. Em português, completa Jean Lauand, nós "fazemos" um cheque ou "compomos" uma canção, enquanto o falante do idioma inglês, pragmático, "escreve" (write) o cheque e a canção.
O cuidado com outro pode não ser premissa da visão de mundo em inglês, se pesar só o idioma. O falante de português lembra a lingüista argentina Ivonne Bordelois, sonha "com", acompanha a cena ou pessoa, a seu lado. O de língua inglesa sonha “a respeito de" (to dream of), um pensar mais indiferente, num "cada um por si" da linguagem. Os gringos pensam "sobre" (think of), atitude desconfiada de quem encara tudo como de antemão estranho.
Em situações sociais, nós "apresentamos" um amigo, nós o oferecemos, presenteamos ao outro. O que é meu é seu também. Eles "introduzem" (introduce), largam o cara entre desconhecidos.
Em quaisquer desses casos, não tendo a competência natural para saber qual palavra de fato é "colocável" ao lado de outra, sente-se o fosso entre culturas. No contato direto, o estrangeiro percebe que algo mais lhe escapa.
Autor: Luiz Costa Pereira Junior
Luizcosta@editorasegmentos.com.br
http://www.seguranotexto.blogspot.com/
Sem palavras,
Sílvia
Michelle Bachelet foi ontem escolhida pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, para chefiar a nova agência da ONU para as mulheres - a UN Women (ONU Mulheres). Bachelet, de 59 anos, que até Março tinha a seu cargo os destinos do Chile - de que foi uma das mais populares presidentes - , terá na hierarquia da organização o grau de secretária-geral adjunta e estará sob a autoridade directa de Ban Ki-moon.
Criada no início de Julho, a nova estrutura tem como objectivo acelerar a melhoria da condição das mulheres e das jovens no mundo e irá aglutinar outros órgãos já existentes e que trabalhavam na área da defesa dos direitos da mulher.
Ao escolher Bachelet em detrimento de outras candidatas - entre elas a ministra moçambicana Alcina Abreu -, Ban louvou o "dinamismo" e a "capacidade fora de comum para criar consensos" da ex-presidente chilena. "Estou certo que sob a sua direcção forte, poderemos melhorar a vida de milhões de mulheres e jovens no mundo".
Criada no início de Julho, a nova estrutura tem como objectivo acelerar a melhoria da condição das mulheres e das jovens no mundo e irá aglutinar outros órgãos já existentes e que trabalhavam na área da defesa dos direitos da mulher.
Ao escolher Bachelet em detrimento de outras candidatas - entre elas a ministra moçambicana Alcina Abreu -, Ban louvou o "dinamismo" e a "capacidade fora de comum para criar consensos" da ex-presidente chilena. "Estou certo que sob a sua direcção forte, poderemos melhorar a vida de milhões de mulheres e jovens no mundo".
Esta notícia dispensa comentários e só pode alegrar, quem está de boa fé na luta pela igualdade de direitos
GED
RIOS
Hoje perdi uma pessoa de quem gostava muito.
Mais uma que se vai deste rio de afectos, que cada vez fica mais seco.
Na nascente, tudo é possível, mas com a foz aproximando-se, apenas vai restando o leito pedregoso e adiante o nevoeiro adensa-se.
Nada a fazer senão aventurar-me por ele adentro, e renegar de uma vez por todas, este rio que só tira.
GED
Mais uma que se vai deste rio de afectos, que cada vez fica mais seco.
Na nascente, tudo é possível, mas com a foz aproximando-se, apenas vai restando o leito pedregoso e adiante o nevoeiro adensa-se.
Nada a fazer senão aventurar-me por ele adentro, e renegar de uma vez por todas, este rio que só tira.
GED
KANOÊ
KANOÊ
Índio cadê teu apito
Cadê a tua terra
Tua cultura e luz?
Onde está tua vida
Tua inocência e graça
A tinta na cara
A maneira de amar
Bichos, plantas natureza,
Sem deles zombar?
Índio onde está a tua força?
A tua cor e o teu mistério?
Onde está tua mata
Tua caça
Tua pesca
Teus costumes enfim?
O que de bonito trazias em si?
Índio...
Onde está tua língua?
Imagens Marcos Mendes
Música Márcio Faraco
Poema Paula Belmino
Com amor e carinho,
Sílvia
A língua Kanoê, também referida como Kapixaná (Kapishana) ou Kapixanã, é falada atualmente por apenas sete pessoas.
O Castelo de Areia está para ruir...
14/09/2010
Castelo de Areia: relatora do STJ vota pela anulação
Sem alarde, a 6ª turma do Superior Tribunal de Justiça começou a julgar um recurso que pode levar à anulação de toda a Operação Castelo de Areia.
Em sessão realizada nesta terça (14), a ministra Maria Thereza de Assis Moura, relatora do processo, proferiu o seu voto.
Ela acolheu alegações dos advogados da Camargo Corrêa. Votou a favor da anulação de parte das provas levadas aos autos pela PF e pelo Ministério Público.
São provas vitais. Sem elas, chega-se, na prática, ao cancelamento de toda a operação, deflagrada em março do ano passado.
O julgamento desta não foi concluído. O ministro Og Fernandes pediu vista do processo. A encrenca só volta à mesa quando ele concluir sua análise.
Normalmente, as turmas do STJ são compostas de cinco juízes. Com uma cadeira vaga, a sexta turma tem quatro membros.
Além de Maria Thereza (presidente) e Og Fernandes, integram a turma dois magistrados convocados: Celso Luiz Limongi, Haroldo Rodrigues.
É nesse pedaço do STJ que estão sendo analisadas as provas da Castelo de Areia. No miolo da querela está um debate sobre a legalidade dos procedimentos.
Em essência, os defensores da Camargo Corrêa sustentam que a investigação da Castelo de Areia contém interceptações telefônicas ilegais.
Alegam que os grampos foram autorizados pela 6ª Vara Criminal em São Paulo com base numa denúncia anônima, que teria dado origem à operação.
Anotam na petição que a escuta telefônica, prevista em lei como medida excepcional, não poderia ter sido escorada apenas em denúncia de personagem desconhecido.
Representado no STJ pela subprocuradora-geral da República Elizeta Ramos, o Ministério Público contestou a versão dos advogados da construtora.
A Procuradoria argumentou que os grampos foram autorizados depois da inquirição de um réu-colaborador.
De resto, argumenta que foram agregadas aos autos da Castelo de Areia provas recolhidas de uma outra ação da Polícia Federal.
Chama-se Operação Downtown. Nessa investigação perscrutava-se a ação ilegal de doleiros.
Entre eles Kurt Paul Pickel, que depois apareceria como prestador de serviços a executivos da Camargo Corrêa.
A íntegra do voto da ministra Maria Thereza é desconhecida. A peça não foi levada à página do STJ na web, como costuma acontecer. Porém...
Porém, o blog apurou que a ministra deu razão aos advogados da Camargo Corrêa. Se prevalecer, a posição da ministra fulminará a operação.
Por quê? Foi com base nos indícios de malfeitos que soaram nos grampos que a Justiça determinou a realização das batidas policiais da Castelo de Areia.
Batidas como a exposta na foto lá do alto, realizada na sede da Camargo Corrêa.
Recolheram-se nessas operações de busca e apreensão documentos que deram concretude à operação. Anulando-se os grampos, anula-se todo o resto.
Em decisão de janeiro de 2010, o ministro Cesar Asfor Rocha, à época presidente do STJ, determinara a suspensão da Operação Castelo de Areia.
O despacho de Asfor Rocha, por liminar, depende de confirmação. É nesse ponto que entra a 6ª turma do tribunal.
Depende desse julgmento a continuidade de 19 inquéritos da PF e o andamento de 32 representações encaminhadas pela Procuradoria a vários órgãos públicos.
Está na dependência da decisão do STJ também o destino de uma ação penal já aberta contra três executivos da Camargo Corrêa.
Nesse processo, os mandachuvas da construtora são acusados dos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O mundo político aguarda com vivo interesse a decisão do STJ. Apura-se também na operação o suposto pagamento de propinas a cerca de 200 políticos.
Escrito por Josias de Souza às 23h37
Castelo de Areia: relatora do STJ vota pela anulação
Sem alarde, a 6ª turma do Superior Tribunal de Justiça começou a julgar um recurso que pode levar à anulação de toda a Operação Castelo de Areia.
Em sessão realizada nesta terça (14), a ministra Maria Thereza de Assis Moura, relatora do processo, proferiu o seu voto.
Ela acolheu alegações dos advogados da Camargo Corrêa. Votou a favor da anulação de parte das provas levadas aos autos pela PF e pelo Ministério Público.
São provas vitais. Sem elas, chega-se, na prática, ao cancelamento de toda a operação, deflagrada em março do ano passado.
O julgamento desta não foi concluído. O ministro Og Fernandes pediu vista do processo. A encrenca só volta à mesa quando ele concluir sua análise.
Normalmente, as turmas do STJ são compostas de cinco juízes. Com uma cadeira vaga, a sexta turma tem quatro membros.
Além de Maria Thereza (presidente) e Og Fernandes, integram a turma dois magistrados convocados: Celso Luiz Limongi, Haroldo Rodrigues.
É nesse pedaço do STJ que estão sendo analisadas as provas da Castelo de Areia. No miolo da querela está um debate sobre a legalidade dos procedimentos.
Em essência, os defensores da Camargo Corrêa sustentam que a investigação da Castelo de Areia contém interceptações telefônicas ilegais.
Alegam que os grampos foram autorizados pela 6ª Vara Criminal em São Paulo com base numa denúncia anônima, que teria dado origem à operação.
Anotam na petição que a escuta telefônica, prevista em lei como medida excepcional, não poderia ter sido escorada apenas em denúncia de personagem desconhecido.
Representado no STJ pela subprocuradora-geral da República Elizeta Ramos, o Ministério Público contestou a versão dos advogados da construtora.
A Procuradoria argumentou que os grampos foram autorizados depois da inquirição de um réu-colaborador.
De resto, argumenta que foram agregadas aos autos da Castelo de Areia provas recolhidas de uma outra ação da Polícia Federal.
Chama-se Operação Downtown. Nessa investigação perscrutava-se a ação ilegal de doleiros.
Entre eles Kurt Paul Pickel, que depois apareceria como prestador de serviços a executivos da Camargo Corrêa.
A íntegra do voto da ministra Maria Thereza é desconhecida. A peça não foi levada à página do STJ na web, como costuma acontecer. Porém...
Porém, o blog apurou que a ministra deu razão aos advogados da Camargo Corrêa. Se prevalecer, a posição da ministra fulminará a operação.
Por quê? Foi com base nos indícios de malfeitos que soaram nos grampos que a Justiça determinou a realização das batidas policiais da Castelo de Areia.
Batidas como a exposta na foto lá do alto, realizada na sede da Camargo Corrêa.
Recolheram-se nessas operações de busca e apreensão documentos que deram concretude à operação. Anulando-se os grampos, anula-se todo o resto.
Em decisão de janeiro de 2010, o ministro Cesar Asfor Rocha, à época presidente do STJ, determinara a suspensão da Operação Castelo de Areia.
O despacho de Asfor Rocha, por liminar, depende de confirmação. É nesse ponto que entra a 6ª turma do tribunal.
Depende desse julgmento a continuidade de 19 inquéritos da PF e o andamento de 32 representações encaminhadas pela Procuradoria a vários órgãos públicos.
Está na dependência da decisão do STJ também o destino de uma ação penal já aberta contra três executivos da Camargo Corrêa.
Nesse processo, os mandachuvas da construtora são acusados dos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O mundo político aguarda com vivo interesse a decisão do STJ. Apura-se também na operação o suposto pagamento de propinas a cerca de 200 políticos.
Escrito por Josias de Souza às 23h37
PS: Primeiramente, é bom saber que estamos sob o império da legalidade e que caminhamos a passos largos na direção da civilização. Por outro lado, será que estes policiais não vão crescer nunca? Ou pensam que a vida é uma eterna infância, com brincadeiras no entorno do quarteirão? Ou é tudo despreparado, incapacitado para a profissão...
PS2:Venhamos e convenhamos: não é possível ser um Juiz ou um Delegado estabanados, que posam de herói para depois ou ser candidato (que é o que sempre quis - ganhar no mole sem trabalhar) ou vender livros. Em resumo: ficar famoso. Nem que isso comprometa uma ou duas operações. Parece que a vaidade fala mais alto. Não preciso citar nomes... uma pessoa mínimamente informada sabe de quem falo, afinal estavam nos jornais, nas tv's e tudo o que têm direito...
PS3: Josias de Souza não carece de apresentação...
Os bois agradecem
Os bois de seu Juvenal dormiam mal, mal, mal...
até que iniciou a propaganda eleitoral.
Moral da história: tudo tem uma finalidade.
Ricardo Fabião
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Os bois agradecem,
Ricardo Fabião
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Catar feijão

Catar feijão se limita com escrever:
jogam-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na da folha de papel;
e depois, joga-se fora o que sobrar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco
Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados
entre um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebra dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a com risco.
João Cabral de Melo Neto, Recife (1920-1999)
As Janelas Do Meu Quarto

Tenho quarenta janelas,
nas paredes do meu quarto,
sem vidros nem bambinelas,
posso ver através delas,
o mundo em que me reparto.
Por uma entra a luz do sol,
por outra a luz do luar,
por outra a luz das estrelas,
que andam no céu a rolar.
Por esta entra a Via Láctea,
como um vapor de algodão,
por aquela a luz dos homens,
pela outra a escuridão.
Pela maior entra o espanto,
pela menor a certeza,
pela da frente a beleza,
que inunda de canto a canto.
Pela quadrada entra a esperança,
de quatro lados iguais,
quatro arestas, quatro vértices,
quatro pontos cardeais.
Pela redonda entra o sonho,
que as vigias são redondas,
e o sonho afaga e embala,
à semelhança das ondas.
Por além entra a tristeza,
por aquela entra a saudade,
e o desejo, e a humildade,
e o silêncio, e a surpresa.
E o amor dos homens, e o tédio,
e o medo, e a melancolia,
e essa fome sem remédio,
a que se chama poesia.
E a inocência, e a bondade,
e a dor própria, e a dor alheia,
e a paixão que se incendeia,
e a viuvez, e a piedade.
E o grande pássaro branco,
e o grande pássaro negro,
que se olham obliquamente,
arrepiados de medo.
Todos os risos e choros,
todas as fomes e sedes,
tudo alonga a sua sombra,
nas minhas quatro paredes.
Oh janelas do meu quarto,
quem vos pudesse rasgar,
com tanta janela aberta,
falta-me a luz e o ar.
António Gedeão
Releitura da Bíblia... ou Bíblia para modernos
Então, Deus chamou Noé e disse:
"Faz um Back-up que Eu vou formatar"
Galeno Garbe
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