quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Yngwie .J. Malmsteen - Sarabande [HD 1080p]

Joe Satriani - Clouds Race Across the Sky

Deep Purple, London Symphony Orchestra & Miller Anderson - Pictured With...

DEEP PURPLE Sometimes I Feel Like Screaming HD

Imaginar é...

Hitchcock, por Philippe HalsmanImaginar é o princípio da criação.

Imaginamos o que desejamos, queremos o que imaginamos e, finalmente, criamos aquilo que queremos.


George Bernard Shaw, dramaturgo irlandês nascido em Dublin.

(1867-1950)

Saudades...


Bom dia...

depois de muitos meses sem postar nada....

publico minhas saudades...

Beijos...

Leca

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Da série toda nudez será colorida

a noite pede música

Yundi Li plays Chopin Nocturne Op. 9 No. 2

Yiruma - Kiss The Rain (Full Version)



KISS THE RAIN

Lembro-me que chovia no meu passado
Grossas gotas, mornas, acolhedoras
Cada uma me lambuzando a face e os lábios
Em suaves beijos de amor primeiro
Lembro-me de imaginar ser tudo possível
Mirando-as a engrossar a correnteza
Vendo-as partir nos rumos de outras vidas
Com a certeza de que regressariam de novo
Imaginava que me trariam notícias de lá
Lembro-me de as ver chegar em cada ano
As mesmas chuvas que eu tinha beijado
Incessantemente prisioneiras entre a nuvem e o charco
Brilhando em tons de azul sob o sol tropical
Lembro-me que chovia no meu passado
E eu imaginava que tudo era possível


Lembro-me que chovia no meu passado. Grossas gotas, mornas, acolhedoras, cada uma me lambuzando a face e os lábios, em suaves beijos de amor primeiro. Cristais líquidos escorrendo no pano da tarde. A terra vermelha fumegava cios. Lembro-me de imaginar ser tudo possível, mirando-as a engrossar a correnteza, vendo-as partir nos rumos de outras vidas com a certeza de que regressariam de novo. Imaginava que me trariam notícias de lá.
Lembro-me de as ver chegar em cada ano, as mesmas chuvas que eu tinha beijado, gotejando beirais, incessantemente prisioneiras entre a nuvem e o charco, brilhando em tons de azul e vermelho sob o intenso sol tropical.
Lembro-me que chovia no meu passado, e eu ainda imaginava que tudo era possível.

Murar o medo - Mia Couto






O medo foi um dos meus primeiros mestres. Antes de ganhar confiança em celestiais criaturas, aprendi a temer monstros, fantasmas e demônios. Os anjos, quando chegaram, já era para me guardarem, os anjos atuavam como uma espécie de agentes de segurança privada das almas. Nem sempre os que me protegiam sabiam da diferença entre sentimento e realidade. Isso acontecia, por exemplo, quando me ensinavam a recear os desconhecidos. Na realidade, a maior parte da violência contra as crianças sempre foi praticada não por estranhos, mas por parentes e conhecidos. Os fantasmas que serviam na minha infância reproduziam esse velho engano de que estamos mais seguros em ambientes que reconhecemos. Os meus anjos da guarda tinham a ingenuidade de acreditar que eu estaria mais protegido apenas por não me aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura, do meu território. O medo foi, afinal, o mestre que mais me fez desaprender. Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizonte vislumbravam-se mais muros do que estradas. Nessa altura, algo me sugeria o seguinte: que há neste mundo mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas.

No Moçambique colonial em que nasci e cresci, a narrativa do medo tinha um invejável casting internacional: os chineses que comiam crianças, os chamados terroristas que lutavam pela independência do país, e um ateu barbudo com um nome alemão. Esses fantasmas tiveram o fim de todos os fantasmas: morreram quando morreu o medo. Os chineses abriram restaurantes junto à nossa porta, os ditos terroristas são governantes respeitáveis e Karl Marx, o ateu barbudo, é um simpático avô que não deixou descendência. O preço dessa narrativa de terror foi, no entanto, trágico para o continente africano. Em nome da luta contra o comunismo cometeram-se as mais indizíveis barbaridades.

Em nome da segurança mundial foram colocados e conservados no Poder alguns dos ditadores mais sanguinários de toda a história. A mais grave herança dessa longa intervenção externa é a facilidade com que as elites africanas continuam a culpar os outros pelos seus próprios fracassos. A Guerra-Fria esfriou mas o maniqueísmo que a sustinha não desarmou, inventando rapidamente outras geografias do medo, a Oriente e a Ocidente.
Para responder às novas entidades demoníacas não bastam os seculares meios de governação. Precisamos de investimento divino, precisamos de intervenção de poderes que estão para além da força humana. O que era ideologia passou a ser crença, o que era política tornou-se religião, o que era religião passou a ser estratégia de poder. Para fabricar armas é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos é imperioso sustentar fantasmas. A manutenção desse alvoroço requer um dispendioso aparato e um batalhão de especialistas que, em segredo, tomam decisões em nosso nome. Eis o que nos dizem: para superarmos as ameaças domésticas precisamos de mais polícia, mais prisões, mais segurança privada e menos privacidade.
Para enfrentarmos as ameaças globais precisamos de mais exércitos, mais serviços secretos e a suspensão temporária da nossa cidadania. Todos sabemos que o caminho verdadeiro tem que ser outro. Todos sabemos que esse outro caminho começaria pelo desejo de conhecermos melhor esses que, de um e do outro lado, aprendemos a chamar de “eles”. Aos adversários políticos e militares, juntam-se agora o clima, a demografia e as epidemias. O sentimento que se criou é o seguinte: a realidade é perigosa, a natureza é traiçoeira e a humanidade é imprevisível. Vivemos – como cidadãos e como espécie – em permanente limiar de emergência. Como em qualquer estado de sítio, as liberdades individuais devem ser contidas, a privacidade pode ser invadida e a racionalidade deve ser suspensa.
Todas estas restrições servem para que não sejam feitas perguntas incômodas como estas: por que motivo a crise financeira não atingiu a indústria de armamento? Por que motivo se gastou, apenas o ano passado, um trilhão e meio de dólares com armamento militar? Por que razão os que hoje tentam proteger os civis na Líbia, são exatamente os que mais armas venderam ao regime do coronel Kadaffi? Por que motivo se realizam mais seminários sobre segurança do que sobre justiça? Se queremos resolver (e não apenas discutir) a segurança mundial – teremos que enfrentar ameaças bem reais e urgentes.
Há uma arma de destruição massiva que está sendo usada todos os dias, em todo o mundo, sem que seja preciso o pretexto da guerra. Essa arma chama-se fome. Em pleno século 21, um em cada seis seres humanos passa fome. O custo para superar a fome mundial seria uma fração muito pequena do que se gasta em armamento. A fome será, sem dúvida, a maior causa de insegurança do nosso tempo. Mencionarei ainda outra silenciada violência: em todo o mundo, uma em cada três mulheres foi ou será vítima de violência física ou sexual durante o seu tempo de vida. É verdade que sobre uma grande parte de nosso planeta pesa uma condenação antecipada pelo fato simples de serem mulheres. A nossa indignação, porém, é bem menor que o medo.
Sem darmos conta, fomos convertidos em soldados de um exército sem nome, e como militares sem farda deixamos de questionar. Deixamos de fazer perguntas e de discutir razões. As questões de ética são esquecidas porque está provada a barbaridade dos outros. E porque estamos em guerra, não temos que fazer prova de coerência, nem de ética e nem de legalidade. É sintomático que a única construção humana que pode ser vista do espaço seja uma muralha. A chamada Grande Muralha foi erguida para proteger a China das guerras e das invasões. A Muralha não evitou conflitos nem parou os invasores. Possivelmente, morreram mais chineses construindo a Muralha do que vítimas das invasões que realmente aconteceram. Diz-se que alguns dos trabalhadores que morreram foram emparedados na sua própria construção. Esses corpos convertidos em muro e pedra são uma metáfora de quanto o medo nos pode aprisionar. Há muros que separam nações, há muros que dividem pobres e ricos. Mas não há hoje no mundo, muro que separe os que têm medo dos que não têm medo. Sob as mesmas nuvens cinzentas vivemos todos nós do sul e do norte, do ocidente e do oriente. Eduardo Galeano escreveu sobre o medo global: “Os que trabalham têm medo de perder o trabalho. Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho. Quando não têm medo da fome, têm medo da comida. Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas, as armas têm medo da falta de guerras. E, se calhar, acrescento agora eu, há quem tenha medo que o medo acabe.


é invisível 
 o beijo da luz: sopros
nos pores do sol



(Luiza Maciel Nogueira)



segunda-feira, 28 de novembro de 2011

a noite pede música


imagem google




Neste espelho há uma surpresa
a cada dia.
veja-se criança... jovem,
na idade que quiser
veja-se pai ou mãe
veja-se mulher

 Escute o espelho
Ele tem muito a dizer
É experiente, já viu mil faces
Chorou e sorriu com você
Fez-se em cacos.  em sua tristeza.
Depois sorriu com a efêmera beleza
que você quis ver.

Escute....
O que tem a dizer....
É que você
é naquele instante,
apenas o que quer ver

TALVEZ


Talvez…
Se um dia
Talvez
Porque não?
Eu puder sentir
Talvez
O pulsar do teu coração
Ou ter-te
Ter-te sim
Talvez
Assim
Perto de mim
E sentir-te
Sentir-te sim
Talvez só ver-te…
Se chegar essa vez
Talvez
Talvez um dia
O dia chegue
Talvez
Talvez sim
Talvez não

fmartaneves
28/11/2011

De William Shakespeare

Não. Tempo, não zombarás de minhas mudanças!

As pirâmides que novamente construíste

não me parecem novas, nem estranhas;

apenas as mesmas com novas vestimentas.

VIDA

Latejam-me as veias
Por onde circulam palavras de impaciência
Em cadências loucas de ritmos distantes
Vincando rugas mágicas na pele da alma
Oceanos de luz invadem-me em golfadas
Noites e dias explodindo perto de mim
Mil sóis vagabundos penetram-me o corpo
E tremo sozinho febres de tanto esperar
Ainda assim, latejam-me as veias
No ritmo de tantas inquietas solidões
Arrisco-me nas profundezas do grande mar
Apalpando às cegas cada onda que passa
Procura incessante de outras solidões iguais
Ateio labaredas nos céus de cor violeta
Voo entre elas no dorso dos mais velhos dragões
E convoco todos os feiticeiros disponíveis
Latejam-me demasiado as veias
De imaginar tanta vida para palmilhar ainda
E tanto desencontro no caminho em frente

GED

02 Yiruma: May Be

TALVEZ

Talvez
A vida não seja apenas estilhaços
E não seja tão duro crescer
Dançando sempre num baile de cicatrizes
Talvez
Haja um tempo de sorrir à morte
Fitar a fera de olhos confiantes
E dizer-lhe sereno que não venceu a batalha
Talvez
Os crepúsculos anunciem o orvalho das manhãs
As fogueiras sejam realmente dragões
Contando histórias na lingua velha
Talvez
Haja amores que sejam eternos
E que todos os rios circulem nas veias
Flutuando alucinações e desejos contidos.
Talvez
Haja um tempo de sussurros cristalinos
Com libelinhas dourando sob o sol.

sábado, 26 de novembro de 2011

Twilight - Clair De Lune, Debussy

DE ONDE EU VENHO

De onde eu venho
Não há talvez nem indecisões
Nenhum rio é de sim e não
E todos, todos nascem no mar
Terra é terra, fogo é fogo
E nenhuma água jamais o dissipará
De onde eu venho
Libelinhas azuis vagueiam no crepúsculo
E pirilampos acendem as noites
Enquanto girassóis se ausentam de danças
Em redor de cada fogueira ateada
Cada homem empenha sua palavra firme
Fundida no fogo dos seus ancestrais
De onde eu venho
Há memórias de bemquerer
Salpicando as espumas do grande mar
As mulheres podem vestir cetins negros
Porque nenhuma dança será recusada
E nenhum amor, nunca vacilará
De onde eu venho
Serpenteiam brilhantes as veias da terra
Num rumor liquido e sagrado
Amparando amores prometidos e cumpridos
Enquanto majestosos bagres deslizam serenos
Nos rios de todas as memórias
De onde eu venho
Cada homem é a sua palavra.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011


imagem google


Canto a noite, conto o vento
e os espaços que se afeiçoou
a nós,  a nossos hábitos e sóis
Quando os pássaros se comovem
sentem o ar mais dilatado
e num vôo comovido
tempo de paz e abrigo.

Já não estamos  sós.
Temos a noite, os pássaros
Cantando em solo para nós

Conjunto António Mafra - Sete e pico - Maia - Na. Sra. Bom Despacho 2010




BOM FIM DE SEMANA!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Alguns amores



imagem google





Amar é estar sempre livre
Para amar o que quiser
Amo palavras que em mim
Amanhecem
Amo pensamentos
que em sonhos
acontecem
Pássaros e cores
Estão na lista
Na enorme pista
Dos meus amores
Pessoas, dispenso
Me desconcentram
Do que gosto
Poesia música, poemas
Animais e flores
São estes meus amores

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Em movimento





2º Encontro O que é isso? de Dança

Debates - Oficinas - Apresentações
 
Confira a programação completa.

“A imagem de uma mulher tecendo em uma roca é a que mais define a minha poesia."


Entrevista com a poeta Eleonora (Betina) Marino Duarte




Desfiar, fiar-se, confiar, ter fé: no amor, na palavra, no que for. Seguir o fio mantendo o prumo e a fibra. Betina tem se esmerado em seguir-se, sem se perder de vista, colhendo imagens visuais que remetam às suas próprias [imagens estético-verbais], mantendo o sopro e a flama, reacendendo brasas, de tempos em tempos. Suspeito que o fio de sua roca seja vermelho. Ou laranja.

(Marcelo Novaes, poeta e escritor)


Corre Córrego Correio Corrente

(Eleonora Marino Duarte)

A luz da tarde anuncia em carta:
Ele virá ao teu estado de amor!


Do meu peito saltam acrobatas,
Tomam a rua, distribuem flores,


Uma lua particular se reserva
paisagem na janela dos olhos.


Entre dentes as frases obscenas
Já ensaiam o desfigurado balé.


Eu me pergunto se deveria tecer
Uma colcha, uma rede, um pano,


Aguardar tranqüila e sem esforço
Até que se deite aqui o homem.


Invariável meu desejo reage,
Salta sobre mim a fúria de ter-te!

RV - BB, minha irmã querida, você acredita que exista algo que seja pra sempre nesta vida? (Walkiria Rennó)

E - Wal... eu costumo dizer que para ‘’o sempre’’ só ‘’o nunca’’. O tempo nos faz acreditar que tudo passa. A mente nos faz acreditar que tudo fica. Passo e fico, como o universo. Mas acho belo que tentemos reter em nós algumas coisas preciosas, mesmo cientes de que passarão. Acho essencial que o artista, por exemplo, tente, deseje e acredite poder reter em si o sentimento, o instante, o momento e o queira transformar em eternidade através de sua obra. É inútil, mas é de uma beleza inenarrável!

RV - Fora o café e a pipoca, quais as cinco coisas que você não vive sem, nesta vida, quiçá em outras? (Walkiria Rennó)

E - Risos e mais risos para você, minha íntima! Por ordem de chegada, sem valer a pipoca e o café...  as cinco coisas são ler, escrever, acreditar, duvidar, amar.

RV - Neste mundo virtual, onde se encontra de tudo um pouco, sem dúvida estamos aqui a conversar com uma das escritoras de maior competência e consistência que conheci ultimamente. Alguém que respeita e conhece profundamente a força da palavra. Uma demonstração disso é a frase genial de António Ramos Rosa logo na abertura de seu blogue (versos e ideias) : “Sou alguém que espera ser aberto pelas palavras”. Imagino que suas influências literárias são muitas e muitas palavras abriram sua mente. Mas pergunto: o que espera de suas palavras em relação a quem as lê e a você própria, como autora?  (Celso Mendes)

E - Celso, obrigada por ler-me! Eu costumo dizer que poema bom é poema lido. Eu espero ser lida, sempre. Mesmo quando estou associando minha própria nudez ao verso, tudo o que desejo é chamar a atenção para a coisa que escrevi! Eu gostaria que minhas palavras lançadas agissem sobre quem as lê da mesma forma que as palavras que lançaram em minha direção, os livros, agiram sobre mim, transformando, abrindo possibilidades, sentidos, me tornando perceptiva, participativa. Não me considero escritora, me considero alguém que escreve. Se estivéssemos em um confessionário e eu fosse obrigada a lhe dizer a verdade mais secreta que carrego, eu diria que gostaria que minhas palavras pudessem me consolar de tudo o que sinto falta, de tudo o que míngua, se esvai, se perde de mim. No fundo, quero que minhas palavras sejam a minha companhia íntima!

RV - Eleonora. Não conhecia o teu trabalho mas ao olhar a sua escrita percebi uma voz feminina que sente um abandono, uma voz às vezes frágil no sentido da fraqueza da pessoa não dos versos. Gostaria de saber como é o teu processo de escrita, e há influências e por que escreve? (Sandrio Cândido)

E - Sandrio, que legal você me perguntar algo assim! Sou medieval, não tem jeito. Minha inspiração é a espera. O poeta Marcelo Novaes me disse em um encontro nosso que sou a poeta da espera. Eu concordo. Mas em nada é biográfica tal espera, eu como mulher não espero por nada, geralmente corro na frente e chego antes no que desejo! Mas vejo uma beleza infinita em uma mulher esperando alguém, ou algo. A imagem de uma mulher tecendo em uma roca é a que mais define a minha poesia.

Sou apaixonada pela fragilidade nas pessoas. Quando me deparo com a fragilidade de alguém eu fico fascinada. Ao contrário do que se espera, é na fraqueza alheia que colho o meu verso, algo assim me inspira muito! Meu processo de escrita é relativamente simples, uma frase começa a martelar e aí paro tudo para ‘’ouvir’’ o resto da ideia, esteja eu onde estiver! Imagens também são capazes de me trazer legendas que inspiram poemas. Se há um motivo para que eu escreva é o de querer me expressar, pura e simplesmente. Mas... há o caso de eu estar experimentando o Amor e então sou a que espera, a que tece na roca, a que é frágil...

RV - O que a blogosfera significa em tua trajetória? (Sandrio Cândido)

E - Tudo. Sem ela eu provavelmente ainda estaria escrevendo em meus cadernos de colagens e poemas apenas para mim e sem dividir nada com ninguém. Não conheceria a gama de poetas que conheço, nem teria a chance de ler a quem eu gosto de ler.


RV- Como foi que a literatura entrou na sua vida? Através de quem, de que meio, há quanto tempo? (Paulo Roberto Sabino)

E - Querido, eu fiquei tão feliz quando você aceitou participar!!! Tenho por você a mais profunda admiração e se te lesse há 7 anos provavelmente você seria para mim uma inspiração. Em minha casa na infância havia uma imensa estante de jacarandá, linda, clara, lotada de nomes da literatura mundial. Eu os li a todos, desde que aprendi a ler. Como era uma criança relativamente tímida e fechada em uma concha de sonhos, os livros foram os meus melhores amigos e meus grandes parceiros. A grande coisa que me aconteceu culturalmente foi eu ter a curiosidade de folhear o primeiro, aos oito anos. Era um J. Cronin, ‘’Os deuses riem’’, texto para teatro que havia sido montado no Brasil, tendo a Tônia Carreiro e o Paulo Autran como personagens principais. O fato de ser escrito em forma de texto teatral e de haver fotos da montagem me levaram a ler o livro. Nunca mais houve volta da viagem de ler. Atribuo ao escocês A. J. Cronin o meu batismo na literatura mundial. Antes dele só o Orígenes Lessa nos maravilhosos livros extraclasse, da escola, por coincidência também com um texto escrito em forma de teatro em ‘’É conversando que as coisas se entendem’’. Me lembro de todos os livros que li, mas não me lembro de todos os filmes a que assisti, e olha que os livros foram em maior número!

RV- Quais autores incitaram o seu amor pela literatura? (Paulo Roberto Sabino)

E – A.. J. Cronin, Victor Hugo, Drummond, acho que é a minha tríade sagrada, depois aparecem o Rosa, Érico Veríssimo, o Manuel Bandeira, e finalmente e definitivamente, Neruda, Quintana, Manoel de Barros e o rei Garcia Márquez. São os primeiros, os que me libertaram para o mundo.


RV - Que amor veio primeiro: o amor pela prosa ou pela poesia? (Paulo Roberto Sabino)

E- Pela prosa, certamente.

RV - Quais poetas, hoje, mais te influenciam? (Paulo Roberto Sabino)

E - Gosto, amo, venero o Antônio Cícero e o português António Ramos Rosa. Digo sem qualquer sensação de ser injusta com todos os outros poetas fantásticos que existem ou que ainda surgirão. É preciso escolher os que te significam algo de íntimo, para direcionar o amor. Porém, não posso dizer que recebo influencias nem de um, nem de outro, são ídolos, ícones, inatingíveis ao meu desejo de ser poeta. Posso no entanto dizer sem medo de errar que o poeta que mais tem me influenciado no momento é o português Francisco Coimbra e seus heterônimos e pedras de palavras em verso e prosa.

RV -) Um verso que sintetize Eleonora Marino Duarte: (Paulo Roberto Sabino)

E - Em verso meu digo: ‘’Atravesso a vida sem balsa/O rio é a pedra que desmanchou.’’

De outro poeta eu digo sempre ANTÓNIO RAMOS ROSA: ‘’Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra’’


RV- Quem é mais nociva ao status quo: a gêmea boa ou a gêmea má? (Tuca Zamagna)

E - Tuca, a gêmea boa, pois ela me submete ao amor incondicional sem me dar condições de defesa.

RV - Qual é a sua ligação com os felinos? (Cris de Souza)

E- Independência e elegância, afago delicado e olhos que enchargam na escuridão. Com os felinos me sinto bruxa de verdade.

RV - A poesia é mística por natureza? (Cris de Souza)

E - A natureza é mística por poesia. É mística, sem dúvida. Assim como todas as artes e todo o pensamento criativo. não há mistério maior do que a força que impulsiona alguém ao ato de criar.  Ao criar somos imagem e semelhança com a inteligência da Natureza que nos criou. A criação é mística, sempre.

RV - Sempre achei tarefa dificilima decifrar um poeta.  E o poeta , apesar de radicado no espirito da palavra, nunca forneceu as diretrizes para  se chegar a esse fim.  Penso que o poeta quer mesmo é ser focado sob vários ângulos,.o que lhe assegura um encantamento misterioso.   Eleonora , querida poeta, fale um pouco sobre a sua aliança com a poesia.,  sobre seus rituais , e sobre o seu processo de criação (Moisés Poeta)

E - Poetas são indefiníveis, eu concordo com você, querido Moisés. Meus processos são simples, tudo o que me cerca é revestido por um lirismo que carrego na impressão e no juízo que faço das coisas.Tudo é matéria para que eu escreva. minha aliança com a poesia se dá na vontade de transformar o que é ruim e de tornar sagrado o que é bom. Só tenho um ritual para escrever, abstrair do mundo e concentrar no que guardei de impressões, das coisas que vou vendo e vivendo. Sinto uma vontade compulsiva de escrever, quase como de escapar do mundo, é como ir para uma ilha deserta e descansar de ser gente ativa e ser obervador apenas.

RV - Eleonora, em um conto, você diz que há um vício solitário nas janelas. No facebook, nos blogs e outros meios de comunicação via Internet, praticamente janelas virtuais, você também percebe essa solidão? (Lelena Camargo)

E - ‘’Eleanor Rigby picks up the rice in the church
Where a wedding has been
Lives in a dream
Waits at the window
Wearing a face that she keeps in a jar by the door
Who is it for?

All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?’’

Eu percebo a solidão em todos os lugares e acho incrível que ainda queiramos lutar contra a solidão. Veja, somos indivíduos, seres nascidos únicos, quem pensa que nossa condição não é solitária está enganado e se enganando. Porém, somos seres sociais, sociáveis e é maravilhoso que consigamos nos relacionar com outros seres únicos de forma tão fabulosa, até chegar ao ponto em que parecemos um só com quem nos é íntimo, mas não podemos perder o foco de que estamos sozinhos em nós! Uma coisa assim não pode ser considerada ruim, é nossa condição natural.

A solidão está associada à tristeza o que me parece um equívoco que só tem causado sofrimento em quem pensa que é errado e incomum se sentir só intimamente. É assim mesmo, não é errado, não é anormal. O contrário é que é temeroso, não conseguir se manter íntegro quando se constata tal condição. Coloquei a fantástica canção dos Beatles por acreditar que ela é uma imagem perfeita. Estamos todos na janela em frente aos nossos túmulos, mas qual o problema afinal? Não sabemos que nascemos mortais? É preciso que vivamos aqui e agora, sozinhos em nossa identidade mas comungando com o nosso redor e com os nossos semelhantes!


RV - Você lê em voz alta o poema enquanto o escreve ou assim que o conclui? Que gosto tem a palavra recém-nascida? (Wilden Barreiro)

E - Eu leio quando concluo. Aadoro! Sou atriz e a palavra para mim é som, sempre. O gosto da palavra recém-nascida é de des-coberta.

RV -  É forte, explícita, a sensualidade em muitos de seus poemas. Existe poesia não-sensual? (Wilden Barreiro)

E-  Existe poesia não sensual que seduz por beleza literária. A poesia é sempre sedutora, seduz até pela não sensualidade....

RV- Eleonora, quem é Betina e quem é Eleonora? Conta pra gente. A mudança de nome influenciou no processo criativo? (Tânia Contreiras)

E - Sou uma mulher romântica, quase infantil, intensa, quase erótica, e que tem dificuldade em dividir a intimidade com os outros seres ao redor. Tímida, mas atenta ao mecanismo de ser sociável. Aí estou eu. Quanto aos nomes, em nada influenciou a mudança. sou poeta, como Eleonora ou como Betina.

Betina é um nome que adoro, Moraes idem. Quando criança queria demais me chamar algo com ‘’B’’. A escolha do nome Betina se deu para que eu me desse ao prazer de me chamar como eu quisesse, de forma libertária mesmo. Nunca foi heterônimo, ou um pseudônimo, sempre foi uma outra forma de eu me chamar. Betina e Eleonora são a mesma coisa, embora esteja adorando a possibilidade que o Wilden me deu,  em uma brincadeira,  de que Eleonora sumiu com Betina e seria a gemea má que veio para botar para quebrar verbalmente. Tudo indica que vou usar a ideia de Wilden para um trabalho que diga o inverso do que eu disse  como Betina. Tem muita literatura em uma gêmea má de alguém que fez tantos versos com bons sentimentos... fico bolando as pequenas vinganças da gêmea má de betina    me divirto só com a ideia.


RV – Esse é um tema que traz sempre controvérsias, mas ocorre-me perguntar: você acredita que exista uma “poesia feminina”, um sentir diferente que se reflita na poesia de uma mulher? (Tânia Contreiras)

E- Eu gosto de poesia. Não creio que exista uma poesia feminina ou masculina, existe a forma que quisermos dar ao verso, enquanto poetas. Eu já escrevi poemas de amor assinados por um pseudônimo masculino e nenhuma mulher ou homem consegiu descobrir que se tratava de uma mulher escrevendo. Aacho que é só uma questão de exercício, de se colocar no lugar do outro e deixar-se pensar como o outro. O poeta que citei, Francisco Coimbra, ele tem um heterônimo masculino que tem uma relação amorosa com um heterônimo feminino, um homem e uma mulher vindos do mesmo escritor, e ninguém é capaz de dizer, ao lê-lo, que se trata de um homem escrevendo os poemas que ela assina. um desdobramento dentro de um desdobramento. Incrível.

RV - Reza a mitologia que durante nove noites Zeus possuiu Mnemosine e daí germinaram as nove musas: Calíope da poesia épica, Clio da História, Euterpe da música das flautas, Erato da poesia lírica, Terpsícore da dança, Melpomene da tragédia, Talia da comédia, Polímnia dos hinos sagrados e Urânia da astronomia. Você é sensytiva, animal, social, combustão, espartilho, versos, idéias, espaguete, espontânea. Como esses múltiplos te inquietam para o exercício da palavra? (Assis Freitas)

E - Me inquietam pela estética, basicamente. Sou esteticamente muito exigente quanto ao que publicar, no sentido de ter um fio de meada e um conceito. Penso muitas coisas, mas gosto de organizá-las de forma a fazerem sentido para quem  vier a ler. Como prateleiras em uma estante. O ‘Versos e ideias’’ é a cópia de meus cadernos de adolescente, com colagens, versos de amor, versos de outros poetas, retratos de quem amo, citações de quem admiro. O Sensytiva é clean, limpo como a arte cirúrgica de Alyssa Monks e por aí vai. Cada coisa em seu lugar, até o sentir tem que ter um veículo organizado para ser exposto, se quiser ser compreendido. Na minha paranóica opinião... rs

RV - Recordam-me as palavra de Milan Kundera quando afirmava que “as perguntas verdadeiramente importantes são as que uma criança pode formular - e apenas essas.”… Por ser importante, deixa-me perguntar: Que tamanho tem o amor? Quanto mundo cabe lá dentro? Onde começa esse horizonte do mundo, onde se repousa? O que diz o rubro engenho que se traz dentro do teu peito? (Leonardo B.)

E - O amor começa em mim, sempre, então é grandioso, espetacular, por eu gostar de ter dentro de mim grandes coisas. Tenho a capacidade de amar e reconheço que não se trata de algo comum, meu querido irmão. Tu bem sabes, és parecido comigo, por isso somos irmãos.

Tudo cabe dentro do amor, o mundo todo, todos os mundos, até a outra pessoa. O amor começa em mim e vai se deitar no outro. O rubro engenho me diz, ame, ame, ame.... eternamente a produzir sua farinha dourada de amor. Apesar de eu ter amado pouquíssimas pessoas, o engenho está a produzir o alimento aqui dentro todos os dias.

RV - E por trazer Kundera para este momento: “os caminhos já desapareceram mesmo da alma humana”, de dentro de nós, ou confluem num ponto imaginário? Onde esse ponto, onde o poente e nascente desse caminho? (Leonardo B.)

E - Acho que os caminhos se encontram e eis aí a beleza de caminhar. O poente e o nascente serão sempre determinados pela direção que tomarmos, decidimos o que vamos deixar nascer e o que vemos deixar morrer em nossa vida de caminhantes. Então devemos ser espertos ao caminhar e buscar ir sempre em direção ao nascente, deixando a sombra ao poente.

RV - E por sermos tantas vezes “crianças, de novo”… Já colheste a brisa? Já guardaste as lágrimas de um anjo ou provaste cristais? Conheces o avesso da flor? Diz-nos, porque sabes: onde fica o nunca? (Leonardo B.)

E- Ah... você guardou consigo as perguntas que te fiz... não sei respondê-las meu querido irmão, se soubesse alguma das respostas para as perguntas que te fiz eu escreveria versos tão magníficos quanto os teus! O que sei é que nos seis anos que nos conhecemos  vejo você respondê-las diariamente, no teu engenho de versos.

RV - Eleonora, aproveito para satisfazer mais detalhadamente uma curiosidade. Um dos blogs seus que mais aprecio é o Sensytiva, aliás, de extremo bom gosto, assim como o Mnemósine do qual você participa. Eles têm em comum a relação entre imagem (pintura, fotografia) e poesia. Eu gostaria que você falasse dessa  interseção de poéticas que parece lhe interessar muito. A imagem seria como um gatilho que dispara o poema? Como são esses vínculos sutis que, no caso, se fossem meramente descritivos seriam redundantes (o que não ocorre com você)? Você se julga uma pessoa preponderantemente "visual"? Você inventa subnarrativas para as imagens? (Marcantonio)

E - sou visual/auditiva. Uma vez que vejo uma imagem ou escuto uma palavra nunca mais esqueço a impressão que senti a respeito daquilo. só que com imagem é uma impressão limitada. Olho uma imagem e ‘’sinto’’ algo sobre ela de forma a não haverem subnarrativas ou outras observações que eu acrescente sobre a imagem. eu sinto e é aquilo ali. se quiser buscar outra coisa, outra impressão, eu busco outra imagem.

eu me interesso muito pelo estímulo visual, pelo que uma imagem desperta em mim. uma imagem é um gatilho sim, para o poema, para a prosa... agora o contrário também acontece, eu também uso o contrário, escrever e ficar horas e horas em busca da imagem ideal para o que ‘’escre-vi’’.

Mas não sou genial como você, que é poeta estupendo e artista plástico talentosíssimo! Não sei criar minhas próprias imagens, só no campo mental....


Participaram desta entrevista: Wlakiria Rennó, Celso Mendes, Sandrio Cândido, Paulo Roberto Sabino, Tuca Zamagna, Cris de Souza, Moisés Poeta, Lelena Camargo, Wilden Barreiro, Tânia Contreiras, Assis Freitas, Leonardo B., Marcantonio Costa.

Miguel Otero Silva, Soneto exótico
















Muchachita sportiva y bibelot,
astro del basket ball y del cocktail,
con tanta sal como la femme de Lot
y tanto fuego como el mismo hell.

Musa del charlestón y del fox trot
que vas a misa y lees a Voltaire,
que pones tu ilusión en un Peugeot
y no distingues entre amor y flirt.

¿Qué culpa tengo yo, si demodé
biznieto de Rodolfo, el de Murger,
no sé pedir amor con I love you?

Hélas! Pero a mi tierno je t’adore
respondes con un seco never more
como el cuervo del trágico musiú




Nota de Lisarda- Na página de Antonio Miranda-http://www.antoniomiranda.com.br- lemos o seguinte depoimento sobre Otero Silva (1908-1985):
Quando eu morava em Caracas, no final da década de 60, Miguel Otero Silva era já uma das maiores personalidades das letras e do jornalismo venezuelanos. Escritor reconhecido, dramaturgo e poeta respeitado, e proprietário do jornal mais influente da país — El Nacional. Homem da chamada “Generación del 28”, de origens marxistas e defensor da democracia. O jornal dava espaço generoso para as artes e a literatura.

Por casualidade, pelas mãos de Blanca Alvarez, que era diretora da Biblioteca Nacional (onde eu trabalhei), cheguei à diretoria do Ateneo de Caracas, a principal instituição privada da cultura do país. E a presidenta era justamente Maria Teresa Castillo de Otero Silva, então esposa do escritor e mãe de seus dois filhos. Estive com o escritor em sua casa em mais de uma oportunidade, numa delas em companhia de Darcy Ribeiro, numa homenagem ao visitante Miguel Angel Astúrias, que acabava de ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Nunca cheguei a ter intimidade com escritor, mas ganhei dele um exemplar do livro de poesias La Mar que es el Morir (publicado em 1965).

Mas nossas obras se cruzaram, por casualidade. O Ateneo montou sua sátira Don Mendo, sob a direção do talentoso diretor de teatro argentino Carlos Gimenez. E Carlos dirigiu meu texto Tu País está Feliz, com músicas de Xulio Formoso, e revesávamos, nos mesmos dias, o mesmo palco, até que o nosso sucesso acabou merecendo substituir a peça do grande escritor na temporada seguinte.

El Nacional, por obra e graça de Maria Teresa, abriu-nos as páginas com muitas e sucessivas reportagens e entrevistas sobre nossas montagens, viagens, prêmios

O gordo e o magro ao som de Santana

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

IR ALÉM


Superar limites
Ir Além:
Nem sempre
Dizer
Amém

Mudar
A direção
Da nave
(Nada de Marte:
Saturno
Com seus anéis)

Jamais contar
Até dez

Enfrentar o medo
(Frio)
Sem escudo
Sem lança
Sem capa
Sem capuz:
Sentir
No absinto
O dulçor
Do alcaçuz

Saltar mais alto
Ainda que
Um mero ano-luz

Sair
De vez
Do labirinto
Do caracol:
Buscar
O outro lado
Do muro
(Escuro?
Apagar a treva
Acender o sol)

A beleza das flores se abrindo...!!!

domingo, 20 de novembro de 2011


Extraído do blog "Brasil, mostra a tua cara!"

Canarinhos de Itabirito - Betelehemu

Integridade

Ser negra.


Na integridade


calma e morna dos dias.




Ser negra,


de negras mãos,


de negras mamas,


de negra alma.




Ser negra, negra.


Puro afro sangue negro,


saindo aos jorros por todos os poros.


O grande inimigo é identificado por Éle Semog*:


Juntaremos tantos grilhões


quanto for possível


e mais quatrocentas misérias.


Então trocaremos tudo por flores


para enfeitar o enterro


dessa coisa estranha: racismo.


Geni Mariano Guimarães, poeta, nascida em Taubaté (SP)

* Éle Semog é o pseudônimo do poeta Luís Carlos Amaral Gomes, co-autor com José Carlos Limeira de "O arco-íris negro". É fundador do grupo Negrícia-Poesia e Arte de Crioulo.

sábado, 19 de novembro de 2011

Comigo

As Melhores Fotos de 2011

Pela National Geographic segundo o Boston Globe.

Paisagem de  Bergueda, Catalunha, Espanha. (Foto  Mihaly Attila Kazsuba)


ENFRENTAMENTO: mergulhadores em  Gaiola  e um grande tubarão branco na Isla de Guadalupe. (Foto e legenda por David Litchfield / Natureza / National Geographic Photo Contest

A NUVEM: No safari não só os animais podem atrair a atenção. África do Sul, Western Cape, Aquila Safari parque. (Foto e legenda por Dmitry Gorilovskiy / Natureza / National Geographic Photo Conte

 Salar de Atacama, Chile. (Magdalena Rakita 


 Szabo Esfer - Hungria

Ex soldado americano que voltou do Afeganistão - em seu apartamento na Georgia, EUA, foto de Ashley Gauschinger 
Ashley Kauschinger
Benjamin Guez nas Montanhas Bale, Etiópia

Salvatore Picciuto Benevento Italia.
Meninas muçulmanas no Camerun (ou Camarões) Foto de Donnie Dankelman

Foto de Mei  Ratz, menino em Portland, Oregon, EUA

Foto de Mohsin Kahwar, Campo de refugiados afegãos em Punjab, Paquistão

Stephanie Zollshan, Lutador em Colorado Springs, EUA

Cristopher Belleza, foto de um fotógrafo, Illinois, EUA

Bonde em Nova Orleans, Don Chamblee

Foto de Taran Bedi - Paisagem semi-urbana na India

Wojciech Ryzinski - Alimentando pombos em Istambul, Turquia

Chapéu voando nas pirâmides no Cairo, Egito, foto de John Head.

Homem em Addis Abeba, Etiópia, foto de Jason Benovoy