quinta-feira, 28 de julho de 2011

Meu Moçambique






Minha África suburbana


Eu sei-me Moçambique,


cisterna no pecúlio dos deuses.


Um Zambeze inteiro escala a língua


escorre-me pelas pernas


ramifica nos canhoneiros,


laça os peixes inquietos nas sementes


engolfa-se nos mpipis bêbados nas timbilas.


Eu sei-me Moçambique


no cume das árvores, na sede incontinente


de minha falange, do Rovuma ao Incomati,


no xigubo terrestre dos pés descalços


e em todos os tambores que surdem


das mãos coloridas nos braços em chaga.



Tânia Tomé, Maputo (capital de Moçambique) - 1981

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Do blog Raposas ao Sul

DESTINO

Matamos o que amamos. O mais
nunca esteve vivo – nunca.
Nem um só, assim perto. A nenhum outro fere
um esquecimento, uma ausência, às vezes menos.
Matamos o que amamos. Que cesse de imediato esta asfixia
de respirar por pulmão alheio.
O ar é  lá bastante
para os dois! Não basta a terra
para os corpos juntos,
parca porra parca a ração da esperança,
tão parca como a dor de partilhar.

O homem é animal de solidões,
cervo com uma flecha no flanco
que foge e se dessangra.

Ah, mas o ódio, a sua ferida insone
de pupilas em vidro; a sua postura,
em torno, repouso e ameaça.

O cervo vai a beber e na água aparece
o reflexo de um tigre:
o cervo bebe a água e a imagem. E torna-se
- antes que o devorem (cúmplice, fascinado) –
igual ao seu inimigo.
Só damos vida ao que odiamos.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Definições definitivas...

Os nossos políticos dividem-se em dois grupos: um formado por gente totalmente incapaz e outro por gente capaz de tudo.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Redesenhada



                   Deitada de barriga para cima, espia o sol que se joga sobre os seus olhos de inventar mares e, devagar, vai sonhando a areia que percorre quando anda, descalça, a centopeia de suas palavras, palavras, às vezes, ofuscadas pelas ondas sem filtro que emanam de sua essência  redesenhada conforme as horas e o efeito de suas sombras.

Definições definitivas...

Bons tempos em que o bispo, quando comia alguém, ficava no xadrez.

Sobre a vida...





A vida não é em si nem bem nem mal: nela o bem e o mal têm o lugar que lhes dais. E se viveste um dia, vistes tudo: um dia é igual a todos os dias. Não há outra luz nem outra Itáliconoite. Esse Sol, essa Lua, essas Estrelas, essa disposição é esta mesma que vossos antepassados desfrutaram e que há de entreter vossos tataranetos.

E, na pior hipótese, a distribuição e a variedade de todos os atos de minha comédia se completam em um ano. Se tiveres prestado atenção no movimento de minhas quatro estações, tereis visto que abrangem a infância, a adolescência, a idade madura e a velhice do mundo. Ele jogou seu jogo: não conhece outro ardil senão recomeçar; sempre será assim.

Montaigne, (Michel Eyquem de ) em Ensaios - 1533-1592

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Arte poética





Olhar o rio feito de tempo e água

e recordar que o tempo é outro rio,

saber que nos perdemos como o rio

e que os rostos passam como a água.


Sentir que a vigília é outro sonho

que sonha não sonhar e que a morte

que teme nossa carne é essa morte

de cada noite, que se chama sonho.


No dia ou no ano perceber um símbolo

dos dias de um homem e ainda de seus anos,

transformar o ultraje desses anos

em música, em rumor e em símbolo,


na morte ver o sonho, ver no ocaso

um triste ouro, tal é a poesia,

que é imortal e pobre. A poesia

retorna como a aurora e o ocaso.


Às vezes pelas tardes certo rosto

contempla-nos do fundo de seu espelho;

a arte deve ser como esse espelho

que nos revela nosso próprio rosto.


Contam que Ulisses, farto de prodígios,

chorou de amor ao divisar sua Ítaca

verde e humilde. A arte é essa Ítaca

de verde eternidade, sem prodígios.


Também é como o rio interminável

que passa e fica e é cristal de um mesmo

Heráclito inconstante, que é o mesmo

e é outro, como o rio interminável.




Jorge Luís Borges, em o fazedor - Companhia das Letras

quarta-feira, 20 de julho de 2011

"GOSTO DE ME PENSAR UM CAVALEIRO CUJOS ALAMARES SÃO GIRASSÓIS ENCABULADOS COM O VERBO DO FLORIR"

Entrevista com o poeta e escritor Assis Freitas

O número mágico que dá nome ao blog do escritor e poeta Assis Freitas – Mil e um poemas – remete-nos, inevitavelmente, ao conto árabe, clássico da literatura mundial, O Livro das Mil e Uma Noites. Curiosamente, os poemas desse baiano de 49 anos, residente na cidade de Feira de Santana, trazem também a marca da infinitude e nos conduzem a um lugar desconhecido para o qual, extasiados, caminhamos, talvez em busca da unidade, da inteireza.  Uma versão masculina da Sherazade que transformou o rei Shariar e venceu a morte?
O poeta confessa que inicialmente sua intenção era mesmo alimentar um poema do outro, tecendo-os com um único fio. Embora tenha desistido da tarefa – que se mostrou demasiadamente árdua – , persiste nos leitores de seus versos a sensação de estarmos sob alguma espécie de encantamento que nos leva a buscar, a cada dia, um novo poema. Com um fôlego de causar inveja a quem vive do ofício da escrita, Assis Freitas posta um poema diariamente em seu blog e fisga-nos pela originalidade e qualidade de seus versos.
Com dois livros de contos publicados – Mapa da Cidade e Ulisses no Supermercado –, o  Poeta dos Girassóis ainda não editou o seu primeiro livro de poemas e continua sonhando com palavras quando dorme, em devaneios oníricos que dispensam as imagens e se alimentam do verbo.
Nessa entrevista informal – feita coletivamente por blogueiros poetas, escritores e admiradores de seu trabalho – , Assis Freitas revela que é “todo coração”, que almeja o imponderável da existência e se espanta diante das palavras.
Com vocês, o Poeta dos Girassóis, Assis Freitas...   

RV- Assis, conta pra gente como, onde e por que você começou a escrever? Tiveram muitas fases do Assis poeta e da poesia de Assis? (Luiza)
A - Eu costumo dizer que comecei a escrever por “inveja”. Explico: meu irmão mais velho – Moacyr Freitas – escrevia poesias e vivia reunido com um grupo de amigos. Para conseguir acesso ao grupo comecei a escrever também, isso com uns 16 anos. Moacyr abandonou a poesia e se formou em advocacia. Eu não consegui me libertar do vício até hoje. Quanto às fases, eu nunca parei muito pra pensar sob essa perspectiva. Normalmente escrevo o que me pedem as musas (rs,rs,) Mas acredito que devo ter abraçado algumas ideias e abandonado outras, e creio que estou amadurecendo um estilo, principalmente com essas poesias do mil e um poemas.
 RV - Assis, querido, o que é a escrita para você? Uma necessidade, um impulso... o que é?  (Luiza).
A - É respiração Luiza.  A poesia já faz parte do meu organismo, como pulmões, coração, cérebro.
RV - A ideia de 1001 poemas era pra ser um objetivo, um desafio, um jogo, enfim, de onde veio isso? E esse poemas, já existiam? E quando chegarmos na marca, como será? (Walkiria)
A - Um objetivo, um desafio. Eu estava vivendo um período muito conturbado, me questionando sobre o fazer literário, a sua importância, essas coisas. Então me impus (que palavrinha feia) a tarefa dos mil e um. O ineditismo também foi outra imposição. A exceção de alguns poucos poemas, o restante foi concebido no percurso e outros ainda esperam em gestação. Depois dos mil e um, quem sabe mil e dois, mil e três...
RV - Assis, a Natureza é muito presente na sua poesia, e eu cá já me apressei, há algum tempo, em dar a você o título de “o poeta dos girassóis”...rs...Pássaros, flores, mares e rios...a Natureza é uma fonte de inspiração determinante pra você?  Como você se relaciona com ela?   (Tânia)
A -. Essa é uma observação interessante. Até então não tinha me dado conta desses elementos. Mas os poemas de agora ganham esse aspecto. Não sei se intencionalmente ou intuitivamente, passei a me relacionar com um certo bucolismo que eu chamaria de regresso às minhas origens sertanejas. A coisa de ver o mar no sertão e soprar o desvario da cantiga na caatinga. Os girassóis são um fascínio inspirado em Van Gogh e remete aos ciclos da existência: o mítico dia de uma vida a se cumprir.
RV - Como vês tua poesia?   Que leituras inerem tão visível rebuscamento vocabular aos teus poemas?   (Ribeiro Pedreira)
 A - Ribeiro, eu sou um ser apaixonado pelas palavras. Eu sonho com elas. Às vezes meus devaneios oníricos não possuem imagens, são apenas povoados pelo verbo. Não sei se já lhe aconteceu de conceber um poema durante um sonho e acordar apressado para recuperá-lo. Comigo isso ocorre frequentemente e é angustiante, porque nem sempre eu consigo me lembrar da totalidade que me aparecia e se oferecia aos sentidos. Quanto às leituras, são as recorrentes. Gosto de reler os meus preferidos. Ficar repetindo trechos de narrativas ou poemas. Socorrem-me na minha angústia de escrever Rosas, Pessoas, Bandeiras, quitandas do Quintana e os moinhos de Barros.
RV - Assis, quais são os bons poetas que você descobriu na rede? Como se apropria dessa poesia e como ela se reflete na sua? (Nina Rizzi)
A - Um dos poetas que mais admiro na rede é justamente você. Gosto de dialogar com a juventude e o viço dos teus poemas. Acho tua escrita visceral. É uma espécie de doação integral que me dá uma boa dose de inveja. Claro que existe muita gente escrevendo e escrevendo com qualidade, principalmente os mais novos que carregam o fulgor da palavra e as suas descobertas. Há também os que eu considero donos de uma poética mais definida, mais amadurecida. Não vou citar nomes pois temo (e isso faz parte do carinho que dedico aos que gosto) omitir ou excluir involuntariamente. Mas é só dar uma olhada nos diálogos que empreendo nos poemas que esse universo vai se construindo.
RV - A sua poesia inscrita no blogue "mil e um poemas", tem uma temática marcadamente afetivo-amorosa. Qual a relação de suas histórias pessoais-afetivas com essa poesia: total, parcial ou puramente inventada?(Nina Rizzi)
A - Como disse Maiakovski, “eu sou todo, todo coração”. Mas é claro que quando começo a escrever, e isso faz parte o mister da escrita, tudo vira ficção. A minha história de vida só interessa quando ela passa a se integrar no universo das pessoas que me leem.  A invenção é irmã das artes. Quem foi que disse que a vida só vale pena reinventada? Acho que é isso.
RV - Que relação você estabelece entre imagens, movimento e texto? (Nina Rizzi)
 A - Ezra Pound estabeleceu as categorias de melopeia (ritmo), fanopeia (imagem) e logopeia (raciocínio).  Sempre fico atento a essas possibilidades no trabalho de composição literária. O poema deve conter esses elementos na dose certa para encantar. Cabe à magia da criação ir introduzindo os ingredientes.
RV - Talvez mais do que o número redondo mil, a unidade que se acrescenta ao teu blogue-projeto parece reenviar para o domínio da transponibilidade de barreiras impossíveis pelo homem, no seu percurso de auto e hetero-construção. Até onde pretende Assis, o homem e o poeta, chegar com estes mil e mais um poemas? (Jorge Pimenta)
A -. Eu almejo o imponderável da existência, que é ludibriar as circunstâncias da hecatombe final, quando os deuses aflitos nos remetem aos nossos próprios desígnios. Qual aquele homem que sente as trevas da caverna e cada poema é uma lamparina no percurso labiríntico. Almejo o fogo que Prometeu resolveu roubar e queima, e ensandece os nossos dias. Sei também que “um dia estarei mudo”, canto profético da Cecília, mas a minha intenção é adiar cada vez mais o momento da dissolução.
RV - Num percurso de tão largo espectro (são 1001 dias), consideras que a tua poesia segue um curso evolutivo ou, pelo contrário, cada texto é o seu próprio universo cabendo-te na mão com a mesma dose de maturidade hoje como no dia em que o concebeste? (Jorge Pimenta)
 A - . Acho que há sim uma evolução, não linear, mas em espiral. Quando a repetição é condição sine qua non do crescimento. Ao mesmo tempo, creio que cada poema é um universo e pode ser lido em sua singularidade. 
RV - Que relação existirá entre a blogosfera e o processo de construção e amadurecimento da escrita literária? (Jorge Pimenta)
A - . É tudo relativamente novo nessa relação que se vai construindo. Que ela existe, ela existe. Mas ainda não se sabe ao certo quais as veredas que conduzem à grande estrada. Há um certo desconhecimento que é inerente aos processos em formação. Talvez daqui a uns dez anos possamos ter mais clareza, e haja um passado suficiente para alimentar a crítica.
RV - Sabendo que cada vez mais gente divulga, nos seus blogues, aquilo que produz, será que, os padrões estético-literários canônicos tendem a transformar-se mais rapidamente? E, por via disso, exageramos se falarmos, hoje, de uma “nova poesia cibernética”? (Jorge Pimenta)
A - Hoje em dia é inegável o fato de que a blogosfera tem impulsionado o exercício da literatura, quiçá construindo um novo cânone ou incorporando elementos ao cânone tradicional do livro impresso. Como disse anteriormente, penso que deve se pensar as publicações virtuais como um artefato recente, um produto que está em construção e se constitui, ou se constituirá, em novo paradigma.
RV - Seus poemas, no blog, em geral não têm um fecho claro, enfático. É como se fossem capítulos do “romance” Mil e Um Poemas. Há alguma intenção nesse sentido? (Tuca)
A - A ideia inicial era de que cada poema fosse alimentado do seu anterior e assim sucessivamente. Pensei em aproveitar o último verso de cada poema para iniciar o seguinte.  Como uma colcha de retalhos em que cada fragmento fosse se incorporando e formando a totalidade. Porém, refleti que tal tarefa seria por demais penosa para mim (santa preguiça) e que custaria os meus últimos fios negros de cabelo. Desisti da tarefa. Mas eles se tocam sim, numa cadeia em espiral.
RV - O primeiro poema seu que li me pareceu muito estranho. Dali pra frente, fui me acostumando, e hoje só vou estranhar se ler algo seu que não me cause estranheza. Você percebe isso? Teria a ver com uma perplexidade ante o mistério da vida? (Wilden)
A - Eu sou atraído quase compulsivamente pelo inusitado. Convivo obcecado ante o espanto que as palavras me causam. Talvez por isso os poemas também ganhem esses contornos de estranheza, que no fundo deve ser a busca daquela originalidade perdida quando os vocábulos são aprisionados em dicionários. Gosto de me pensar um cavaleiro cujos alamares são girassóis encabulados com o verbo do florir.
RV - Você é de Feira de Santana, uma cidade próxima do recôncavo, mas construída pela força e determinação do povo sertanejo. Uma cidade que, assim como os corações sertanejos, é cosmopolita, o que me deixa cheio de orgulho, nasci em Mundo Novo. Para o sertanejo, Feira é o mundo que deu certo ou sertão de todos os lugares e povos. Em que semântica da sua poesia Feira de Santana e o lúdico sertanejo se encontram?(Edney)
A -. Ediney, Feira de Santana é outra Bahia, mas que é a mesma em suas gritantes contradições. Fui menino criado com a feira-livre, minha vó Maria tinha uma barraquinha e ia ajudá-la a armar e desarmar às segundas-feiras, o dia da feira maior. Então convivi com todo o universo que é peculiar dessa reunião de gente em comércio, troca, escambo. Admirava boquiaberto aqueles unguentos milagrosos no discurso balsâmico dos vendedores, aqueles peixes elétricos que ofereciam a panaceia da humanidade, os declamadores, repentistas, cordelistas, o canto de oferenda para frutas, legumes e verduras. Havia uma diversidade tão grande nos olhos, que a vista se perdia. Eu mesmo uma vez me perdi no meio da multidão, obnubilado por tanto oferecimento, cortesia, mesura e afeto que permeava toda a gente. Essa plêiade de lembranças muitas vezes aflora em poesia, em árias desconcertadas, no aboio perdido dos meus passos.
RV - Sua poesia tem algo de barroco é rebuscada e por vezes obscura, diferente da sua prosa. Como você se equilibra entre o fazer prosa e poesia ou essas dicotomias já estão superadas? A poesia não vive mais em formato algum? Está em tudo? Na sua prosa ou nos seus versos? (Edney)
A -. Eu me desequilibro sempre. Normalmente tem uma fase para as narrativas e uma fase para a poesia. Como estou envolvido neste projeto dos Mileumpoemas, tenho me concentrado nos poemas. O problema com as narrativas é que elas demandam certo tempo, desde a concepção até a conclusão. A poesia é mais rápida e também mais incisiva. Dificilmente a gente reaproveita um poema que não deu certo. Já as narrativas são mais passíveis de reciclagem. Por isso algumas ideias em prosa estão armazenadas esperando maturação.
RV - Caro Assis, certa feita nosso Drummond escreveu o poema Bahia: É preciso fazer um poema sobre a Bahia... / Mas eu nunca fui lá. Sendo assim, queremos saber se há e qual é a influência do torrão natal na poesia que você escreve. Ou parafraseando Caymmi, o que é que o baiano tem? Um abraço! (Fouad)
A - Bahia é mar é sertão. Raso, profundo, largo. Prato que se respira. Bahia é a entidade que paira sobre as águas, inunda. Bahia é Lucas da Feira, escravo fugitivo, mestre das emboscadas. Bahia é canto de sereia em dia de mar. Trovão que rebrilha na Serra de São de José, no bode de Uauá. Bahia é vaqueiro encourado, caatinga do coração, chão e desterro. Bahia é a ponte que cruza destinos, entroncamento de todas emoções. Bahia é festa e pranto, Bahia é o manto tricolor, é o Flu de Feira, o Touro do Sertão. Bahia é o engasgo da língua, o encosta, o encosto. O ralar das coxas quentes, a praça Castro Alves que é do povo, como o céu é a amplidão. Bahia é axé, oxente, gente. Bahia é o arco-íris de uma multidão.

RV - Percebe-se claramente uma altíssima sensibilidade e uma enorme capacidade de criar imagens dignas dos grandes poetas de nossa língua em seus poemas. Aliado à fantástica capacidade criativa que tem, passa-me uma clara erudição em sua formação. Queria que falasse de suas principais influências literárias. (Celso)
A - Costumo ressaltar dois maestros soberanos da palavra: Fernando Pessoa e Machado de Assis. Esses dois me deram a régua e o compasso. Releio-os com veneração, entusiasmo e respeito. Não à toa são dois escritores de língua portuguesa. Tenho admiração pelos franceses (Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Valéry, Balzac, Sthendal) e pelos latinos (Borges, Cortázar, Garcia Marquez, Vargas Llosa, Manuel Puig, Roberto Bolaño, Neruda).  Da nossa literatura são muitos, citaria Rosa, Clarice, Amado, Dalton Trevisan, Murilo Rubião, Drummond, Bandeira, Quintana, Cecília, Lígia, Manoel de Barros, Ricardo Ramos, Rubem Fonseca, JJ Veiga, Lima Barreto... dá uma lista enorme.
RV - Desculpando-me antecipadamente pela previsibilidade da pergunta: o que esperar de Assis Freitas após mil e um poemas? E complementando esta pergunta: existem planos para publicá-los? (Celso)
A - Mais um projeto louco ou um silencio abissal. Quanto a publicar os Mileumpoemas, é possível sim. Mas isso envolve uma logística complicada. Torço para que seja possível.
RV - Gostaria que você nos dissesse qual tipo de literatura lhe causa mais conforto, ou seja, prazer, ao fazer: prosa ou verso? E, de que maneira esse prazer chega até você? (Lalo)
A - Eu diria que escrever narrativas proporciona um orgasmo mais demorado. Tem todos os preâmbulos que envolvem as relações afetivas, as pequenas descobertas, os sussurros entremeados, a chance de repetição. A poesia é mais fogosa, uma égua no cio. Tudo acontece de repente e tem uma intensidade que afoga os sentidos. O Gullar tem poema que diz que quando a poesia chega não respeita nada. Poesia é sinônimo de iconoclastia.
RV - Onde mora o cinema na sua poesia? (Herculano)
A -. Mora em muitos flashbacks. Os versos regurgitam em cenas de Buñuel, Godard, Fellini, Resnais, Bergman, Glauber, Herzog, Visconti, De Sica, Altman e mais, mais. Já fui rato de cinema, de assistir a duas sessões em um dia. Quando escrevo penso cinematograficamente, penso em película, em trilha sonora, em longos planos e fade out.
RV - Há 1001 poemas no supermercado? (Herculano)
 A - O supermercado é a grande metáfora do capitalismo. Até livro se encontra. Originalmente o Ulisses no supermercado teria um lançamento numa dessas empresas. Mas veio o concurso e ele ganhou première tradicional.
 RV - Você está escrevendo prosa? O Ulisses no Supermercado vai ganhar um irmão? (Lelena Bípede)
A - O Ulisses tem um irmãozinho que espera recursos, patrocínio, enfim, algum projeto que possa viabilizar a publicação. São algumas narrativas recentes e outras que não foram aproveitadas no Ulisses porque já tinham sido publicadas em jornais e o regulamento do concurso submetia ao ineditismo.
RV - Quem é mais exigente com a sua escrita: a prosa ou a poesia? (Lelena Bípede)
A - A prosa e a poesia são exigentes em igual medida. Aliás, escrever é um sacrifício saboroso. Demanda agruras, quase infartos, mas também prazeres em alta soma.
RV - Escrever está mais para aprender a viver ou para aprender a morrer? (Lelena Bípede)
A - Escrever é morte e renascimento.
RV - Praia, serra, cidades ou nuvens? (Lelena Bípede)
 R. Nuvens com vista para o mar.
 RV - Assis, você faz poesia, escreve ficção, redige para jornais, se desdobra em tantos sempre com talento. Eu gostaria de saber: qual é o seu maior sonho literário? ((Janaína amado)
A - Jana meu sonho literário é ter livros publicados que cheguem aos leitores. Tenho dois livros publicados de contos, narrativas curtas. O primeiro é o Mapa da Cidade, editado artesanalmente pelo projeto literário do Museu de Arte Contemporânea de Feira de Santana, se não me engano foram confeccionados cinquenta exemplares. O segundo, O Ulisses no supermercado, foi resultado de um concurso literário da CDL da cidade, através da lei Rouanet. O prêmio consistiu na publicação de mil exemplares, sendo que cada autor selecionado recebeu 600 exemplares, os outros 400 foram destinados à divulgação e distribuição para bibliotecas públicas.  As pessoas não têm ideia de como é difícil um artista disponibilizar sua obra comercialmente. Até mesmo para se fazer a divulgação e enviar exemplares para outros estados se gasta muito com a postagem nos correios. O livro é pesado como se fosse uma mercadoria qualquer e não um produto cultural, sem qualquer regalia. Vale quanto pesa, ou melhor, paga-se o quanto pesa. Ou seja, além de lutar para conseguir a publicação, o escritor tem que se dedicar integralmente para obter qualquer retorno financeiro, o que, convenhamos, na maioria dos casos é impossível, pois a lei da sobrevivência impõe a todo cidadão uma ocupação fixa com salário para garantir o sustento.
RV - Fala, mestre! Que importância tem o título no poema? (Cris de Souza)
A - A importância eu não sei. Mas que é divertido pensar possibilidades de nomeação para um poema isso é. Você acentua um ponto que é fundamental nessa poética dos Mileumpoemas: a construção dos títulos. Até então não tinha me tocado para esse detalhe do título. Depois fui percebendo que os poemas poderiam significar mais acompanhados desse manto.
RV - Por que considera mil e um número mágico? (Cris de Souza)
A - É um numero circular, aponta para o infinito. A própria ideia das narrativas das Mil e uma Noites é essa circularidade. Como se possível prolongar indefinidamente o tempo.
RV - Assis, é evidente a presença de alusões a formas musicais nos títulos de grande parte de seus poemas, sobretudo de formas da música clássica, do barroco em diante. Como é sua relação com a música? Você ouve com frequência música clássica? E, por fim, você tem intenção de infundir conscientemente alguma musicalidade nos seus versos ou a questão aí seria mais semântica? (Marcantonio)
 A - Agora mesmo enquanto estou escrevendo ouço Bill Evans Trio e incrivelmente a canção é Alice in Wonderland (take 2). Em relação à música erudita sou fã incondicional de uns caras como Glenn Gould, o pianista mago que parecia em transe enquanto tocava, e suas interpretações de Bach; do maestro Karajan com as sinfonias de Beethoven, de Pierre Boulez com as composições de Debussy. Necessito desse conforto musical quando escrevo. Já a musicalidade da poesia essa deve ser sutil. Como aquele adágio da sinfonia inacabada de Mahler. Acho que o interior das palavras está recheado de ritmos procurando uma melodia, então é seguir a batuta.
RV - Você se propôs a postagem diária de poemas até o montante de mil e um. Como se dá isso? Você se impõe uma disciplina de composição diária ou você tem, digamos, um "estoque" de reserva? Já houve algum "pânico" de não ocorrer o poema para postar? (Marcantonio)
A - Puxa Marco, esse pânico é terrível. Mas ultimamente ganhei uma confiança para sentar ao computador e escrever o poema ou os poemas a serem postados. Tem períodos frutíferos em que o estoque cresce, porém quando escasseia o labor da composição se reveste de uma atividade de risco e assustada.
RV - Sabe-se que você escreve prosa de ficção. No entanto, pelo que vejo, você não a divulga com frequência na dita blogosfera; não há um blog do Assis prosador. Por quê? (Marcantonio)
A - Na verdade o meu blog original, aquele em que iniciei na blogosfera, é o Árvore da Poesia. Ele teve uma versão em outro provedor e foi apagado. Depois eu o recuperei no blogspot. Neste espaço eu publico poesia e prosa. O Mileumpoemas é um blog projeto com data limite.
RV - Durante um bom tempo, ao longo da história das artes, não havia a preocupação obsessiva com a produção do novo que se vê atualmente e se alastrou a partir do século XX; era frequente, pelo contrário, o artista almejar equiparar-se à tradição. Como você vê isso? Como vê a tradição? Há uma preocupação sua em distanciar-se dela? (Marcantonio)
 A - A poesia, como toda literatura em geral, já foi escrita. O que nós, escritores contemporâneos, exercitamos é uma contínua repetição que paradoxalmente teima em soar com nuances diferentes. Eu adoraria imitar, no sentido de escrever igual, Dante, Camões, Horácio, Ovídio; como não posso, então me dedico a evocar seus versos em meus poemas.

RV - Diferentemente do que ocorre com os livros de papel onde a figura do autor é preservada num plano à parte, a interatividade do mundo nético parece ter modificado a relação leitor-escritor. Não raro encontramos comentários onde é possível perceber atribuições de pessoalidade, como se autor e personagem fossem a mesma entidade em um contexto e não ficção. Como escritor e poeta, em ambas as realidades, qual é a sua percepção sobre isto? (Sueli Maia)
A -. É interessante esta relação de pessoalidade na internet. No sentido de que as pessoas acreditam, até porque a maioria dos blogs carrega a força da tradição dos diários sentimentais, que aquilo que escrevemos são vivências experimentadas no rigor da carne.  Então quando se deparam com algumas situações tendem a acreditar no sofrimento ou no prazer exercitado pela palavra poética como realidade factível.
RV - Assis, uma por dia é feito dificílimo. Como tem sido para você este desafio? (Roberto Lima)
A - Beto, todo dia eu me penitencio pelo poema. É o meu Pão de Açúcar diário que tenho de escalar. Mas, como disse o Euclides, o sertanejo é antes de tudo um forte. E eu preciso carregar a minha sina.
RV - Seu compromisso com a escrita diária fica evidente. Como é este seu processo, esta rotina? (Roberto Lima)
A - Desorganizado. Quem acredita no Assis equilibrado, lógico, meticuloso cai num grande equívoco. Eu sou relaxado, preguiçoso, adoro o ócio lúdico da música e da leitura. Se me derem o prazo de uma semana, eu faço tudo assoberbado nas últimas 12 horas. O pior é que ganhei confiança para essas loucuras e sento, e fico esperando, e digo para mim mesmo: não se desespere as coisas vão acontecer. Só que é uma confiança atônita, um misto de desespero positivo.
RV - De todos os livros que leu, qual é aquele que pode ser considerado o favorito? (Roberto Lima).
A - Esta é uma pergunta difícil. Como são muitos eu vou a contar a história de um que me intriga até hoje. O nome é GOG e o autor é um italiano chamado Giovani Papini. Esse livro ficava na estante do escritório de meu pai e foi um dos primeiros que li. Era estranho para um menino de 10 anos uma história bruxa com associações ao demoníaco. Todas às vezes que eu penso num livro, eu lembro do GOG. Então se ele me persegue é porque deve ser importante na minha vida.
RV – Assis, há algum projeto em vista? Os mil e um tem chances de se tornar um livro? (Tânia)
A - A idéia inicial era escrever os mil e um poemas e depois apagar o blog, para não ficar com essa carga do que foi escrito. Esvaziar para encher novamente. Mas a gente vai se apegando aos poemas como animais de estimação, eles se enroscam nas pernas, ficam querendo colo e, às vezes, são tão engraçadinhos que a gente tem que ninar. Colocá-los em livro pode ser uma alternativa, penso também em um e-book. Em que ao mesmo tempo se possa visualizar a palavra escrita e também exista a possibilidade explorar as potencialidades imagéticas e sonoras do verso.
RV - Assis, como você acha tempo pra fazer tudo que faz? Em especial, tempo pra produzir esses poemas maravilhosos todos os dias? (Dade Amorim)
A- Como eu disse anteriormente, no meio da minha desorganização pessoal as coisas vão acontecendo. Caetano diz que “é incrível a força que as coisas parecem ter quando elas precisam acontecer”.  Ou não. (rs,rs,)
RV - Essa inspiração que faz inveja na gente, você cultiva desde quando? Quando começou a produzir poesia? (Dade Amorim)
A -. Dade, tudo começou justamente pela inveja, rs,rs. Produzir poesia de fato, artefato poético, creio que próximo dos 18 anos.  Dessa época ainda existem alguns poemas que se sustentam. Vieram fases de fastio e algumas de produção intensa. Atualmente me sinto bafejado pelas musas (oxalá elas continuem me dando crédito) para as composições poéticas. Mas o silencio sempre amedronta.

Participaram dessa entrevista:
Luiza Maciel Nogueira - http://versosdeluz.blogspot.com/
Walkiria Rennó Suleimann - http://walkyria-suleiman.blogspot.com/
Tânia Regina Contreiras - http://roxo-violeta.blogspot.com/
Helena Bípede Falante http://bipedefalante.blogspot.com
Sueli Maia http://www.inspirar-poesia.blogspot.com
Janaína Amado




Definições definitivas...

Leio a Playboy pela mesma razão que leio a National Geographic: Gosto de ver fotografias de lugares que sei que nunca irei visitar.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Archie Roach, Took The Children Away






This story's right, this story's true
I would not tell lies to you
Like the promises they did not keep
And how they fenced us in like sheep.
Said to us come take our hand
Sent us off to mission land.
Taught us to read, to write and pray
Then they took the children away,
Took the children away,
The children away.
Snatched from their mother's breast
Said this is for the best
Took them away.

The welfare and the policeman
Said you've got to understand
We'll give them what you can't give
Teach them how to really live.
Teach them how to live they said
Humiliated them instead
Taught them that and taught them this
And others taught them prejudice.
You took the children away
The children away
Breaking their mothers heart
Tearing us all apart
Took them away

One dark day on Framingham
Come and didn't give a damn
My mother cried go get their dad
He came running, fighting mad
Mother's tears were falling down
Dad shaped up and stood his ground.
He said 'You touch my kids and you fight me'
And they took us from our family.
Took us away
They took us away
Snatched from our mother's breast
Said this was for the best
Took us away.

Told us what to do and say
Told us all the white man's ways
Then they split us up again
And gave us gifts to ease the pain
Sent us off to foster homes
As we grew up we felt alone
Cause we were acting white
Yet feeling black

One sweet day all the children came back
The children come back
The children come back
Back where their hearts grow strong
Back where they all belong
The children came back
Said the children come back
The children come back
Back where they understand
Back to their mother's land
The children come back

Back to their mother
Back to their father
Back to their sister
Back to their brother
Back to their people
Back to their land
All the children come back
The children come back
The children come back
Yes I came back.


Nota de Lisarda- Archie Roach (1956) é um cantante nascido em Australia. Mais (melhores, bah) informações visitando http://www.archieroach.com.au.

Definições definitivas...

Pessimista é o cara que acha que todas as mulheres são safadas. Optimista é o cara que espera que isso seja verdade.

Admirável Mundo Novo







Atualmente, tal é o progresso, que os velhos trabalham, os velhos copulam, os velhos não têm um instante, um momento de ócio para furtar ao prazer, nem um minuto para sentarem a pensar (...)



Aldous Huxley

Brasil, país de todos

CONVOCAÇÃO

O POVO BRASILEIRO ESTÁ CONVOCADO PARA GRANDE MANIFESTAÇÃO
PARALISAÇÃO
DIA 1º DE AGOSTO DE 2011, SEGUNDA-FEIRA
SEGUINDO O EXEMPLO DO POVO ÁRABE, QUE SE CANSOU DO GOVERNO, OS BRASILEIROS NÃO PODEM MAIS SUPORTAR / ACEITAR QUE SEUS GOVERNANTES FAÇAM DESTE PAÍS UM NEGÓCIO DE ENRIQUECIMENTO PRÓPRIO E NOS DEIXEM AO DESCASO DA IRRESPONSABILIDADE DOS ÓRGÃOS PÚBLICOS.
PRESTEM ATENÇÃO:

É O "PAÍS DO TUDO PODE"!
REFORMA POLÍTICA JÁ:
 
REFORMA JUDICIÁRIA JÁ !! REFORMA TRIBUTÁRIA JÁ !!

SOMENTE DESSA FORMA, FICAREMOS COMPETITIVOS COM O MUNDO AÍ FORA (CHINA ETC.).

JÁ NÃO TEREMOS AS REFORMAS NOS AEROPORTOS E ESTÁDIOS DE QUE PRECISARÍAMOS - A COPA E AS OLIMPÍADAS ESTÃO SE APROXIMANDO, E POUCA COISA NOS FICARÁ COMO ESTRUTURA. SERÃO DADOS ''JEITINHOS'', E PAGAREMOS ALTO, TENHA CERTEZA!

CARAS-PINTADAS EM AÇÃO: OS POLÍTICOS PRECISAM ESTAR SOB O NOSSO CONTROLE, SEREM NOSSOS FUNCIONÁRIOS, NOSSOS REAIS REPRESENTANTES.

NÃO À IMUNIDADE PARLAMENTAR! NÃO À CORRUPÇÃO!
NÃO À POUCA VERGONHA PÚBLICA!

O BRASIL PRECISA MUDAR E VOCÊ PRECISA ESTAR CONOSCO. SOMENTE UNIDOS, IREMOS MUDAR O NOSSO PAÍS.

NOSSO POVO ESTÁ MORRENDO NAS FILAS DOS HOSPITAIS PÚBLICOS, AMBULÂNCIAS E EQUIPAMENTOS COMPRADOS JÁ DERAM A ALGUM
FUNCIONÁRIO PUBLICO SUA COMISSÃO, NO ENTANTO ESTÃO PARADOS, ESTRAGANDO-SE, POIS NÃO DARÃO MAIS LUCRO, SOMENTE DESPESAS. CONTRATAÇÃO DE PESSOAL E ATENDIMENTO DA POPULAÇÃO NÃO ERAM OS SEUS PENSAMENTOS.

MOVIMENTE-SE, CRIE GRUPOS DE DIÁLOGOS, UNA-SE A OUTROS GRUPOS E ENTIDADES, PROCURE A COMUNIDADE, SUA ASSOCIAÇÃO DE BAIRRO, SEUS AMIGOS, A IMPRENSA E EMPRESÁRIOS.


SOMOS UM POVO PACÍFICO, SIM, E NÃO PRECISAMOS DA VIOLÊNCIA PARA FAZER VALER OS NOSSOS DIREITOS, MAS NÃO PODEMOS FICAR DE BRAÇOS CRUZADOS ESPERANDO ESSA CORJA DE POLÍTICOS CORRUPTOS E FORMADOS PELOS SEUS PRÓPRIOS INTERESSES SE INTERESSAREM POR NÓS. PRECISAMOS AGIR E MOSTRAR QUE NÓS OS ELEGEMOS E QUE É POR NÓS QUE ELES ESTÃO NO GOVERNO E QUE, POR MENOR QUE SEJA O DESLIZE, NÓS TEMOS O DIREITO DE CAÇAR O SEU MANDATO.
PRECISAMOS DE UMA POLÍTICA LIMPA, DE CARÁTER E SERIEDADE.
FORTALECER OS PODERES LOCAIS, COMUNIDADES E BAIRROS NO CONTROLE DE SUAS FINANÇAS E PRIORIDADES, COMO NOS EUA.

O BRASIL TEM-SE MOSTRADO UM PAÍS RICO - RICO EM PETRÓLEO, MINERAIS, TURISMO, CULTURA ETC. AGORA PRECISA APRENDER A DIVIDIR ESSA RIQUEZA COM SEU POVO, ATRAVÉS DE UMA MELHOR EDUCAÇÃO, SAÚDE PÚBLICA, SEGURANÇA E ESTRUTURA INDUSTRIAL E PRODUTIVA, PARA QUE ASSIM POSSAMOS TER UM PAÍS JUSTO E FORTE.


PROGRAME-SE, SEGUNDA FEIRA, DIA 1º DE AGOSTO, TODO O BRASIL NAS RUAS, PROTESTANDO E EXIGINDO MUDANÇAS, OU NUNCA SEREMOS LEVADOS A SÉRIO E FICAREMOS SEMPRE NO TERCEIRO MUNDO. E OS POLÍTICOS CONTINUARÃO SE ENRIQUECENDO E DESFRUTANDO OS BENEFÍCIOS DA VIDA PÚBLICA CORRUPTA.OS MINISTROS DO STF E DO STJ NÃO DEVERÃO MAIS SER NOMEADOS PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA, LULA, ALÉM DE SEU ADVOGADO PESSOAL NOMEOU TODA UMA SÉRIE DE MILITANTES DO PT DA PIOR ESPÉCIE PARA MINISTROS DO SUPREMO. DEVERÃO SER NOMEADOS POR UM COLEGIADO DE MAGISTRADOS, LEVANDO EM CONTA SUA NOTORIEDADE, CONHECIMENTO JURÍDICO E, SOBRETUDO, SUA HONESTIDADE.
CHEGA !!!!
PODEMOS EXIGIR MUDANÇAS, FAÇA A SUA PARTE !!!!
ENVIE ESSA MENSAGEM AO MAIOR NÚMERO DE PESSOAS QUE VOCÊ PUDER.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Perto das margens



                   Quando a criatura retornar do chão congelado, há de encontrar perto das margens o ser imperecível e dinâmico das horas acesas a palavras ensolaradas como as sementes de uma chama voadora, imensa e informe tal qual um incêndio sobre Roma ou sobre uma floresta equatorial de árvores e de verbos tão sonoros quanto a água ardente das letras e dos sentimentos torneados um a um pela madeira dos sonhos, sonhos ignorados até  o encontro do  afeto já sentado à frente e falante e em busca de casa, comida e roupa rasgada.

Mandela 93!

De dentro da noite que me cobre,
Preta como a cova, de ponta a ponta,
Eu agradeço a quaisquer deuses que sejam,
Pela minha alma inconquistável.

Na cruel garra da situação,
Não estremeci, nem gritei em voz alta.
Sob a pancada do acaso,
Minha cabeça está ensanguentada, mas não curvada.



Além deste lugar de ira e lágrimas
Avulta-se apenas o Horror das sombras.
E apesar da ameaça dos anos,
Encontra-me, e me encontrará destemido.

Não importa quão estreito o portal,
Quão carregada de punições a lista,
Sou o mestre do meu destino:
Sou o capitão da minha alma.

domingo, 17 de julho de 2011

Definições definitivas...

As mulheres perdidas são as mais procuradas.

Esboço para uma crônica

Hoje, em conversa com uma amiga pelo skype, descobri que ela não estava comemorando o aniversário em casa, com família e amigos, mas sim, sozinha, em Lisboa.
E falamos sobre nosso desejo de viver em estado de "viagem".
Talvez haja muito de aprendizado nisso.
Se aprendemos a viajar bem, viajaremos bem na vida. Me lembro de uma cena da peça "Hamlet, de Shakespeare, que transcrevo abaixo, quando Laertes, irmão de Ofélia, está preste a viajar e o pai o aconselha:

LAERTES — Nada receies; mas é tempo; aí vem nosso pai. (Entra Polônio) Dupla bênção, graça dupla. O acaso me concede este outro adeus.

POLÔNIO — Ainda aqui, Laertes? Para bordo! O vento se acha a tergo de tua vela; já te reclamam. Vai com a minha bênção, e grava na memória estes preceitos: Não dês língua aos teus próprios pensamentos, nem corpo aos que não forem convenientes. Sê lhano, mas evita abastardares-te. O amigo comprovado, prende-o firme no coração com vínculos de ferro, mas a mão não calejes com saudares a todo instante amigos novos. Foge de entrar em briga; mas, brigando, acaso, faze o competidor temer-te sempre. A todos, teu ouvido; a voz, a poucos; ouve opiniões, mas forma juízo próprio. Conforme a bolsa, assim tenhas a roupa: sem fantasia; rica, mas discreta, que o traje às vezes o homem denuncia. Nisso, principalmente, são pichosas as pessoas de classe e prol na França. Não emprestes nem peças emprestado; que emprestar é perder dinheiro e amigo, e o oposto embota o fio à economia. Mas, sobretudo, sê a ti próprio fiel; segue-se disso, como o dia à noite, que a ninguém poderás jamais ser falso. Adeus; que minha bênção tais conselhos faça frutificar.

Para mim, é uma regra de bem viver e destaco o trecho onde o pai diz ao filho: "Conforme a bolsa, assim tenhas a roupa." Em viagem, este é um princípio fundamental. Mas pode ser estendido para a vida toda. Ter o que pudermos carregar, pois em viagem precisamos ser econômicos, ágeis, prontos para qualquer mudança de rota. Entre outras coisas, a viagem sempre nos surpreenderá. E vale o princípio de que "o mapa não é o território". Se tudo é mudança na vida e em nosso caixão não haverá gavetas, viver em estado de viagem talvez seja o melhor modo para atravessar a aventura da vida.

Envio

Receber uma carta/
e não abri-la/
deixar que o tempo/
faça coincidir/
palavras e acontecimentos.

Receber o presente/
e não abri-lo
deixar que o tempo/
faça multiplicar/
a graça e o contentamento.

Quinteto israelense

sábado, 16 de julho de 2011

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Guernica, de Pablo Picasso

Disseste-me Em Surdina


Disseste-me em surdina, ao meu ouvido
palavras que não ouso revelar.
Todo o segredo havido entre nós dois
Só o partilharemos com o mar.

Disseste-me palavras nunca ouvidas
palavras de desejo, ciciadas,
que só os amantes pronunciam
e se fundem no som alto das vagas.

O que me disseste e o que eu te disse
p’ra sempre o haveremos de calar.
A não ser que outros amantes as escutem
na rebentação larga do mar.


Avelino de Sousa

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Definições definitivas...

Se você acredita na reencarnação, dê-me 50.000 € e eu pago na próxima.

Os Intocáveis

           

                  Nesse silêncio fortificado de ruídos, escombros de vontades sobem pelas paredes e agarram-se às imagens  pregadas aos esquadros de um azul  antes areia, antes vermelho e antes ainda amarelo, amarelo descolorido pela insubordinação de uma  mente descoagulada e não mais sufocada pelas vestes da arrogância e da manipulação de quem, de tempos em tempos, visita a sua porta, o seu lar e partilha-se feito doces em uma toalha xadrezinha de gulas e caprichos, quitutes escancarados de falatórios e falsos dramas cuspidos entre os seus sorrisos de quem nunca se condena e se diz sem remorsos e cristalino demais para ter de beber um gole de não, quiçá um copo.