sábado, 29 de janeiro de 2011

Parabéns para Gerana Damulakis


Parabéns para Eliana Mara

Rosas


Rosas

Dispo a rosa ,
Pétala por Pétala.

Tiro-lhe o galho,
Tiro-lhe as folhas,
Rasgo-lhe do caule,
Sangramos.
Dedico-lhe à mulher,
Sagrada.

Campo minado.

A rosa úmida
em gotículas
Salivadas.
A rosa crua
em sua genitália.

Pousa quente em minhas mãos,
Trêmula.
Num cálido perfume,
Gêmula.

Rompo-lhe o hímen,
mexo, rasgo,
esfrego, vibra,
cheiro, amasso,
pego, grita,
dedos, línguas,
pulsa, expulsa,
pele, repele,
espirra, goza,
néctar em mel.

Estirados num canteiro,
molhados e com cheiros
das Rosas, finalmente nua.

Alexandre Pedro

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
http://www.bn.br/portal/index.jsp?plugin=FbnBuscaEDA&radio=CpfCnpj&codPer=15918944842

Venha me visitar no Cárcere do Ser!!!
http://carceredoser.blogspot.com/

Definições definitivas...


Não existe nada de novo, excepto aquilo que se esqueceu.
"Rock journalism is people who can't write, interviewing people who can't talk, in order to provide articles for people who can't read." -- Frank Zappa

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Não tem cor



                 Meu nome não tem cor. Meus olhos são claros embora sejam escuros, são olhos em busca do firmamento. Minha pele é mutante. Minha pele é como eu a vejo, do branco ao preto, azul, marrom, pele sem geografia e atenta, pele de ritmo e de linhas. É uma pele com asas de borboleta, um tecido que me é um ninho e também o seu abandono. Minha pele me descasca, queima, acaricia, faz-me sombra e chuva, rega-me. Minha pele não existe quando eu sinto e escrevo. Quando eu escrevo, minha pele cede lugar a minha carne e a minha substância, e a minha carne e a minha substância são a minha pele e o meu nome. O meu nome não tem cor, tem amor, assim como a minha pele.

Saudades de Saramago



Penso que estamos cegos, cegos que vêem, cegos que vendo, não vêem.
Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos.
Sem memória não existimos, sem responsabilidade talvez não mereçamos existir.
Acho que na sociedade atual nos falta filosofia. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que sem ideias não vamos à parte nenhuma.
Falamos muito ao longo destes últimos anos dos direitos humanos; simplesmente deixamos de falar de uma coisa muito simples, que são os deveres humanos, que são sempre deveres em relação aos outros, sobretudo. E é essa indiferença em relação ao outro, essa espécie de desprezo do outro, que eu me pergunto se tem algum sentido numa situação ou no quadro de existência de uma espécie que se diz racional.
O egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas cobardias do quotidiano, tudo isto contribui para essa pernicosa forma de cegueira mental, que consiste em estar no mundo e não ver o mundo ou só ver dele o que em cada momento, for susceptível de servir os nossos interesses.


José Saramago (1922-2010)

Las Guitarras Belichas



Las Guitarras Belichas es un grupo musical oriundo de Belén, Catamarca, Argentina.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Venenos de Deus, remédios do Diabo


" - Tens medo de fazer amor comigo?
  - Tenho - respondeu ele.
  - Por eu ser preta?
  - Tu não és preta.
  - Aqui, sou.
  - Não, não é por seres preta que eu tenho medo.
  - Tens medo que eu esteja doente...
  - Sei previnir-me.
  -  É porquê, então?
  - Tenho medo de não regressar. Não regressar de ti."
Venenos de Deus, remédios do Diabo (Mia Couto)

"A Origem" e o Mundo Real dos Sonhos


Assisti "A Origem" (Inception) esta semana no DVD. E ontem fiquei sabendo que o filme é um dos indicados ao Oscar dos melhores de 2011. A "comissão" fez justiça, "A Origem" é uma história bem interessante e, por incrível que pareça, lógica, apesar do filme ser uma ficção científica. Diariamente nos deparamos com o "mundo dos sonhos" e quando  acordamos nunca esquecemos de tudo que sonhamos. Os "fragmentos dos sonhos" preenchem nosso inconsciente e muitas vezes tomamos decisões na vida com base naquilo que sonhamos. O sonho se torna realidade. Esse paradoxo entre o real e o virtual é o tema do "A Origem". E se, por acaso, sonhamos dentro de um sonho? E se fosse possível ingressar nos sonhos dos outros, como se fosse um ladrão de sonhos que bisbilhota, tira e ou insere idéias e valores na mente de um vivente? E no mundo das grandes corporações, onde a picaretagem parece dominar, uma idéia desse tipo é muito mais do que fascinante. Quem consegue controlar os sonhos está mais perto do poder.

O filme lembra a cultuada trilogia Matrix - a disputa que envolve dois mundos paralelos:  o real e o virtual.  Não, a história não é tão inverossímel: o mundo real também é um mundo virtual. E chegamos a nos perder e muitas vezes confundimos  o real e o imaginário, o sonho e a realidade. Os desejos que ambicionamos geralmente estão inseridos no mundo dos sonhos e podemos aceitar o desafio de tornar esse sonho uma realidade. Essa é a busca de Don Cobb (interpretado por Leo Di Caprio), um ladrão de sonhos que envolveu sua família nesse trabalho fascinante, sua mulher se perdeu no labirinto dos sonhos e nunca mais voltou e seus filhinhos queridos o esperam nos Estados Unidos, onde ele está proibido de entrar.

O trama segue quente até o final onde o desfecho é inevitável. Um dia teremos de acordar.

A Origem ´foi escrito, dirigido e produzido pelo britânico Christopher Nolan, o longa estrela Leonardo DiCaprio, Ken Watanabe, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Ellen Page, Tom Hardy, Cillian Murphy, Dileep Rao, Tom Berenger (meu Deus, como ele está velho) e Michael Caine.

4.5.7


São Paulo

São Paulo em preto e branco,
hoje cinza,
cinzas que ainda cinza
dão o tom a nossa pálida cor.

...e uma menina brilha cinzenta
na janela de cada pessoa que por ela passa,
e se for a deixar, ela garôa.

Alexandre Pedro

*Fotografia de Rafael Matsunaga
Título: Fotografando São Paulo - 2007

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
http://www.bn.br/portal/index.jsp?plugin=FbnBuscaEDA&radio=CpfCnpj&codPer=15918944842

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Expiação



serpentes de barro

rios

de silêncio

rouca

a voz das águas

silencia


ouve-se da vida um uivo

lobos se esquivam

abutres sobrevoam

enquanto

cordeiros expiam


Nydia Bonetti, Piracaia (SP)

Outros poemas no blog da poeta:

Definições definitivas...


É verdade que há vários idiotas no Parlamento, mas os idiotas constituem boa parte da população e devem estar bem representados.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

VERGONHA NACIONAL!!!

Crônica de Luiz Fernando Veríssimo sobre o "BBB"


Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado
pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A décima terceira
(está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil, encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 10 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB 10 é a realidade em busca do IBOPE..
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 10. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os “animais” do “zoológico”: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a “não sou piranha mas não sou santa”, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PMque gosta de apanhar (essa é para acabar!!!).
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a Morte da Cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?
São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..
Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis, são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína, Zilda Arns).
Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema...,estudar.... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade ********************************

Ventos do Apocalipse


" Ah, pobreza deste povo. Nem padres, nem conselheiros, nem velhos, a tribo está desorientada, somos ovelhas perdidas, somos órfãos. Mataram os velhos, mataram os novos. O povo não tem biblioteca e nem escreve. A sua história, os seus segredos residem na massa cinzenta dos antigos, cada cabeça é um capítulo, um livro, uma enciclopédia, uma biblioteca. As cabeças foram decepadas e em breve será o enterro. Semearemos entre as pedras os segredos da vida e da morte, a sabedoria da água e da nuvem. Reina em nós uma escuridão absoluta, que faremos agora? "

Ajuste musical ou O casamento perfeito das palavras com a voz ou Uma das minhas canções favoritas

A gente só se "foge"

Preciso ter muito cuidado com o que vou escrever para não ser mal interpretado, para não parecer ressentimento de excluído ou ainda para não parecer arrogante. O que me faz escrever este texto é justamente o contrário. Pensei sobre isso durante toda temporada do meu espetáculo O Corpo Perturbador e escolhi publicar no final das apresentações porque precisava me certificar de que minhas impressões estavam certas. Aqui não vai nenhuma queixa em função de pouco público o que, aliás, não aconteceu. Nosso projeto previa uma platéia de no máximo 30 pessoas por apresentação e tivemos diariamente uma média superior a previsão, tendo dias de chegarmos a mais do que o triplo do planejado. Então não é mágoa de artista abandonado pelo público. Nem tampouco um criador em crise pela falta de compreensão de sua obra. Quem esteve presente ontem no ICBA percebeu através da fala das professoras Lúcia Matos, Fafá Daltro e Iara Cerqueira a abrangência do trabalho. Quem lê os comentários no blog e no facebook pode ter uma vaga idéia de como o espetáculo atingiu seu objetivo. O que quero escrever aqui é sobre o abandono da imprensa baiana. A mídia daqui mais uma vez negligencia os trabalhos produzidos pelos pequenos artistas locais. Nenhum jornalista teve a mínima curiosidade em conhecer a proposta que trazia um tema diferenciado, inédito e relevante na cena contemporânea. Não sou eu quem fala essas palavras, repito apenas o que escutei ao longo das apresentações.
Mandamos release para todos os meios de comunicação e apenas Rita Batista, no seu programa Boa Tarde Bahia da Band, nos cedeu espaço na primeira temporada para uma entrevista. O resto foi apenas inclusão na agenda do final de semana dos jornais impressos com Ctrl+C e Ctrl+V do resumo que mandávamos. O que mais me incomoda é ver a mídia valorizar assuntos que, ao meu ver, não são tão importantes assim e ocupam um tempo enorme dos telejornais e programas. Pode ser que o que nós queremos falar também não seja tão importante quanto eu penso, mas se é por “desimportância” por que não dar um pequenino espaço para produções locais independetes?
Acho importante falar da questão da produção independente porque quando este mesmo artista participa de um evento produzido por algum teatro ou produtor maior, a mídia escancara os dentes e abre suas portas. Foi assim com meus outros dois espetáculos Judite quer chorar, mas não consegue! e Odete, traga meus mortos, quando participei do Festival Vivadança produzido pelo Teatro Vila Velha. Estive em todos os programas locais e em matérias de jornal. Lógico que um festival desse porte deve ter um espaço enorme nas grades dos programas e nas pautas dos jornais. O que questiono também é por que não ceder espaço para aqueles que não tem como pagar assessoria de imprensa? Que não tem conhecidos entre os profissionais de jornalismo? Por que não se interessar pelo que é produzido na cidade?
Hoje o Bahia Meio Dia da TV Bahia gastou minutos preciosos com o povo cantando Dar uma fugidinha na porta do ensaio da Timbalada. Depois mais outros longos minutos com o cantor Michel Teló cantando suas preciosidades. Mais uma vez acho que não é preciso excluir nada das pautas, até mesmo porque interessa ao povo, mas porque não dar oportunidade a este mesmo povo de ter acesso a coisas diferentes? Ele poder optar e ser responsável por seu próprio gosto? Na terra do Axé se produz cultura de qualidade, dança, teatro, performance, artes plásticas, audiovisual. Temos uma diversidade de corpos e cores e sons e gente. Fico muito triste pela invisibilidade dos artistas daqui. Vejo amigos (até mesmo da música) sofrerem de abandono pela imprensa porque aquele trabalho, supostamente, não interessa e não renderá o lucro esperado. Friso a música porque teoricamente é a área queridinha da mídia.
Compreendo que há falta de informação da maioria dos jornalistas, a preguiça em ser desafiado com assuntos que lhe fogem o domínio, a burrice instalada pela cultura do axé, da importância do lucro fácil, vejo como são rasas as matérias que não se aprofundam no assunto, percebemos a supervalorização do escândalo e das aberrações, mas penso que passou da hora de repensarmos essa carnavalização toda, porque o bicho está pegando na Cidade d’Oxum e pelo andar da carruagem o “jeito é dar uma fugidinha”, e desse jeito a gente só se “foge”.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Dolores por Gal e Elis...

Definições definitivas...


Uma dieta vegetariana é ideal para a beleza do corpo, afirmam os vegetarianos. Mas ela não parece ter valido muito ao elefante.

GNR - "Quero Que Vá Tudo P'ró Inferno"

Com as bençãos de Ivete

Não é novidade que meu amor por Salvador vem diminuindo nesses últimos anos. Eu sei que é uma bela cidade, pois já tive oportunidade de conhecer outros lugares do mundo e reconheço que aqui tem um encanto: é uma cidade ensolarada com pessoas que riem muito, falam alto, dançam pagode, arrocha e o que mais tocar, tomando a “brejinha” a qualquer hora do dia para não atrapalhar o serviço.

Acho que nossa relação está desgastada como casamento depois de um tempo. Nunca casei, mas conhecidos que já cometeram essa loucura afirmam que isso é normal e quando chega essa fase temos que nos apegar a Deus.

Pronto, cheguei ao ponto certo, descobri o problema. Eu não acredito em Deus pelo menos não nesses deuses apregoados pelas religiões. Como não peço para eles me ajudarem, eles não se esforçam em melhorar nada. Terei, então, que fundar uma religião e já pensei em tudo, será uma religião tipicamente baiana, genuinamente baiana. Assim vou poder usufruir um pouco mais da minha “querida” cidade que anda tão cara. O custo de vida aqui está na hora da morte.

O templo será móvel montado num caminhão, os louvores têm que descer até embaixo, vamos molhar amendoim na cerveja para o sangue escorrer pelo nosso álcool, a cada celebração usaremos camisetas coloridas com design diferente e tudo ao comando da pastora Ivete que a ela os santinhos ajudam e muito. Afinal, não queremos “preju”, não é?

Pregaremos a paz, a não violência, a tolerância, o respeito, a igualdade, os direitos e, principalmente, praticaremos tudo que falarmos.

OPS! Aí é que começo a me dar mal. Eu ainda não internalizei que para ser religião você tem que dizer uma coisa e fazer o oposto e ainda receber milhões por isso.

É, nem bem fundei meu negócio, já afundei. Que Ivete nos proteja!

sábado, 22 de janeiro de 2011

um microconto



Ouço jazz em disco vinil.

A música pula na vitrola.

Não vejo arranhão no disco,

mas um cadáver de uma formiga,

atropelada pela agulha.



Wellington Machado, em:

Hai Kai



Dezembro. Sobre o muro

ardia em silêncio a pitangueira:

a saudade é um fruto vermelho.



José Eduardo Agualusa, escritor angolano.

Definições definitivas...


Todas as coisas de que gosto ou são imorais e ilegais ou engordam.

PRESENTES GREGOS DO GOVERNO LULA

por Angélica Olivieri


Depois de oito anos, chegou a hora de agradecer ao Presidente "operário" por todas as suas grandes realizações no comando desta gloriosa Nação.
Começo meus agradecimentos partindo do meu trabalho como Servidora. Obrigado Presidente Lula pelo profundo respeito demonstrado, desrespeitando anualmente a nossa Data-Base, um preceito Constitucional. Obrigado por não ter liberado os recursos necessários para a implementação do Plano de Cargos e Salários (PCS).
Obrigado pela reforma da Previdência, que fez com que fossemos obrigados a trabalhar outros tantos anos para obter o direito à aposentadoria. Obrigado por ter taxado os inativos.
Além disso, obrigado por não ter reaberto os arquivos da Ditadura, mantendo impunes assassinos, sequestradores, estupradores e terroristas, quase todos eles fardados com estrelas no braço.
Obrigado governo Lula por ter enviado jovens soldados brasileiros para ocupar o Haiti e, desta forma, garantir os lucros de empresas multinacionais, que mantêm na pequena ilha as chamadas maquiladoras. Obrigado por estabelçecer uma relação opressora com países irmãos como a Bolívia.
Obrigado por ter cortado verbas dos planos de prevenção de catástrofes, permitindo essa tragédia que estamos vivendo.
Obrigado pelos Mensalões, dolares em roupas íntimas, loteamento dos Ministérios e das Estatais em troca de apoio político. Obrigado por ter se aliado ao Collor, Sarney, Jader Barbalho.
Obrigado por ter feito menos pela Reforma Agrária do que fez FHC e obrigado por ter cooptado quase todos os movimentos sociais organizados deste país.
Muito obrigado por não ter interferido nas mais de quatro mil demissões da Embraer e por ter reduzido os tributos de uma série de produtos, beneficiando os grandes empresários.
Obrigado por ter privatizado o ensino superior.
Por fim, meu mais sincero agradecimento por ter permitido que os Bancos lucrassem como nunca neste país.


Angélica Olivieri é diretora do SINTRAJUD e Servidora da Justiça Federal.

Originalmente publicado no espaço IDÉIAS do Jornal do Judiciário e reproduzido aqui por EU entender que este é um espaço democrático.

Esvair-se Transbordando


Das narinas nasceram ramagens que lhe percorriam o corpo frígido,
envolvendo-o completamente num casulo esverdeado e fétido.
Da boca vertiam vermes como se fossem alimentos, que dela se alimentavam.
Vermes talhavam seu belo rosto que beijado fora noutros dias tão brandos.
Nos olhos nenhuma vida,
Nenhuma luz.

Dos pulsos duas fendas verticais por onde expulsara-lhe a vida.
Nos ouvidos apenas o silêncio e o princípio de gemidos distantes a se aproximarem.
Em sua genitália nem mais a vivacidade da cordial jovialidade.
No peito um coração esvaído de toda vontade, angustiado e reduzido
entre o primeiro e o ultimo pulsar.
Na mão direita um bilhete interrompido por um adeus.
No chão um tapete de confetes colorindo e alegrando a cena.
Na esquerda, uma aliança pende da mão repousada nas paredes gélidas de uma banheira branca ensangüentada
e inundada de vida.

Alexandre Pedro

***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
http://www.bn.br/portal/index.jsp?plugin=FbnBuscaEDA&radio=CpfCnpj&codPer=15918944842

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Definições definitivas...


Queres ver a qualidade dos teus amigos? Então adoece...

Por que ir assistir a O Corpo Perturbador?

Por Carollini Assis

Antes de ler sobre O Corpo Perturbador, pois pretendia ir assistir ao espetáculo, eu não sabia da existência dos devotees, pessoas que sentem atração sexual por outras com deficiência. Sequer da dos pretenders, que além de serem devotees, fingem ser deficientes. E dos wannabes, devotees que querem tornar-se deficientes. O Corpo Perturbador já enriqueceu minha visão de mundo antes mesmo de sentir o impacto do espetáculo no palco.

Chovia. Chovia muito. Duvidei que fosse ter o espetáculo. Tomava um capuccino enquanto esperava o anúncio por parte da produção. Não havia cobertura para o cenário, mas para o público sim. De repente, os olhos da amiga ao meu lado tem o foco de atenção mudado. E ao menear minha cabeça, eis que vem ele, Edu O., pelo chão vem trazendo o universo de movimentos do corpo, do olhar. Do outro lado, eis que surge Meia Lua já quase no cenário. Quando vi tamanha integridade, força e determinação, quando vi as gotas d´água caírem sobre as cabeças daqueles meninos diante dos olhos atentos de um público que é encanto e inquisição, emocionei-me. Atuar e dançar na chuva é para quem tem total domínio sobre seu trabalho, sensibilidade, é para quem sabe que água é benção, Oxum.

O corpo com deficiência se mostra pleno numa cama de gato que nos inquieta, agiganta e questiona. Delicadeza e testosterona, sussuros, ruídos, sonoridades nascidas de um trabalho de pesquisa que, chicotada de sutileza, sufoca nosso grito, torna-o oculto, prende nosso olhar, torna-o devoto das nuances coreográficas por vezes lancinantes, por vezes delicada e poética.

A rejeição do entrelaçar de pernas, entre Edu Oliveira e Meia Lua, é uma cena que nos convida a questionar o amor, a rejeição, a insistência, a busca sem fim do outro no nosso próprio eu. Desfila-se um comprimir dos corpos na teia dos quereres e quem pensa que a estética do corpo disforme vai atrair seu olhar, sequer imagina que o baile dos corpos encontraram o caminho de infinitas possibilidades, não mais o procuram.

Não sou crítica, nem tenho conhecimentos para tal. Sinceramente descrevo as emoções que me deixaram desconcertada após o espetáculo. Perturbada.

Viva quem faz e acontece na Bahia! Prolongados aplausos para os meninos que fizeram a dança dos corpos na chuva.

O Corpo Pertubador
20 a 23 de janeiro
Pátio do ICBA - entrada franca
17h30

Vencedor do Edital Yanka Rudzka de Apoio á montagem de espetáculos de dança

Informações: http://ocorpoperturbador.blogspot.com/

Foto Alessandra Nohvais

Destinos de água




Amigos são aqueles que mesmo longe, não esquecem quem ficou em terra.
Amigos são aqueles que não se deixam levar pela enxurrada de tristezas que podem chover das cinzentas nuvens da vida.
Amigo é aquele, que mesmo só de quando em quando, sempre trás um raio de sol para iluminar  um qualquer momento


Um beijo para os meus amigos do (máximo) mínimo ajuste 

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Perturbando o corpo


O Corpo Perturbador é o meu primeiro filho, gênero masculino, talvez por isso tenha sido tão difícil nossa relação. Pais e filhos sempre se estranham, né? Estamos em fase de adaptações e ele tem se mostrado mais maleável e no fundo já me encheu de alegria com as conquistas que teve desde a gestação.

Suas irmãs são as menininhas dos sonhos de qualquer pai. Judite é mais dengosa, exige um cuidado especial porque parece frágil, mas é muito carinhosa comigo e já me levou pelo mundo. Odete, dos três herdeiros, é a mais independente e quem mais soube cuidar de mim. Grandiosa!

Que loucura ter uma relação assim com seus projetos, mas sinto desta forma. Sei que a família crescerá muito ainda, mas este filhote caçula já demonstrou sua personalidade forte e tentou me domar. Não permitirei mais, não lhe darei ousadia.

Quinta-feira estaremos brincando no Pátio do Icba e sorrindo de tudo que aconteceu juntos.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Piazza del Popolo [excerto]
Cierro
los ojos, pero los ojos
del alma siguen abiertos
hasta el dolor. Y me tapo
los oídos y no puedo
dejar de oír estas voces
que me cantan aquí dentro.
Jaime Gil de Biedma

Definições definitivas...


Não é que o crime não compensa. É que, quando compensa, muda de nome.

domingo, 16 de janeiro de 2011

PERPLEXIDADE

Esta foto, publicada ontem no IG, é para mim o maior símbolo da dor por que passa o Rio de Janeiro. A perplexidade do cão, fiel à sua dona desaparecida sob a terra e uma cruz tosca, ultrapassa todos nós.

Definições definitivas...


Júri é um grupo escolhido para decidir quem tem o melhor advogado.

...no escuro.

...a noite não escurece.
...a noite não cai,
... e nem me cai,
...a noite não me desce.
...me derruba!
...a noite dói!
Alexandre Pedro
http://carceredoser.blogspot.com/

sábado, 15 de janeiro de 2011

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Definições definitivas...


Vizinho- Pessoa a que na religião nos manda amar como a nós próprios, mas tudo faz para dificultar a nossa obediência.

INFÂNCIA

INFÂNCIA

Era quando a gente tinha medo do escuro
e abria a janela pra entrar o luar
mas debaixo da cama ninguém se atrevia
pois ali um monstro dormia
então a gente ficava quietinha
e esperava o dia raiar
a escuridão se dissipar
pra dormir até meio dia!!!

£UNA

Com carinho
Sílvia


"Eram algumas rosas perfeitas, várias no mesmo talo.
Em algum momento tinham trepado com ligeira avidez,
umas sobre as outras mas depois,
o jogo feito,
haviam se imobilizado tranquilas.
Eram algumas rosas perfeitas na sua miudez,
não de todo desabrochadas
e o tom rosa era quase branco.
             Parecem até artificiais!
        Disse com surpresa.
Poderiam dar a impressão de brancas
se estivessem totalmente abertas mas,
com as pétalas centrais enrodilhadas em botão,
a cor se concentrava e como num lóbulo de orelha,
sentia-se o rubor circular dentro delas.
Como são lindas, pensou Laura surpreendida.
Mas, sem saber por quê, estava um pouco constrangida,
              um pouco perturbada."
Oh, nada demais, apenas acontecia que a beleza extrema incomodava."
Clarice Lispector
Lindíssimo!
Sílvia

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

María Elena Walsh + Cirandeira




A vaca estudiosa (Versão portuguesa: Cirandeira, em http://giramundo-cirandeira.blogspot.com/)

Era uma vez, uma vaca
na Quebrada de Humahuaca.
Como era bem velha,
estava surda de um dos ouvidos.
E, embora já sendo avó,
quis um dia frequentar a escola.
Uns sapatos vermelhos calçou,
finas luvas e uma par de óculos usou.

A professora olhou-a assutada
e disse: - Estás equivocada.
E a vaca respondeu-lhe:
- Por que não posso estudar?


A vaca vestida de branco,
sentou-se no primeiro banco.
Nós, os meninos, atirávamos giz
e morríamos de rir.
Veio gente muito curiosa
para ver a vaca estudiosa.
Gente chegava em caminhões,
de bicicleta, de avião.
E como o tumulto aumentava,
na escola ninguém estudava.
A vaca, de pé em um canto
ruminava sozinha a lição.

Um dia, todos os meninos
nos tornamos burros
e naquele lugar de Humahuaca
a única que se tornou sábia foi a vaca.


La vaca estudiosa
Había una vez una vaca

en la Quebrada de Humahuaca.


Como era muy vieja, muy vieja,

estaba sorda de una oreja.


Y a pesar de que ya era abuela

un día quiso ir a la escuela.


Se puso unos zapatos rojos,

guantes de tul y un par de anteojos.


La vio la maestra asustada

y dijo: --Estás equivocada.


Y la vaca le respondió:

--¿Por qué no puedo estudiar yo?


La vaca, vestida de blanco,

se acomodó en el primer banco.


Los chicos tirábamos tiza

y nos moríamos de risa.


La gente se fue muy curiosa

a ver a la vaca estudiosa.


La gente llegaba en camiones,

en bicicletas y en aviones.


Y como el bochinche aumentaba

en la escuela nadie estudiaba.


La vaca, de pie en un rincón,

rumiaba sola la lección.


Un día toditos los chicos

se convirtieron en borricos.


Y en ese lugar de Humahuaca

la única sabia fue la vaca.

Definições definitivas...


Teimoso: um obstinado que tem uma opinião diferente da sua.

PresidentE ou PresidentA?

Detalhe do rolls royce presidencial no dia da posse de Dilma Rousseff

PresidentA ou  PresidentE? O termo PresidentA pode até estar correto, como estão corretos chamar Bergamota de Vergamota e Vassoura de Bassoura. O certo é que ninguém chamou Lula e FHC de presidentO. Claro, a palavra presidentO não existe.


Mas Dilma quer ser chamada de PresidentA, como se verifica da foto acima.

Quem quiser que chame e quem não quiser que não chame.

Eu não gosto do termo PresidentA, assim como não gosto dos termos Vergamota e Bassoura e por isso fico com a palavra PresidentE.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

"Espírito da Mata"...da banda...Mestre Ambrósio



Quando em tronco encontrares teu corpo feito...
já teus pés em raízes vão estar...
procurando na terra,
da água, o leito,
e não mais braços, sim galhos...
pra se abraçar !

Em árvore transmutado,
poderás entender...
o que a força do mato...
já começa à dizer !

Muito além do humano...
conceito “respeito”,
mais do que teus países hão de dar,
há um todo completo,
um feito perfeito, fazes parte,
impossível separar !

Planta, enfim, com cuidado
tudo o que hás de colher,
todo ato é um parto,
vida é ser o aprender !

Não és dono do mundo,
não és deus, nem o topo da tua evolução !

Não és dono do mundo,
não és deus, nem o topo da tua evolução !

Quando o tronco em teu corpo
mostrar teu peito,
lá, bem mais do que dizes, vão estar,
costurando a matéria
da alma que és feito,
grãos e laços
no abraço pra te plantar
o infinito do espaço
onde irás compreender que essa força, de fato,
te arremessa à viver !

Direto do Nordeste!

O Diário do Nordeste, que foi às bancas em 9/01, traz a matéria acima em Ensaio de Cândido Pinheiro Koren de Lima. Enquanto isso o Mausoléu do "Home" continua escondido atrás de tapumes, mentiras e gastos...

Definições definitivas...


Nascimento - É a conseqüência de uma inconsequência.

Um copo de sorte



           Dentro de mim há uma bússola perdida, quando eu estiver bem hidratada, hei de dar-me de beber com os seus ponteiros até encher meu copo com outra lacuna, talvez, mais azul ou marítima, perto de um torrão de tempo feito de outra sorte.

Recorte


Quebra e recorta a luz que se veste com o interior do meu corpo, a ausência sem mapa que descansa em minhas margens, soluços sem mar inscritos nas pegadas dos meus olhos, olhos sem sul ou norte a lavrar uma espuma sem medidas, olhos de claridade submarina, mergulhos perdidos nos músculos convulsionados e sem  calor dos meus pés sobre a areia fria.

María Elena Walsh, Miranda y Mirón























Miranda la lechuza
y Mirón el lechuzón
miran un partido
de ping-pong.
Patapín, patapón
y patapín y patapón,
Mirón y Miranda
Miranda y Mirón.

La pelotita saltarina
les llama mucho la atención
pero la miran, por las dudas,
con intelectual reprobación.

Críticos con idea fija,
miran con pésima intención
y chistan a la pelotita
para demostrar qué cultos son.

El tiempo pasa y ellos siempre
dicen que no, que no, que no,
sin darse cuenta que el partido
hace un año y medio que acabó.

A escritora e música argentina María Elena Walsh morreu ontem, aos 80 anos de idade em Buenos Aires. Procurei poemas traduzidos em portugués,mas aínda sem resultado:saibais desculpar.

María Elena Walsh,Canción de Tomar el Té




Estamos invitados a tomar el té.
La tetera es de porcelana
Pero no se ve,
Yo no sé por qué.

La leche tiene frío
Y la abrigaré,
Le pondré un sobretodo mío
Largo hasta los pies,
Yo no sé por qué.

Cuidado cuando beban,
Se les va a caer
La nariz dentro de la taza
Y eso no está bien,
Yo no sé por qué.

Detrás de una tostada
Se escondió la miel,
La manteca muy enojada
La retó en inglés,
Yo no sé por qué.

Mañana se lo llevan
Preso a un coronel
Por pinchar a la mermelada
Con un alfiler,
Yo no sé por qué.

Parece que el azúcar
Siempre negra fue
Y de un susto se puso blanca
Tal como la ven,
Yo no sé por qué.

Un plato timorato
Se casó anteayer.
A su esposa la cafetera
La trata de usted,
Yo no sé por qué.

Los pobres coladores
Tienen mucha sed
Porque el agua se les escapa
Cada dos por tres,
Yo no sé por qué.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O Casal Temer


Ela nasceu em 1983 e ele -- vice-presidente da república brasileira -- em 1940.

"...eu e todos meus eus..."


Início de 2011.
Como prometido, venho partilhar meus textos com você, caro amigo leitor.
Muito lhe sou grato pela visita, mas te peço, encarecidamente, que deixe um comentário, positivo ou negativo, não importa...serão bem vindos.
Solte o verbo! E não se cale diante das minhas palavras pois, sem você, de nada valerão, não farão sentido algum.
Curso o 4º Semestre em Letras, e o ato de escrever me é novo. Sim, me considero um escritor, mas tenho apenas 5 meses.
Meu primeiro poema data se no mês de setembro de 2010, e em novembro participei de um Concurso de Produção de Textos na Universidade Paulista e fui premiado em três poemas.
Meus textos foram registrados na Biblioteca Nacional, e por isso demorei tanto pra divulgá-los, mas agora estou aqui, dividindo minhas palavras com você.
Obrigado pelo carinho,incentivo, e confiança!
Alexandre Pedro



O Poeta e o Poema

Quem expressa?
O poeta ou o poema?
O poeta expressa a palavra,
ou a palavra expressa o poeta?
O poeta sem palavras não se expressa.
A poesia tem pressa,
O tempo passa depressa,
As palavras o desprezam.

Rima, Ritmo e Métrica.

Qual sua melodia?
Qual sua dança?
Quais suas medidas?
Onde se escondem?
Voltem depressa e façam do poeta um personagem
que o engane e o manipule,
e o faça menino, um mamute.
Transborde-o.
Que só assim, um adulto sob pressão,
pode escrever algo que preste.

Alexandre Pedro


***Este poema tem seus DIREITOS AUTORAIS registrados na Biblioteca Nacional. Reprodução somente possível com pré autorização do autor, Alexandre N. Pedro.
http://www.bn.br/portal/index.jsp?plugin=FbnBuscaEDA&radio=CpfCnpj&codPer=15918944842

"O animal agonizante" ( trechos )




É importante traçar uma distinção entre o morrer e a morte. O morrer não é um processo ininterrupto. Se a gente tem saúde e se sente bem, é um processo invisível. O final que é uma certeza nem sempre se anuncia de maneira espalhafatosa. Não, você não consegue entender. A única coisa que você entende a respeito dos velhos quando você não é velho é que eles foram marcados pelo tempo. Mas compreender isso só tem o efeito de fixá-los no tempo deles, e assim você não compreende nada. Para aqueles que ainda não são velhos, ser velho significa ter sido. Eis uma maneira de encarar a velhice: é a época da vida em que a consciência de que a sua vida está em jogo é apenas um fato cotidiano. É impossível não saber o fim que o aguarda em breve. O silêncio em que você vai mergulhar para sempre. Fora isso, tudo é tal como antes. Fora isso, você continua sendo imortal enquanto vive.


***


(...) Não é o sexo que é corrução - é o resto. Sexo não é só atrito e diversão superficial. É também a maneira como nos vingamos da morte. Não se esqueça da morte. Não se esqueça da morte jamais. É verdade, também o sexo tem um poder limitado. Eu sei muito bem quais são os limites desse poder. Mas me diga uma coisa: existe poder maior?


Philip Roth, Nova Jersey (EUA), 1933

Sophia de Mello Breyner Andresen

Signo

Meu signo é o da morte porém trago
Uma balança interior numa aliança
Da solidão com as coisas exteriores

domingo, 9 de janeiro de 2011

Definições definitivas...


Mosquito - É uma pequena criação da natureza para nos fazer pensar melhor sobre as moscas.

Feliz...muito feliz...2011...



Desejo a todos...
inspirações...
palavras...
frases...
livros...
e todas as alegrias...

Beijos
Leca

sábado, 8 de janeiro de 2011

Definições definitivas...


Meia-idade - É quando você tem duas escolhas e prefere chegar a casa mais cedo.

Portishead The Rip

Filme "La Passion de Jeanne d'Arc", 1928, Diretor: Carl Theodor Dreyer
Adaptação ao som de Portishead, The Rip. Incrível!!!
Confira, vale a pena!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Noite

Podre
de tanto amar
no lençol de cores fortes
a marca do calor da ambição

emoção quase impertinente
que simboliza
a vitória da ganância.

Dorme sincera
quase sem defeitos
nem marcas ou sinais
sem passados de angústia
ou dores de ressentimento

Por tanto tempo cobicei
apenas por cobiçar
e agora, no entanto,
sinto confuso
porque nada posso fazer
a não ser acompanhar
o silêncio de um sono
interminável.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Definições definitivas...


Filosofar - Pôr tijolos sobre tijolos, sem construir uma casa.

Malangatana (Valente Ngwenya), Moçambique (1936-2011)

Sophia de Mello Breyner Andresen

Liberdade

Aqui nesta praia onde

Não há nenhum vestígio de impureza,

Aqui onde há somente

Ondas tombando ininterruptamente,

Puro espaço e lúcida unidade,

Aqui o tempo apaixonadamente

Encontra a própria liberdade.

Albert Camus

" E no meio de um inverno eu finalmente
  aprendi que havia dentro de mim
  um verão invencível." 

FERIMENTOS

Ah, você já foi ferido. Eu também. Que bom, não é mesmo? Uma vida inteira e sair ileso? Não quero. Dor passa, e daí se ela virar cicatriz? Cicatrizes não doem, quem sabe vez ou outra, quando o tempo estiver úmido. E daí se a dor não ensinar nada? Vivemos para continuar errando, inclusive. Viva a liberdade de fazer tudo errado. Por opção, e não por desconhecimento. Crescer é conhecer, nunca foi sinônimo de entender. Eu ainda não entendo uma porção de coisas, sabe? E também não fico tentando prever reações e acontecimentos. Regras limitam muito. Prefiro não acreditar nelas. Que venha a dor, que doa quando - e enquanto - tiver que doer. Aflição é esperar por algo que pode nem acontecer. Ah, você já foi ferido. Eu também, querido. E não sinto pena de nós dois. Nem raiva de quem nos feriu. A quantos ferimos também? Quem está na vida é pra se ferir, inclusive. Você quer a notícia boa? Não é porque alguém te machucou que todos vão te machucar. A ruim? Podem fazer pior do que isso. Podem tentar te matar. Podem conseguir. E você pode escolher. Se quer continuar acreditando nas pessoas e sorrindo para as antigas cicatrizes das decepções, ou se quer se proteger da dor em troca de uma pele intacta.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Definições definitivas...


Família - Chama-se de família a um grupo de pessoas que têm as chaves da mesma casa.

Detalhes de Torres-RS

Caminho pelo mar entre a Prainha e a Praia da Cal, ao fundo o Morro das Furnas.

Praia da Guarita, vista de cima do morro das Furnas.

Entre a Prainha e a Praia da Cal,  abaixo do Morro do Farol, onde os crentes rezam para a Santinha e os caminhantes e corredores fazem suas trilhas. Em cima o Paraglider faz seu voo silencioso. No fundo, o morro das Furnas, onde se  pode avistar, lá de cima, a paisagem deslumbrante. E continuando o caminho se chega na Praia da Guarita, onde o mar traiçoeiro atinge as rochas e as pessoas se banham controlando o repuxo que é bem forte por ali.

Dois poemas de Mariana Botelho



Ato


um poema me deixou um sismo na carne
me arqueou o corpo
e traçou em minhas costas itinerários de espuma.

com um gosto de cor
na boca
deixei cair pulsante um
longo beijo
morno

***

Abstrato

eu nunca beijei um poema.
no entanto ele está aqui
roçando leve minha
boca

nas horas dos
mais
doidos
silêncios


Lirismo contemporâneo

Bem além do artesanato, da boa música, do folclore e de tantas histórias para se contar – coisas típicas do Vale do Jequitinhonha – a cidade de Padre Paraíso, a 550 quilômetros de Belo Horizonte, tem também uma ótima escritora, a jovem Mariana Botelho. Com 27 anos, há algum tempo ela lançou O silêncio tange o sino, coletânea de poemas que, independentemente da estreia, a coloca entre os melhores autores de sua geração. Como não vive em BH nem no Rio ou São Paulo, por enquanto pouca gente a conhece. No entanto, isso não impediu de a moça de ser descoberta pelos editores das páginas de literatura da Revista Ciência e Cultura, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na qual publicou seus primeiros poemas, que acabaram despertando o interesse da Ateliê Editorial. Antes havia feito circular alguns textos seus no seu site, Suave Coisa (www.quelevequenada.blogspot.com ) com o qual, desde as lonjuras sem fim de Padre Paraíso, fica conectada com o mundo. “Foi principalmente graças à internet que pude conhecer outros autores, descobrir novos caminhos, outras vozes, com as quais tenho me comunicado”, conta Mariana. Vivendo na sua cidade, fora curtos períodos em que morou em Teófilo Otoni e Poços de Caldas, Mariana Botelho diz não se lembrar mais como começou sua história com a literatura, com a qual está envolvida desde muito nova. “Não venho de uma família de escritores, mas sempre vi em meus pais um gosto pelos livros. Quando tinha 12 anos, meu pai me apresentou a Machado de Assis e Fernando Pessoa, e daí em diante foi uma descoberta atrás da outra. Como sempre fui muito curiosa, as coisas foram jorrando”, diz. Atualmente, com muito gosto, ela anda lendo poetas portugueses como Eugénio de Andrade, Sophia de Melo, Nuno Júdice, Vasco Gato, Adília Lopes e David Mourão-Ferreira, entre outros. Mas também não deixa de citar o italiano Eugênio Montale, que é um dos seus poetas mais queridos. Como todo autor que se preze, Mariana também tem seu método de trabalho. Mas com uma particularidade bem rara: ela quase não reescreve seus poemas. No seu caso, eles vêm de um jorro só. “Aprendi a deixá-los amadurecer dentro de mim. Acho melhor do que na gaveta. às vezes, fico namorando um poema dias a fio, recitando em pensamento no meio da rua. Velando por ele como se fosse um filho, até ver que está pronto. Aí então o escrevo. Só que não sou de produzir muito”, conta. Sobre como é viver em Padre Paraíso, Mariana diz que muita coisa a encanta por lá. Mas de uns tempos para cá a vida foi se encarregando de ir dissipando o apego e talvez até se mude. “Embora seja casada com a poesia, ultimamente ando me aventurando um pouco na prosa, vamos ver o que vai dar”, diz a escritora. Como boa filha do Vale do Jequitinhonha, ela costuma fazer também algumas peças de cerâmica. Para Carlos Vogt, da Revista Ciência e Cultura, que prefaciou O silêncio tange o sino, “nas imensidões das Minas Gerais do Jequitinhonha, o silêncio que a poesia de Mariana Botelho ecoa é tenso de suave sensualidade e tenso ao tanger no sino dos poemas o som que ouvimos e que ele não produz”.

O silêncio tange o sino - Mariana Botelho. Ateliê Editorial, 75 páginas,
R$ 34,00. Informações:
atelie@atelie.com.br

Carlos Herculano Lopes
Jornal Estado de Minas

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Casa de José de Alencar


Patrimônio histórico e cultural, a Casa de José de Alencar guarda lembranças de um dos escritores mais famosos do Brasil.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Ajuste Musical

Definições definitivas...


Experiência - É quando renunciamos aos erros da juventude para substituí-los pelos da idade.

Através dos bosques ( curta-metragem ) - JÚLIO CORTÁZAR

Curtametragem inspirado no conto "La continuidad de los parques" de Julio Cortazar.

Trabalho universitário de conclusão do 2º semestre de 2010 do curso de produção audiovisual.

Direção: Matheus Mardegan e Otávio Mendes



Continuidade dos Parques


Havia começado a ler o romance uns dias antes. Abandonou-o por negócios urgentes, voltou a abri-lo quando regressava de trem à chácara; deixava interessar-se lentamente pela trama, pelo desenho dos personagens. Essa tarde, depois de escrever uma carta ao caseiro e discutir com o mordomo uma questão de uns arrendamentos, voltou ao livro com a tranqüilidade do gabinete que dava para o parque dos carvalhos. Esticado na poltrona favorita, de costas para a porta que o teria incomodado com uma irritante possibilidade de intrusões, deixou que sua mão esquerda acariciasse uma e outra vez o veludo verde, e começou a ler os últimos capítulos. Sua memória retinha sem esforço os nomes e as imagens dos protagonistas; a ilusão romanesca ganhou-o quase imediatamente. Gozava do prazer quase perverso de ir descolando-se linha a linha daquilo que o rodeava, e de sentir ao mesmo tempo que sua cabeça descansava comodamente no veludo do alto encosto, que os cigarros continuavam ao alcance da mão, que mais além das janelas dançava o ar do entardecer sob os carvalhos. Palavra a palavra, absorvido pela sórdida disjuntiva dos heróis, deixando-se ir até as imagens que se combinavam e adquiriam cor e movimento, foi testemunha do último encontro na cabana da colina.

Antes entrava a mulher, receosa; agora chegava o amante, com a cara machucada pela chicotada de um galho. Admiravelmente ela fazia estalar o sangue com seus beijos, mas ele recusava as carícias, não tinha vindo para repetir as cerimônias de uma paixão secreta, protegida por um mundo de folhas secas e caminhos furtivos. O punhal se amornava contra seu peito e por baixo gritava a liberdade refugiada. Um diálogo desejante corria pelas páginas como riacho de serpentes e sentia-se que tudo estava decidido desde sempre. Até essas carícias que enredavam o corpo do amante como que querendo retê-lo e dissuadi-lo desenhavam abominavelmente a figura de outro corpo que era necessário destruir. Nada havia sido esquecido: álibis, acasos, possíveis erros. A partir dessa hora cada instante tinha seu emprego minuciosamente atribuído. O duplo repasse, sem dó nem piedade, interrompia-se apenas para que uma mão acariciasse uma bochecha. Começava a anoitecer.

Já sem se olharem, atados rigidamente à tarefa que os esperava, separaram-se na porta da cabana. Ela devia continuar pelo caminho que ia ao norte. Do caminho oposto, ele virou um instante para vê-la correr com o cabelo solto. Correu, por sua vez, apoiando-se nas árvores e nas cercas, até distinguir na bruma do crepúsculo a alameda que levava à casa. Os cachorros não deviam latir e não latiram. O mordomo não estaria a essa hora, e não estava. Subiu os três degraus da varanda e entrou. Do sangue galopando nos seus ouvidos chegavam-lhe as palavras da mulher: primeiro uma sala azul, depois um longo corredor, uma escada acarpetada. No alto, duas portas. Ninguém no primeiro quarto, ninguém no segundo. A porta do salão, e depois o punhal na mão, a luz das janelas, o alto encosto de uma poltrona de veludo verde, a cabeça do homem na poltrona lendo um romance.
Júlio Cortázar ( 1914 - 1984 ).
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Neste conto Júlio começa narrando a perspectiva de um personagem (O Leitor) que narra a história de um romance infiel, em que o casal traça um plano para assassinar o marido, e eis que o personagem "amante", percorre o caminho descrito pela mulher "amante/esposa", e se depara com a cena inicial, onde o personagem que lê e narra a história ao leitor, é o próprio marido. E que está sentado na poltrona verde aveludada, lendo o romance à nós-leitores. Ou seja, o personagem se torna real; sai de dentro do livro para assasinar o Leitor-marido.
Por Alexandre Pedro.

Família é prato difícil de preparar...




Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.
E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.
Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada. O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini; Família à Belle Meunière; Família ao Molho Pardo, em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é “à Moda da Casa”. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.
Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.


"O Arroz de Palma", de Francisco Azevedo

sábado, 1 de janeiro de 2011